Depois dos aspectos técnicos, a Reforma Tributária chega ao terreno das dúvidas de quem terá de lidar com seus efeitos no dia a dia. A Atlantica Hospitality International encerrou a programação do encontro Reforma Tributária: O Trade em Debate — os desafios da reforma no turismo com uma mesa-redonda voltada à visão do mercado, reunindo profissionais de viagens corporativas e especialistas das áreas tributárias.
Participam da conversa Juliana Ferreira, da Gestão de Viagens Corporativas da Volkswagen; Gabrielly Prando, da Gestão de Viagens Corporativas da Sisteplan; Rafael Moura, gestor de Viagens da 9G; Bianca Serafim, consultora tributária da LATAM; e Jonathan Pimenta, gerente tributário da Localiza.
Mediada por Priscila Pereira, diretora Sênior de Venda da Atlantica, a mesa começou debatendo os gatilhos que levaram as empresas a olharem para a Reforma Tributária e seus imapactos no departamento de Gestão de Viagens.
“Na Volkswagen, levei o tema ao comitê, mostrando as oportunidades de crédito que temos agora. Ainda não temos todas as respostas, mas já estamos levando algumas para encontrar o caminho que desejamos seguir”, explicou Juliana.
Na Sisteplan, Gabriela contou que a virada de chave veio de dúvidas sobre o tema. A gestora foi atrás de se aprofundar no assunto de como as mudanças impactariam as viagens corporativas, o que a levou a desenvolver uma calculadora focada na Reforma. “Peguei a alíquota de 26% do que era tributado de viagens e calculei 70% em cima disso. Entendi que era um volume muito expressivo e levantei a pauta”, disse a gestora.
Moura, por sua vez, foi movido pela curiosidade. O gestor de Viagens da 9G pontuou o tema com a empresa, pensando nos impactos operacionais. “Fiz o trabalho de entender de que maneira a Reforma afetaria as viagens e vi que era gritante. Começamos a investigar o tema e fazer o dever de casa, participar de fóruns e debates. Passamos a olhar o departamento com outro olhar”.
Na LATAM, Bianca foi a responsável por propagar a discussão do assunto em diferentes departamentos. “Começamos a levar o debate para o comercial e, posteriormente, sentamos com outras áreas, como TI, fiscal, etc”.
Pimenta explicou que na Localiza o desafio veio dos desafios do segmento de locação de carros, um dos segmentos passíveis de geração de crédito após a Reforma Tributária.
Aprendizados que não estão no manual
Juliana contou que, dentre os principais aprendizados até aqui, sair da zona de conforto foi um dos mais relevantes. “Fui atrás de entender para levar adiante, olhando para custos e oportunidades, sistemas, recebimento de notas, etc. Acredito que esse é o diferencial: a forma como o gestor de viagens consegue passar as oportunidades e necessidades”.
Gabriela comentou que os impactos financeiros e operacionais foram essenciais para entender a dimensão da mudança. “Entender a operação, as integrações e conseguir a tomada de crédito foi o primeiro passo. Antes não havia o discernimento de que a área de Viagens poderia ser estratégica desse ponto de vista”.
Para o gestor da 9G, o departamento de Viagens, que antes era visto apenas como custo, ganhou uma nova percepção aos olhos das empresas. “Existe uma cadeia de negociações envolvida, com aéreo, hospedagem, eventos, etc. São muitas jornadas. Com a possibilidade de trazer receita, essa percepção muda”.
(*) Crédito das fotos: Nayara Matteis/Hotelier News















