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Três perguntas para: Henrique Amaral

Natural de Salvador, Henrique Amaral se considera uma pessoa tranquila e familiar. Diretor de Compras do Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa, o profissional valoriza os momentos simples da vida. Viajante de carteirinha, aprecia conhecer novas culturas e lugares. Apaixonado por futebol, o executivo é torcedor do Esporte Clube Bahia.

Vencedor do Prêmio VIHP (Very Important Hotel Professional) na categoria Gerência de Compras em 2025, Amaral é formado e pós-graduado em Administração Hoteleira. Em sua carreira, acumula 29 anos de experiência no setor hoteleiro, onde atuou em diferentes áreas operacionais, o que lhe proporcionou uma visão estratégica e sistêmica da hotelaria.

“Nos últimos 10 anos, venho me especializando na gestão de suprimentos, liderando equipes e processos em grandes resorts brasileiros, com foco em eficiência, sustentabilidade, controle de custos e excelência na experiência do hóspede”, conta Amaral.

O executivo tem como diferencial a habilidade de construir parcerias sólidas com fornecedores, implementar estratégias de compras inteligentes e adaptar processos às especificidades regionais — essencial para operações em destinos turísticos como o litoral brasileiro.

“Sou comprometido com os princípios ESG, integrando práticas sustentáveis à cadeia de suprimentos, promovendo o desenvolvimento local e garantindo ética e transparência em todas as etapas. Acredito que a hotelaria do futuro exige decisões conscientes que equilibrem resultados econômicos com impacto positivo na sociedade e no meio ambiente”, acrescenta.

No Três perguntas para, Amaral fala sobre as estratégias do setor de Compras adotadas pelo empreendimento baiano.

Três perguntas para: Henrique Amaral

Hotelier News: Com o avanço das políticas de sustentabilidade, muitos resorts têm priorizado fornecedores locais e produtos de menor impacto ambiental. Como essa diretriz influencia suas decisões de compra e o relacionamento com fornecedores regionais?

Henrique Amaral: A sustentabilidade tem influenciado de forma significativa nossas decisões de compra e relações comerciais. Ao priorizar produtos de menor impacto ambiental e fornecedores locais, conseguimos reduzir a pegada de carbono associada ao transporte, com baixos índices de emissão de CO₂; fortalecer a economia regional ao apoiar pequenos produtores e negócios locais — como a parceria com o Instituto Imbassaí, que fornece frutas e verduras orgânicas de alta qualidade; garantir rastreabilidade e transparência na origem dos produtos; e estabelecer relações mais próximas e colaborativas, facilitando negociações, logística e controle de qualidade, o que contribui para a redução de estoques.

Além disso, essa prática nos permite adaptar nossos serviços às características culturais e ambientais da região, oferecendo uma experiência mais autêntica aos hóspedes. Essa diretriz nos desafia a buscar fornecedores alinhados com valores sustentáveis, promovendo uma cadeia ética e responsável.

HN: Em um cenário de custos voláteis, especialmente em alimentos, bebidas e amenities, quais estratégias você utiliza para negociar, planejar estoques e manter equilíbrio entre orçamento e qualidade de entrega ao hóspede?

HA: Adotamos uma negociação inteligente ao firmar contratos flexíveis com revisões periódicas, priorizando parceiros que oferecem previsibilidade e qualidade. A escolha por fornecedores locais reduz custos logísticos e fortalece vínculos comerciais. Na gestão de estoques, utilizamos sistemas que monitoram o consumo em tempo real, ajustando pedidos e evitando excessos, além de manter estoques mínimos estratégicos e garantir rotatividade eficiente, sobretudo em itens perecíveis.

Também reavaliamos continuamente o mix de produtos, priorizando itens com melhor custo-benefício e substituindo marcas por equivalentes sustentáveis ou regionais, sempre com a aprovação dos departamentos envolvidos. Nossa previsão de demanda considera sazonalidade, ocupação e perfil dos hóspedes, o que permite antecipar necessidades e negociar com antecedência. Para garantir eficiência no uso dos insumos, promovemos o treinamento da equipe, engajando os colaboradores na gestão consciente e no combate ao desperdício. Por fim, realizamos compras estratégicas ao identificar produtos de alto consumo e adquirir volumes maiores para uso prolongado, gerando economia sem sobrecarregar os estoques.

Essas ações garantem qualidade ao hóspede, controle de custos e uma cadeia de suprimentos eficiente e responsável.

HN: Contratos de longo prazo podem trazer previsibilidade, mas também reduzem a flexibilidade. Como você decide entre contratos fixos, compras spot e parcerias sazonais, considerando as particularidades do litoral baiano?

HA: A escolha entre contratos fixos, compras spot e parcerias sazonais depende de fatores como sazonalidade, volatilidade de preços e disponibilidade regional. Os contratos fixos são utilizados para itens de consumo contínuo e alta previsibilidade, como amenities e produtos de limpeza, garantindo estabilidade de preços e fornecimento durante períodos de alta demanda. As compras spot são estratégicas para aproveitar oportunidades pontuais, especialmente em produtos frescos e sazonais, como pescados e frutas, permitindo ajustar o cardápio conforme a oferta local e reduzir desperdícios. Já as parcerias sazonais são essenciais para lidar com a variação do turismo: na alta temporada, firmamos acordos com produtores locais para garantir volume e qualidade; na baixa, ajustamos volumes e renegociamos condições para manter a sustentabilidade financeira. Mantemos relações próximas com fornecedores regionais, o que nos dá agilidade para lidar com variações climáticas e logísticas, como chuvas ou dificuldades de transporte. Essa abordagem híbrida equilibra previsibilidade e flexibilidade, assegurando qualidade e fortalecendo a economia local.

(*) Crédito da foto: arquivo pessoal

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