O Airbnb confirmou que pretende ampliar sua presença no segmento hoteleiro ao longo de 2026, após registrar um desempenho inicial considerado positivo. A movimentação marca um novo avanço da plataforma em direção ao setor tradicional de hospedagem, em meio a um cenário de restrições regulatórias aos aluguéis de curta duração em grandes cidades.
Durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre e do ano fiscal, a diretora financeira do Airbnb, Ellie Mertz, afirmou que os hotéis ainda representam uma porcentagem de um dígito do total de diárias reservadas na plataforma. Apesar da participação reduzida, o ritmo de crescimento chama atenção: as reservas em hotéis avançam a quase o dobro da média geral do Airbnb.
“Levará algum tempo para que esse negócio reduza sua contribuição para o crescimento de forma significativa. Mas o momento atual é bastante forte”, disse a diretora. “[Nós] expandiremos a oferta de hotéis ao longo do ano e pretendemos encerrar [2026] com os hotéis representando uma porcentagem significativamente maior dos negócios em geral daqui para frente.”
No quarto trimestre, a empresa confirmou projetos-piloto com hotéis boutique e independentes em Nova York, Los Angeles, São Francisco e Madri — cidades que enfrentam restrições para locações de curta duração. Em carta aos acionistas, o Airbnb informou que os testes apresentaram resultados promissores.
“Estamos vendo resultados promissores e planejamos expandir para outros mercados-chave ainda este ano”, afirmou a companhia. “Acreditamos que trazer mais hotéis para a plataforma pode aumentar nosso mercado endereçável total, converter mais da demanda existente dos hóspedes e impulsionar reservas recorrentes tanto em hotéis quanto em residências.”
A estratégia havia sido antecipada em setembro, quando o cofundador e CEO Brian Chesky anunciou a inclusão de hotéis como um tipo de propriedade no aplicativo. “Acreditamos que, à medida que adicionamos mais produtos e mais categorias, isso fortalece todos os outros negócios”, disse Chesky.
IA no centro da estratégia
Paralelamente à expansão no setor hoteleiro, o Airbnb reforça investimentos em inteligência artificial. Segundo Chesky, a empresa trabalha na construção de uma experiência nativa de IA integrada ao aplicativo.
“Estamos criando uma experiência nativa de IA em que o aplicativo não apenas busca por você”, disse o CEO. “Ele te conhece. Isso ajudará os hóspedes a planejar toda a viagem, ajudará os anfitriões a administrar melhor seus negócios e ajudará a empresa a operar com mais eficiência em grande escala.”
Para Chesky, a combinação de base de usuários, avaliações e infraestrutura tecnológica cria uma vantagem competitiva. “Um chatbot pode te dar uma lista de casas, mas não pode te oferecer as opções exclusivas que você encontra no Airbnb. Um chatbot não tem 200 milhões de identidades verificadas ou nossas 500 milhões de avaliações próprias, e não pode enviar mensagens para o anfitrião, o que 90% dos nossos hóspedes fazem”, afirmou. “Ele não pode fornecer processamento de pagamentos global, suporte ao cliente ou seguro.”
A aposta em tecnologia motivou a contratação de Ahmad Al-Dahle como diretor de Tecnologia, destacando sua experiência em inteligência artificial na Apple e na Meta. “Ele é especialista em combinar grande habilidade técnica com design de classe mundial, que é exatamente como vamos transformar a experiência do Airbnb”, disse Chesky.
De acordo com a empresa, a implementação ocorrerá de forma gradual. Algumas funcionalidades já estão em testes, incluindo busca com inteligência artificial, permitindo que hóspedes utilizem linguagem natural e façam perguntas sobre anúncios e localização. A expectativa é evoluir para uma experiência “mais abrangente e intuitiva” ao longo da jornada do usuário.
Resultados financeiros
No quarto trimestre, o Airbnb registrou receita de US$ 2,8 bilhões, alta de 12% na comparação anual, impulsionada pelo aumento no número de diárias e por um crescimento moderado na diária média.
O lucro líquido foi de US$ 341 milhões, ante US$ 461 milhões no mesmo período de 2024. Segundo a empresa, a redução foi influenciada por investimentos planejados em iniciativas políticas e de crescimento, além de US$ 90 milhões em questões não relacionadas ao imposto de renda.
O EBITDA ajustado somou US$ 786 milhões, frente a US$ 765 milhões no quarto trimestre de 2024. As despesas com vendas e marketing alcançaram US$ 695 milhões, acima dos US$ 547 milhões registrados um ano antes. O número de diárias e assentos reservados totalizou 121,9 milhões, avanço de 10% na base anual.
No acumulado de 2025, a receita foi de US$ 12,2 bilhões, crescimento de 10% em relação ao ano anterior. O lucro líquido somou US$ 2,5 bilhões, contra US$ 2,6 bilhões em 2024. O EBITDA ajustado atingiu US$ 4,3 bilhões, ante US$ 4 bilhões no exercício anterior. Os gastos com vendas e marketing passaram de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,6 bilhões. Já o total de diárias e assentos reservados chegou a 533 milhões, alta de 8% na comparação anual.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Airbnb














