Toda a história, seja da humanidade ou de uma empresa, é marcada por momentos que são verdadeiros divisores de água. Desde que a IA (Inteligência Artificial) colocou seus dois pés no dia a dia da sociedade, podemos dizer que o mundo vive um desses cenários de ruptura. Com a tecnologia introduzida, ainda que não totalmente assimilada por grande parte da população, o setor hoteleiro iniciou sua caminhada para não ficar para trás. No Grupo Tauá de Hotéis, a hora é de uma virada de chave que alinha cultura, inovação e pessoas.
Puxada pela CEO, Lizete Ribeiro, a rede mineira engatinha em seu processo de transformação interna. Entendendo a urgência da mudança, o Tauá aproveitou sua Convenção de Vendas, realizada em junho, para introduzir aos seus colaboradores os pilares que ditarão os rumos do futuro da empresa.
Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Miguel Diniz, head de Inovação do Grupo Tauá, explica que a rede possui um conselho estabelecido, que define os processos de governança. Internamente, o assunto já vinha sendo debatido, até que chegou o momento de tirar o projeto do papel.
“Nossa Convenção de Vendas foi muito bacana, pois trouxemos pessoas de fora para abordar temas como futurismo. Dividimos os colaboradores por áreas para debater melhores práticas em cada departamento. Neste sentido, algumas tecnologias puxam a fila, como a Aurora, nossa assistente virtual”, explica Diniz.

Construção cultural e investimentos
A rede mineira sabe que nenhuma mudança acontece do dia para a noite — ainda mais tratando-se de uma empresa de nível nacional com milhares de colaboradores. Há cerca de três anos, o Tauá vem investindo em soluções de IA, priorizando vendas em um primeiro momento. Com a explosão da inteligência artificial no mercado, o grupo percebeu que era necessário expandir as aplicações de novas tecnologias.
“Passamos a assinar algumas soluções, como ferramentas para geração de imagem, por exemplo. Mas o que destaco é que a nossa grande virada não é sobre tecnologias adotadas ou orçamento, e sim sobre cultura. Queremos despertar a curiosidade no colaborador para explorar e buscar novas soluções para desenvolvermos o nosso próprio ecossistema”, enfatiza o executivo.
Para tornar a mudança possível, o Tauá vem promovendo sessões de treinamento com seus “emocionadores”, como são chamados os colaboradores da rede. E, mesmo sabendo da importância da capacitação, Diniz ressalta que a forma de transmitir conhecimento também está mudando. “É uma metodologia que está mudando de configuração. Mostramos vídeos criados pelas soluções, por exemplo, os prompts utilizados e as boas práticas. Hoje, trata-se muito mais de curiosidade do que de treinamento em sala de aula.”
Essa transformação passa também pela valorização de soft skills, como curiosidade e criatividade — qualidades essenciais para o novo momento da rede. Para fortalecer ainda mais o engajamento com a mudança cultural da empresa, o Tauá buscou destacar a valorização das pessoas no processo.
“O Tauá é uma empresa que tem um cuidado especial com as pessoas. E essa evolução passa por deixar claro que a tecnologia não coloca em risco a participação humana na formulação de conceitos e estratégias. Trata-se de conectar e acelerar caminhos. Busco trabalhar essa ideia com meu time, pois não quero que as pessoas se sintam colocadas de lado”, pontua Tânia Souza, gerente de Marketing da rede.

Produtividade como meta
Como um setor que sofre grandes variações de demanda, o segmento hoteleiro precisa estabelecer uma operação sólida para alcançar bons resultados. Seja no departamento de compras, A&B (Alimentos & Bebidas) ou na escala de funcionários, a IA tem o poder de otimizar custos e elevar a produtividade dos times. E são essas as metas do grupo para o desenvolvimento de ferramentas próprias.
“Queremos desenvolver soluções internas para criar escalas customizadas de trabalho, por exemplo, olhando para a demanda futura. Também estamos em fase de estudos de supply para obter compras mais assertivas e não gerar tanto estoque”, explica Diniz.
Os planos são muitos, mas é no marketing da empresa que a IA vem se destacando. Um exemplo é a campanha para as férias de julho, criada com base em um vídeo (assista aqui) produzido a partir da combinação de imagens de divulgação do Tauá com personagens desenvolvidos por inteligência artificial.
“Fomos testando até chegar ao produto final. O vídeo foi 100% feito por IA, inclusive o roteiro. Definimos a narrativa, os personagens envolvidos e as cenas. Conseguimos entender quais pontos do processo são operacionais e quais são insights criativos”, explica o executivo.
A campanha foi um marco para o grupo, pois reforçou o potencial de ganho de produtividade da IA. Diniz conta que a empresa economizou tempo com contratação de casting, deslocamento para cenários, narração, entre outros elementos do processo. No total, o vídeo foi produzido em dois dias.
Próximos passos
Plantando suas primeiras sementes, o Tauá está em fase de implantação de ferramentas e análises de resultados. Em um segundo momento, o plano da empresa é desenvolver soluções internamente, promovendo maior autonomia ao grupo.
“Vamos ajustando a rota, entendendo o que dá certo e o que o cliente tem mais interesse no processo de produto. É um planejamento a longo prazo, mas a IA veio para ficar sem substituir pessoas. Nossa meta é testar cada vez mais e obter resultados”, finaliza.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Grupo Tauá de Hotéis















