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Três perguntas para - Guto Costa Filho

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Três perguntas para: Guto Costa Filho

Por Nayara Matteis 22 de outubro de 2020

O gosto pelo turismo começou com uma mochila nas costas e uma bicicleta como meio de transporte. Daí para empreender no setor, contudo, foi necessária uma viagem marcante à Amazônia com a então namorada (e atual esposa e sócia). Nasceu ali a fagulha que deu origem ao Anavilhanas Jungle Lodge, um dos hotéis de selva mais bem avaliados do país. Para saber um pouco mais sobre o empreendimento, o Hotelier News conversa hoje (22) com seu sócio e fundador, Guto Costa Filho, que já participou de uma de nossas lives.

“Desde a adolescência nutri uma grande paixão por viagens a locais remotos, tendo cruzado os Lençóis Maranhenses de bicicleta”, conta o empresário. “Na primeira viagem à Amazônia, descobri um lugar incrivelmente bonito e, ao mesmo tempo, desafiador. Eu e minha namorada, hoje sócia e esposa Fabiana Caricati, imaginamos que poderia ser interessante oferecer bons serviços e uma estrutura confortável em um hotel no meio da Amazônia. Conversamos com meu padrasto, João Carlos Ligeiro, para entrar como sócio”, relembra Costa Filho.

De lá para cá, muita coisa aconteceu, mas o sonho não só virou realidade, como rendeu “filhos”. Anos depois, o casal criou outro hotel, dessa vez em Manaus. No Villa Amazônia, há ainda o bastante procurado bistrô Fitz-carraldo. “O hotel (Anavilhanas) fechou no final de março. Ficamos sem hóspedes por quatro meses à espera do abrandamento da crise de saúde que a Covid-19 impôs ao Amazonas”, explica Costa Filho. Leia abaixo nossa conversa completa com o convidado de hoje da sessão.

Três perguntas para: Guto Costa Filho

Hotelier News: O Anavilhanas Jungle Lodge está cercado de comunidades ribeirinhas no meio da Amazônia. Como o hotel vem tentando preservar a população local da pandemia ou auxiliar essas pessoas em tempos de crise?

Guto Costa Filho: O hotel fechou no final de março. Ficamos sem hóspedes por quatro meses à espera do abrandamento da crise de saúde que a Covid-19 impôs ao Amazonas. Semanas antes de decidirmos pelo fechamento, já tínhamos interrompido visitações às comunidades do Santo Antônio e do Tiririca, a fim de evitar exposição desnecessária. Passamos, então, a doar cestas de alimentos quinzenalmente nos meses que se seguiram. Internamente, afastamos os funcionários que se enquadravam em grupos de risco. Além disso, ampliamos a cesta de alimentos dos nossos colaboradores durante a suspensão dos contratos e ajudamos a criar um protocolo específico para operar com segurança na reabertura. Em paralelo, continuamos tocando a construção da escola comunitária do Aracari, em parceria com a comunidade, que deverá ficar pronta para o ano letivo de 2021. Por fim, conseguimos uma doação de mais de 2 mil frascos de álcool em gel da Phytoervas, nossa parceira e fornecedora de amenities, que serão repassados às comunidades carentes de Novo Airão e Manaus.

Três perguntas para - Guto Costa Filho_Villa Amazônia

Também ao lado da sócia e esposa, Costa Filho abriu o Villa Amazônia, hotel-boutique em Manaus

HN: O mercado internacional era um dos principais públicos do hotel. Ainda sem perspectiva de retorno, como está a comunicação com os hóspedes estrangeiros?

GCF: Sempre dedicamos boa parte dos nossos esforços comerciais em criar, consolidar ou ampliar laços no mercado internacional. No começo não foi fácil ser considerado como um produto confiável para os principais players do mercado, especialmente para um casal jovem e inexperiente e sem histórico na hotelaria. Por sorte, uma matéria de capa da seção de viagens do New York Times sobre as novas opções de hospedagem na Amazônia brasileira, em 2007, destacou a estrutura e os serviços oferecidos pelo Anavilhanas. Com isso, colocou-nos no radar das principais operadoras de receptivo e estrangeiros que pesquisavam sobre hotéis de floresta no Brasil. Desde então, temos mantido uma ótima relação com todas DMC brasileiras, diversas agências e sempre participamos de uma ou duas feiras focadas no mercado internacional. Em 2020, em plena pandemia, já participamos das versões online de feiras voltadas ao mercado de luxo, caso da Emotions (Buenos Aires) e Remote Latin America. O desafio é enorme, já que hoje a Amazônia peruana é muito mais conhecida e comercializada mundo afora que a brasileira. Além disso, a imagem do país está bastante desgastada com as notícias sobre os números da Covid-19 e de aumento de desmatamento na Amazônia.

HN: Pela localização, grande parte dos clientes dependem da malha aérea para chegar ao hotel. Com o transporte aéreo limitado, como contornar tais empecilhos?

GCF: De fato, a malha aérea para Manaus ficou mais limitada, mas o perfil do viajante também parece ter mudado bastante. Se antes o hotel recebia uma maioria de estrangeiros, que percorriam os destinos mais conhecidos do país com pouco tempo disponível e a necessidade de otimizar conexões e voos, hoje lidamos com o público doméstico que escolhe um destino para tirar férias, mais longas e com maior flexibilidade de tempo. O próprio home-office nos parece ter permitido essa maior disponibilidade em relação à menor oferta de voos. Temos o privilégio de estarmos próximos a Manaus, cidade com grande oferta de voos diretos provenientes de diversas cidades, que mesmo com a oferta reduzida, possibilita aos hóspedes escolher opções com alguma tranquilidade. Nosso hotel irmão, o Villa Amazônia, no Centro histórico de Manaus, acaba atendendo muito bem aos hóspedes na chegada ou retorno de suas experiências de floresta, que além de proporcionar uma excelente experiência de hospedagem na cidade, ajuda nossos hóspedes a se adequar a essa malha aérea mais limitada. Ou seja, para contornar os empecilhos da baixa oferta de voos, precisamos oferecer mais e melhores serviços na cidade para todo perfil de turista.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Anavilhanas Jungle Lodge