Referência em sustentabilidade aplicada ao turismo no Brasil, Neide Tavares construiu uma trajetória marcada pela integração entre gestão ambiental, hospitalidade e impacto socioeconômico. A executiva atua há mais de 28 anos na Aviva, onde ocupa o cargo de gerente de Sustentabilidade. Responsável pela agenda ESG do grupo, a profissional impulsiona iniciativas estratégicas que conectam operação e geração de valor nos destinos da companhia.
Formada em Engenharia Ambiental pela Faculdade de Caldas Novas, com pós-graduação em Turismo e Hotelaria pela Fundac-USP e MBA em ESG e Impact pela Trevisan Escola de Negócios, Neide alia a atuação corporativa à acadêmica. Desde 2007 é também professora universitária, lecionando disciplinas ligadas à gestão e auditoria ambiental, contribuindo para a formação de novos profissionais na área.
À frente da estratégia de sustentabilidade de empreendimentos como Rio Quente Resorts e Costa do Sauípe, a executiva carrega uma trajetória marcada por propósito. Mãe, líder, profissional 50+ e PCD (pessoa com deficiência), mantém atuação próxima à comunidade e vê na liderança uma ferramenta para promover transformações positivas.
Neide detalha ao Três perguntas para como a sustentabilidade é aplicada de forma transversal na Aviva. Ela traz os avanços mais recentes e prioridades da companhia na agenda ESG para os próximos ciclos.
Três perguntas para: Neide Tavares
Hotelier News: As ações de sustentabilidade são colocadas em quais frentes nos produtos da Aviva? No último ano, o que mais se destacou neste sentido?
Neide Tavares: Na Aviva, a sustentabilidade não está concentrada em um produto específico, mas estruturada como diretriz transversal por meio da agenda ESG, permeando desde a concepção de novos projetos até a operação dos destinos e a experiência entregue ao cliente. Isso se reflete, por exemplo, na escolha e homologação de fornecedores com critérios ambientais, sociais e de governança; na gestão hídrica e energética dos complexos; na política de resíduos; e nas iniciativas de impacto socioeconômico nas comunidades do entorno.
Em alguns produtos, essa integração ganha escala ainda maior, como no futuro Hot Park Costa do Sauípe, que incorpora premissas ambientais desde a fase de projeto, incluindo gestão responsável de supressão vegetal e preservação do entorno até a narrativa do parque, que terá a educação ambiental como eixo estruturante da experiência.
Em outros casos, como no retrofit do Mar Premium, na Costa do Sauípe, a sustentabilidade também se manifesta em decisões técnicas relevantes, como o fato de ter sido revitalizado a partir de uma obra resíduo zero, que foi a primeira da companhia e expande o horizonte para outras.
Em 2025, avançamos na execução dos ciclos previstos, com foco em gestão de resíduos, educação socioambiental, cadeia de fornecedores e riscos socioambientais, além da manutenção da neutralização das emissões de carbono, que foi muito bem-sucedida e nos garantiu certificação de empresa carbono neutro pela O’green em 2024 e 2025, e do fortalecimento das metas alinhadas à Ambição 2030.
A agenda passou a orientar de forma ainda mais clara onde concentramos esforços, investimentos e indicadores, garantindo coerência entre expansão, operação e impacto positivo nos territórios onde atuamos.
HN: Como a companhia estrutura essas ações? O trabalho envolve quais processos e como isso impacta em indicadores e investimentos?
NT: A sustentabilidade na Aviva é estruturada de forma estratégica, por meio da nossa agenda ESG, que foi oficializada em 2022 e organiza 16 temas materiais distribuídos em ciclos até 2026. Ela não funciona como uma área isolada, mas como um direcionador do negócio.
Em 2025, aconteceu o Ciclo 4, com foco em gestão de resíduos, educação socioambiental, relacionamento com a comunidade do entorno, riscos socioambientais e gestão de fornecedores. Essa agenda está alinhada ao Pacto Global da ONU, ao qual aderimos em 2024, e à Ambição 2030, além de seguir referências como GRI e ISE B3. Isso nos permite transformar compromisso em método: políticas revisadas continuamente, comitês multidisciplinares, metas claras e monitoramento periódico de indicadores.
Na prática, isso impacta diretamente a forma como operamos e investimos. A gestão de emissões é um exemplo, já que somos carbono neutro desde 2023, combinando neutralização com ações efetivas de redução, como a usina fotovoltaica própria em Rio Quente, que já responde por 25% do consumo energético do complexo.
- Na frente hídrica: tratamos mais de 100 milhões de litros de água para potabilidade no Rio Quente Resorts, volume equivalente a mais de 40 piscinas olímpicas. Esse processo ocorre em uma ETA (Estação de Tratamento de Água), que possui capacidade de tratamento de 200 metros cúbicos (m³) por hora e conta com monitoramento automatizado de parâmetros como pH, turbidez e dosagem de cloro;
- Para a desinfecção: também é utilizado cloro produzido no próprio resort por meio de eletrólise da água com sal e energia, método considerado mais ecológico;
- Em resíduos: estruturamos metas de redução de plástico e orgânicos até 2030 e já avançamos na substituição de insumos e na eficiência da reciclagem.
Como operamos destinos integrados à natureza, essa responsabilidade sempre fez parte da nossa realidade. A agenda ESG trouxe governança, métricas e priorização de investimentos, garantindo que crescimento, eficiência operacional e impacto positivo caminhem juntos.
HN: Para 2026, quais ações a Aviva está preparando com relação à esfera da sustentabilidade?
NT: Em 2026, entra em vigor o Ciclo 5 da agenda ESG, com foco em biomas e habitats locais e mudanças climáticas no pilar ambiental; comunidade do entorno e saúde, satisfação e segurança do cliente no pilar social; e compliance e integridade no pilar de governança. A companhia já vem estruturando esse avanço com iniciativas como o fortalecimento de parcerias em biodiversidade, incluindo a Fundação Projeto Tamar na Costa do Sauípe e Ipevis em Rio Quente, e com a consolidação de práticas de gestão climática que combinam neutralização e redução de emissões.
No horizonte até 2030, já estabelecido, permanecem compromissos como a redução de 50% do consumo de plástico de uso único, 15% de redução no uso de água, 10% de redução no consumo de energia, diminuição das emissões de GEE dos escopos 1 e 2 e ampliação da participação feminina na liderança.
Até agora, o foco está em estruturar processos, tecnologias e cultura organizacional para assegurar que essas metas sejam alcançadas com consistência, mantendo a sustentabilidade como vantagem competitiva e como parte integrante do modelo de negócio da Aviva.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Aviva















