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Viagens corporativas ganham novos contornos em 2025

Durante a GBTA (Global Business Travel Association) Convention 2025, realizada entre os dias 21 e 23 de julho nos EUA, foram divulgados os resultados da 7ª edição da pesquisa global sobre viagens corporativas, conduzida pela Wakefield Research em parceria com a SAP Concur. O estudo ouviu mais de 5 mil participantes em 29 países — entre viajantes de negócios, gestores de viagens e CFOs — e traçou um panorama atualizado sobre o comportamento dos profissionais, suas novas expectativas e os desafios enfrentados pelas empresas.

A apresentação foi conduzida por Misty Duran, diretora sênior de Estratégia de Marketing de Viagens, e contou com a participação de uma comitiva brasileira coordenada pela Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas). “Viajar a trabalho sempre foi mais do que deslocamento. É sobre conexões, pessoas e propósito”, afirmou Luana Nogueira, diretora executiva da entidade. Para ela, a presença da delegação brasileira no evento é uma oportunidade estratégica de aprendizado e alinhamento com as tendências globais do setor, principalmente pelo fato de o país estar entre os 10 principais mercados globais de viagens a negócios.

Um dos dados de destaque da pesquisa aponta que 89% dos entrevistados relataram aumento ou manutenção dos orçamentos de viagens corporativas em 2025. Apesar disso, as companhias vêm adotando medidas de contenção: estão mais seletivas com benefícios como voos diretos, passagens em classe executiva e viagens que não envolvem encontros com clientes. Também há maior cautela em relação ao modelo blended travel, que combina compromissos profissionais com lazer.

Cerca de 97% dos profissionais se mostram abertos a realizar viagens nos próximos 12 meses, sendo que 70% afirmam estar “muito dispostos” — o maior índice desde 2021. Além disso, o levantamento mostra que 55% dos viajantes consideram as viagens essenciais para a performance no trabalho, enquanto outros 39% veem valor nos deslocamentos mesmo não sendo indispensáveis. Em relação à frequência, a maioria (51%) avalia estar viajando na medida certa. Apenas 19% gostariam de viajar mais, número bem inferior aos 39% registrados em 2022.

Outro dado revelador: os profissionais demonstram esperar mais conforto em viagens a trabalho do que em viagens de lazer. Itens como hospedagem de alto padrão, transporte privativo e alimentação em restaurantes sofisticados estão entre as prioridades. Para garantir uma melhor experiência, 85% estariam dispostos a arcar com custos extras do próprio bolso — especialmente entre os mais jovens, com destaque para 93% da Geração Z e 88% dos Millennials.

IA ainda enfrenta resistência

A IA (Inteligência Artificial) também foi um dos temas centrais da apresentação. Misty destacou o papel do recurso na criação de experiências mais personalizadas e humanas. No entanto, a adesão ainda é tímida: apenas 17% dos viajantes afirmam estar empolgados com sugestões automatizadas baseadas em preferências pessoais. A maioria ainda prefere manter controle sobre suas escolhas.

Entre as aplicações com maior aceitação estão o uso da IA para remarcações de voos, seleção de hospedagens e transportes durante a reserva, além de apoio na elaboração de relatórios de despesas. Apesar disso, os profissionais exigem garantias claras quanto ao uso da tecnologia, como proteção de dados, liberdade para não seguir recomendações automatizadas e alternativas livres de IA.

O estudo também revelou receios em relação ao uso indevido da IA. Cerca de 41% dos gestores de viagens e 34% dos CFOs acreditam que as ferramentas de IA podem ser exploradas por colaboradores para fraudar despesas. A mesma preocupação é compartilhada por 22% dos próprios viajantes. Quando questionados sobre quem seria mais fácil de enganar — um robô ou um humano —, 56% apontaram os próprios colegas como os mais suscetíveis.

Por fim, 86% dos viajantes acreditam que seus gestores de viagem ainda têm espaço para melhorar. Entre as principais demandas estão mais conforto nas viagens, comunicação mais clara sobre mudanças nas políticas corporativas, acesso facilitado a opções sustentáveis e maior atenção à segurança em todos os momentos da jornada.

A pesquisa oferece um retrato de um setor em transformação, onde o bem-estar do viajante, a tecnologia e a responsabilidade financeira caminham lado a lado — e onde o papel do gestor de viagens se mostra cada vez mais estratégico.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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