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Valores, propósitos e senso de pertencimento

Por Vinicius Medeiros 7 de outubro de 2020

Uma organização é como uma canção; não é formada por sons individuais, mas pelas relações entre eles“. De autoria de Peter Druker, considerado o pai da administração moderna, a frase descreve com maestria o papel dos colaboradores nas empresas. Na hotelaria, um negócio feito por pessoas para pessoas, a analogia é ainda mais perfeita. Diante dos desafios atuais do setor, nunca a função da equipe foi tão estratégica. Na hora da verdade, é ela a responsável pela experiência dos clientes – e, claro, por fazê-los voltar. Para fazer essa entrega, contudo, o time precisa estar engajado e, segundo especialistas, pertencimento é uma palavra-chave neste momento.

Em linhas gerais, pertencimento é a conexão gerada entre pessoas que as levam a participar de um todo. A organização que consegue criar laços firmes entre as pessoas e suas potencialidades constrói um campo de influência superior. Com isso, conduz a todos com mais facilidade em direção a objetivos comuns. Fundamental para esse momento de crise, baixa demanda e clientes mais preocupados e exigentes, certo?

Pois bem, antes ir fundo no assunto ou de falar sobre como gerar pertencimento, é necessário dar uns passos atrás. Isso porque toda empresa precisa olhar para dentro de si e saber exatamente aonde quer chegar e, principalmente, como. “Só é possível criar conexões entre as pessoas se a organização tiver clareza de seus propósitos e valores”, diz Tricia Neves. “Assim será possível recrutar profissionais certos, alinhados com esses conceitos e gerar senso de pertencimento”, completa a sócia-fundadora da Mapie.

Pertencimento na prática

Segundo Tricia, a conexão entre o profissional e a organização começa no alinhamento de valores e no recrutamento. No entanto, neste ponto a relação está apenas começando e a organização não deve se acomodar. “O sentimento de pertencimento precisa ser alimentado regularmente. É como um casamento, uma família”, explica.

“Além disso, a conexão com as organizações mudam, até porque empresas e pessoas evoluem. Por isso, é fundamental ter clareza do que cada indivíduo faz e aspira. Colaboração também é vital, porque quando estou numa empresa assim, a relação não é top-down. Um time que constrói junto, fica mais tempo lado a lado e co-cria naturalmente. Quando as pessoas encontram mais significado naquilo que fazem, é porque participam e contribuem”, diz Tricia.

Pertencimento - gestão de pessoas_Climaco Nardi

Nardi: o líder antenado e empático consegue estabelecer um clima ideal para gerar pertencimento

Especialista em comportamento humano e coaching executivo, Climaco Nardi concorda com a visão de Tricia e vai além. “Para a organização, o caminho para gerar pertencimento está na análise dos processos internos e das relações interpessoais”, comenta. “Identificar onde está a harmonia criada pelas habilidades, competências e potencialidades de cada indivíduo eleva a capacidade de entrega do time”, completa.

Para Nardi, grandes empresas têm mais facilidade em fazer esses mapeamentos internos. “São organizações com programas parrudos de gestão de pessoas, fazem pesquisas periódicas de clima organizacional. E as pequenas e médias, como ficam?”, questiona. “É justamente aí que entra um personagem importantíssimo nessa história”, acrescenta.

O papel do líder

Neste sentido, os dois especialistas são unânimes em apontar o líder como agente de transformação. “Particularmente, sou cético em relação a ações de engajamento. A empresa contrata um palestrante motivacional, todo mundo ri e se emociona, mas no dia seguinte tudo volta ao normal. Presente no cotidiano, o líder antenado e empático vale muito mais do que um punhado de dicas de autoajuda”, acredita Nardi.

Já Tricia ressalta que papel líder está em franca transição. Se, no passado, o gestor carregava uma patente, dava ordens e soluções, hoje o momento é outro. “O achatamento das hierarquias estimula a construção conjunta. Com isso, o papel dele precisa ser mais inspirador. Não há mais necessidade de decidir sozinho. Ao contrário, deve-se atrair pessoas para discutir uma solução. Isso cria propósitos comuns a todos e senso de pertencimento”, explica.

Pertencimento - gestão de pessoas_Tricia Neves

Tricia: ter clareza de propósitos e valores dá sustentação às empresas para gerar pertencimento

A sócia da Mapie faz alertas aos gestores interessados, de fato, em se tornarem agentes de mudança. “Autoconhecimento é o maior desafio dos gestores. É necessário, por exemplo, parar de projetar suas próprias sombras no seu papel de líder”, recomenda. “Conheça a si mesmo, pois você será uma pessoa melhor e poderá inspirar quem está ao redor. Transmita conhecimento técnico, mas também ensine a pensar e decidir”, completa.

Outro aspecto fundamental é o ambiente, e novamente o líder tem participação central. “Aqui, há uma íntima relação com o pilar da segurança psicológica. O líder que só cobra e não se coloca no lugar do outro vai minando as forças do liderado. O ambiente ruim gera decepção e medo, reduz a produtividade e lá na frente redunda em demissão. É muito ruim para todos”, comenta Nardi.

E aí, vamos caminhar lado a lado?

(*) Crédito da capa: geralt/Pixabay

(**) Crédito da foto: Divulgação/Mapie

(***) Crédito da foto: Arquivo pessoal