Na programação da Adit Share 2026, aberta hoje (6), foi realizado o painel Alternativas de capital para desenvolvimento de resorts e hotéis de propriedade compartilhada: o apetite do mercado financeiro em um cenário de juros elevados para garantir retornos e viabilizar empreendimentos rentáveis.
O debate contou com a participação de Tiago Soeiro, sócio-diretor da Tera Hotéis; Alex Bahov, head de IB da BSide Investimentos; e Gabriel Parente, head de Originação Imobiliária da XP Asset.
Logo no início da conversa, Bahov abordou o cenário macroeconômico. Segundo ele, nos últimos 18 meses, havia a expectativa de que juros mais altos e uma política monetária mais restritiva reduziriam o apetite dos investidores e dificultariam a captação de recursos para projetos imobiliários.
“Por outro lado, o setor se manteve bastante firme. Os fundos de investimento passaram a considerar alternativas diferentes na viabilização de novos projetos. Hoje, há forte apetite na oferta de crédito em diversos setores, não apenas na multipropriedade. Temos novas fontes de capital disponíveis e produtos cada vez mais resilientes”, afirmou.
Parente destacou que a aprovação de crédito está diretamente ligada à qualidade e organização das informações apresentadas. “A dica é: sejam organizados ao compartilhar informações com o mercado financeiro e sejam objetivos. É fundamental acreditar nos próprios projetos”, pontuou.
Principais insights
Durante o painel, Bahov ressaltou que a apresentação de números auditados facilita o acesso ao crédito, já que as gestoras estão cada vez mais criteriosas. “É preciso saber vender a empresa, deixar claro em quais praças atua e quais são seus diferenciais”, reforçou.

Complementando, Parente destacou que empresas que entregam valor consistente em seus produtos tendem a registrar menores índices de distratos junto às gestoras de crédito. “Hoje, temos uma base de dados sólida sobre inadimplência na multipropriedade, o que permite estruturar ofertas mais adequadas ao setor”, explicou.
Ao tratar da demanda do mercado de capitais para o setor hoteleiro, Bahov observou que o interesse tem se concentrado em bandeiras específicas, com demanda consistente, o que atrai as gestoras de crédito — ainda que o apetite pelo segmento, de forma geral, não seja uniforme.
O debate evidenciou que, mesmo em um ambiente de juros elevados, o mercado segue aberto a financiar projetos de resorts e multipropriedade — desde que bem estruturados, com informações claras e propostas de valor consistentes. A combinação entre maior rigor das gestoras e a evolução dos produtos do setor indica um cenário mais seletivo, porém ainda fértil para captação de recursos e desenvolvimento de novos empreendimentos.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News












