Em mais uma das minhas viagens, me peguei refletindo sobre a hotelaria. Talvez você também tenha esses momentos, quando finalmente consegue desacelerar, nem que seja por algumas horas. Para mim, essas pausas viram janelas de oportunidade para pensar no que estamos fazendo, onde queremos chegar e no que podemos fazer de diferente. E, dessa vez, me veio uma ideia curiosa: e se Sócrates, Elon Musk, Jeff Bezos, Bill Gates e Steve Jobs estivessem à frente de um hotel?
Parece uma ideia improvável, até engraçada, mas vou te contar: essa reflexão me prendeu e resolvi aprofundar e estudar sobre. Pensei no impacto que essas mentes extraordinárias tiveram em suas áreas e no quanto eles ousaram questionar o óbvio. E aí veio a pergunta: o que nós, na hotelaria, podemos aprender com eles?
Quantas vezes seguimos no “sempre foi assim”? Quantas vezes deixamos de ousar por medo ou acomodação? E, mais importante, quantas vezes questionamos, de verdade, o que fazemos? Porque, no fundo, não é sobre eles, é sobre nós. Sobre como podemos mudar, reescrever as regras e fazer algo que realmente tenha impacto.
Sócrates: a transformação começa com perguntas
Sócrates acreditava que o verdadeiro conhecimento vinha das perguntas certas. Ele não aceitava verdades prontas e desafiava o que parecia inquestionável. Acho que, se ele estivesse liderando um hotel, faria perguntas que nos fariam pensar de verdade.
Ele perguntaria:
“Por que nossos hóspedes escolhem o nosso hotel?”
“O que estamos realmente entregando de valor para eles?”
“Se pudéssemos recomeçar hoje, o que faríamos diferente?”
Essas perguntas podem parecer simples, mas são profundas. Elas nos tiram da zona de conforto e nos fazem olhar além do que estamos acostumados a ver. E aí, será que estamos nos fazendo as perguntas certas.
Elon Musk: ousadia para redefinir limites
Elon Musk é o tipo de pessoa que não aceita limites. Ele olha para o que parece impossível e pensa: “Por que não?” E, no final, transforma essas ideias em algo concreto.
Se Musk estivesse à frente de um hotel, tenho certeza de que ele nos obrigaria a sonhar maior.
Ele perguntaria:
“Por que estamos nos contentando com o básico?”
“Como podemos criar experiências tão únicas que ninguém mais consiga replicar?”
“E se o nosso hotel fosse conhecido por fazer o impossível?”
Essa mentalidade me faz pensar: estamos realmente sonhando grande o suficiente? Ou estamos tão focados no dia a dia que deixamos de lado o que poderia nos diferenciar de verdade?
Jeff Bezos: obsessão pelo hóspede
Jeff Bezos construiu a Amazon com uma filosofia simples: colocar o cliente no centro de tudo. Ele é o mestre em entender o que as pessoas querem, mesmo antes de elas perceberem. Na hotelaria, essa obsessão pelo hóspede faz toda a diferença.
Bezos perguntaria:
“Quais são os pequenos detalhes que transformam uma estadia comum em algo memorável?”
“Estamos realmente ouvindo nossos hóspedes ou só fingindo que ouvimos?”
“Como podemos surpreendê-los de maneira genuína?”
Na nossa indústria, falamos muito sobre experiência, mas será que estamos entregando algo que toque as pessoas de verdade? Bezos nos faria repensar cada detalhe.
Bill Gates: decisões inteligentes e baseadas em dados
Bill Gates sempre foi guiado pelos dados. Ele sabe que a informação é uma ferramenta poderosa quando usada da maneira certa. Se estivesse à frente de um hotel, ele nos desafiaria a liderar com inteligência, não com achismos.
Ele perguntaria:
“Quais dados estamos ignorando que poderiam nos ajudar a crescer?”
“O que os números dizem sobre nossos hóspedes e suas necessidades?”
“Como podemos prever tendências e agir antes que elas cheguem?”
Gates nos faria pensar com mais clareza e lógica, mostrando que cada decisão, mesmo as menores, precisa estar embasada em algo concreto.
Steve Jobs: encantar com simplicidade
Steve Jobs acreditava que a verdadeira mágica estava na simplicidade. Ele dizia que menos é mais, desde que esse “menos” fosse feito com excelência. Se Jobs liderasse um hotel, ele nos ensinaria a simplificar o complexo e a surpreender nos detalhes.
Ele perguntaria:
“O que podemos simplificar para que o hóspede perceba nosso diferencial?”
“Como criamos um momento de encantamento que fique marcado na memória?”
“Estamos realmente focados no que importa ou nos perdendo no desnecessário?”
Jobs nos lembraria que inovar nem sempre é sobre inventar algo novo, mas sobre fazer o simples de forma extraordinária.
O desafio: reescrever as regras
Enquanto refletia sobre tudo isso, percebi que o maior ensinamento desses grandes nomes é a coragem de fazer diferente. Não precisamos ser gênios como eles, mas precisamos da ousadia que eles tiveram para questionar, sonhar e transformar.
Quando penso na minha trajetória, vejo que os maiores avanços vieram quando desafiei o que parecia imutável. Quando decidi sair do confortável e tentar algo novo. E é por isso que quero te deixar um convite:
- Questione como Sócrates.
- Sonhe como Musk.
- Seja obcecado pelo cliente como Bezos.
- Decida com precisão como Gates.
- Encante como Jobs.
O futuro da hotelaria não pertence a quem segue o manual. Ele pertence a quem ousa escrevê-lo. Então, eu te pergunto: se tivesse que começar seu hotel do zero, o que faria diferente?
A verdadeira transformação não está no que já sabemos, mas na coragem de questionar e na ousadia de fazer diferente. A hotelaria do futuro começa com suas escolhas hoje.
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Vagner Sardinha é sócio e diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios, Vendas, Distribuição e Marketing da GoldMen Hotéis. Com mais de 23 anos de experiência na indústria hoteleira, possui pós-graduação em Real Estate Management pela Universidade de Paris e especializações em Marketing, Gestão de Pessoas e Revenue Management. Atuou em empresas de destaque como CVC Brasil, Hotelbeds, Best Day, Decolar.com, BHG Hotéis, Slaviero Hotéis e Samba Hotéis.
(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal














