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Três perguntas para: João Mello

Neto do fundador dos Hotéis Villarejo, João Mello atua à frente de dois empreendimentos do grupo: Fazenda Vilarejo, em Conservatória, no sul do estado do Rio de Janeiro, e Vilarejo Praia, em Rio das Ostras, no litoral fluminense.

Mello é graduado em administração pela UFF (Universidade Federal Fluminense), com MBA em Finanças e Controladoria pelo IBMEC, além de ser presidente da Associação das Pousadas e Hotéis de Rio das Ostras e membro do conselho ABIH-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro).

Além de atuar no segmento da hotelaria há 40 anos, o Grupo Vilarejo conta com uma rede de acabamentos do interior do estado, presente em nove cidades estratégicas, além de uma fábrica de laticínios e um alambique, em Conservatória, com foco na produção artesanal. O grupo emprega mais de 800 colaboradores diretos.

Três perguntas para: João Mello

Hotelier News: Especialmente depois do boom dos grandes eventos esportivos e modernização do parque hoteleiro fluminense, as grandes redes hoteleiras hoje dominam este mercado. Quais são os principais desafios de administrar hotéis independentes (sem grandes bandeiras hoteleiras) com 40 anos de história?

João Mello: Hotéis independentes têm um diferencial para sociedade atual. Percebo que a mecanização e robotização de pessoas e processos, deixou para nós, hoteleiros, uma grande oportunidade de destacar pela nossa pessoalidade na estrutura física e na equipe. E experiências únicas são as que marcam! Então, hoje não encaro como um desafio, mas sim como uma grande força para fidelização de hóspedes habituês.

HN: Além de não se render a uma grande bandeira, os hotéis Vilarejo têm administração familiar. Conte um pouco sobre este histórico, como se iniciou sua gestão e quais são seus planos para os empreendimentos?

JM: Empresas familiares são um desafio em suas transições de gerações. Dados nos mostram que mais de 90% das companhias falem da segunda para terceira geração e sabendo disso, nos planejamos. Em pleno voo dos sucedidos, iniciamos a estruturação do conselho familiar e conselho corporativo, sempre colocando o negócio no foco, independente dos desejos dos sucessores familiares.

Um facilitador para minha sucessão ser fluida foi a oportunidade de trabalhar em muitos setores de base antes da primeira função de liderança, me permitindo ter uma visão ampla do negócio. E para somar, esse sonho iniciado pelos meus avós continua vívido em mim, com o objetivo de construir nossa rede de resorts all inclusive com o DNA da nossa hospitalidade.

HN: A pandemia incentivou as viagens rodoviárias e isso trouxe um respiro positivo para o interior do estado. Os hotéis Vilarejo sentiram este impacto? Quais são os principais desafios de captação e fidelização de turistas para os hotéis fora da capital? E quais são as principais vantagens competitivas?

JM: A pandemia foi um momento de muita reflexão e incerteza e naquele momento tínhamos duas opções pós desespero, que esse foi unanime. Ou iriamos quebrar, pois as coisas nunca retornariam, ou poderíamos aproveitar para investir e voltarmos mais fortes. E assim fizemos, investimos para ter hotéis mais completos e pós pandemia foi excelente, surfamos as duas ondas, retomada do mercado e retrofit dos hotéis, juntas.

Estar no interior tem o desafio de fazer com que o empreendimento seja o próprio destino de desejo do viajante, mas traz consigo o grande privilégio de poder oferecer a quem nos visita a paz dos ares mais frescos.

(*) Crédito da foto: Diulgação/Hotéis Villarejo

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