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Viajantes continuam priorizando experiências, diz pesquisa

A indústria do turismo precisa se preparar para oferecer experiências mais alinhadas aos interesses dos viajantes. Essa é uma das principais conclusões do relatório U.S. Experiences Traveler Outlook 2025, elaborado pela Arival, empresa especializada em eventos e pesquisas voltadas para o segmento de passeios e atividades.

O estudo, publicado no Phocuswire, ouviu 800 adultos dos EUA que, no último ano, viajaram pelo menos 160 quilômetros (km), passaram ao menos uma noite fora e participaram de algum passeio, atração ou experiência.

De acordo com o levantamento, o chamado “frenesi pós-pandemia” está perdendo força. Em 2024, os viajantes frequentes fizeram menos viagens, por períodos mais curtos e com gastos menores em atividades e atrações. Questões econômicas e a inflação foram fatores determinantes nesse comportamento.

“O auge do gasto elevado e das viagens frequentes já passou. De modo geral, os viajantes estão planejando menos deslocamentos. As preocupações econômicas continuam a pesar sobre os turistas no início da alta temporada do verão de 2025”, aponta o relatório. Falando do recorte global, a expectativa é de que as viagens sigam crescendo ao longo deste ano, segundo dados do Skift Travel Index.

Apesar disso, quando decidem viajar, as experiências seguem como prioridade. Cerca de 65% dos entrevistados afirmaram que esse fator tem “papel significativo na escolha do destino”. As categorias que mais crescem envolvem gastronomia, vivências com moradores locais, festivais, eventos esportivos e tours temáticos.

Os brasileiros, por sua vez, estão priorizando as viagens, como aponta o MTur (Ministério do Turismo), fazendo ao menos uma viagem de lazer por ano. Os principais fatores que influenciam a escolha dos destinos incluem as belezas naturais, acessibilidade financeira e oportunidade de reencontrar familiares e amigos.

O estudo também mostra uma mudança relevante entre os viajantes da geração Z e dos millennials mais jovens, que têm reservado experiências com antecedência — algo que tradicionalmente era feito apenas depois da compra de passagens e hospedagem. O comportamento ainda é comum entre viajantes mais velhos, mas entre os mais jovens o padrão vem mudando.

Para a Arival, essa mudança é “significativa” e reforça a importância crescente das experiências no processo de planejamento da viagem.

Outros dados

O novo cenário traz implicações diretas para a indústria de turismo. A Arival destaca que as empresas precisam adaptar suas ofertas e dar mais atenção a atividades baseadas em interesses específicos dos clientes.

“Viajantes mais jovens estão mais focados em priorizar experiências, e as categorias de maior crescimento giram em torno de interesses como esportes, música e gastronomia”, diz o relatório. “Operadores que conseguirem criar ou adaptar suas experiências a esses interesses se destacarão em um mercado cada vez mais competitivo”.

A expectativa é que 2025 seja um ano de competição mais acirrada, sobretudo em preço e valor, diante de um viajante mais atento aos custos. O estudo também aponta desafios em relação ao crescimento orgânico da demanda. Essa tendência tem se refletido em todo o setor. O Airbnb, por exemplo, tem dado novos passos com sua plataforma de experiências. Apesar de ainda estar em fase inicial, a empresa já sinalizou o desejo de ampliar o uso da ferramenta.

O Tripadvisor, por sua vez, também vê crescimento expressivo no segmento. Em 2024, a categoria de experiências bateu recorde de receita, e a projeção é que, neste ano, ela seja a maior fonte de receita do grupo.

“Pela primeira vez, esse avanço está alinhado à nossa visão estratégica de que a categoria de experiências se tornou central no planejamento de viagens”, afirmou Matt Goldberg, CEO do Tripadvisor Group, durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2024.

(*) Crédito da foto: Freepik

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