O Airbnb registrou receita de US$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, ou 15% desconsiderando os efeitos cambiais. O avanço foi impulsionado pelo aumento no volume de noites reservadas e pela alta da diária média, segundo o Phocuswire.
O valor bruto de reservas alcançou US$ 29,2 bilhões no período, alta de 19% na comparação anual, ou 13% sem o impacto do câmbio. O total de noites e assentos reservados cresceu 9%, chegando a 156,2 milhões, enquanto a diária média atingiu US$ 187, avanço de 9% sobre o primeiro trimestre de 2025.
O lucro líquido da companhia somou US$ 160 milhões, ante US$ 154 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Já o Ebitda ajustado atingiu US$ 519 milhões, frente aos US$ 417 milhões de um ano antes. Segundo a empresa, o resultado foi impulsionado pelo crescimento da receita e por ganhos de eficiência operacional, especialmente em suporte ao cliente, embora parcialmente compensado pelo aumento das despesas com vendas e marketing.
IA aposta em personalização da experiência
Segundo Brian Chesky, CEO do Airbnb, a empresa vem utilizando IA (Inteligência Artificial) para construir uma experiência cada vez mais individualizada para os usuários. “Acho que o paradigma pós-IA para o qual estamos caminhando é o da personalização profunda, entendendo cada usuário, cada membro”, afirma o executivo. “Na era da IA, sabemos quem você é, entendemos sua intenção e entregamos exatamente o que você está procurando.”
A estratégia deve influenciar diretamente a forma como a plataforma exibe casas, hotéis e outros tipos de hospedagem. Usuários em viagens rápidas de negócios, por exemplo, podem receber prioritariamente ofertas de hotéis, enquanto famílias planejando férias longas tendem a visualizar mais opções de casas.
“Há pessoas que só querem reservar hotéis. Elas deveriam ver apenas hotéis. Há pessoas que só querem reservar casas. Elas deveriam ver apenas casas”, diz Chesky.
Novos recursos
O Airbnb informou que está em fase de “exploração” no uso de buscas baseadas em IA, em um movimento para substituir o que Chesky definiu como um “paradigma pré-IA”, centrado em experiências estáticas de navegação e pesquisa.
Atualmente, a empresa já utiliza a tecnologia para melhorar o ranqueamento dos resultados de busca e resumir avaliações e informações dos anúncios, facilitando a descoberta de acomodações mais relevantes.
Segundo o executivo, enquanto muitas empresas iniciaram suas aplicações de IA no topo do funil de vendas, o Airbnb começou pela etapa final da jornada, com foco no atendimento ao cliente. A iniciativa já gerou uma taxa de resolução autônoma de 40% entre viajantes que utilizam a assistente de IA da plataforma.
A companhia também confirmou o lançamento de novos recursos de IA nos próximos meses. Em janeiro, o Airbnb anunciou Ahmad Al-Dahle como novo CTO para acelerar suas iniciativas tecnológicas.
Estratégia local inclui parcelamento no Brasil
A CFO Ellie Mertz afirma que a plataforma vem adaptando recursos e estratégias de marketing de acordo com as características de cada mercado, incluindo países como Brasil, Índia e Japão. Entre os exemplos citados estão o destaque para limpeza nas campanhas voltadas ao público alemão, uma apresentação diferenciada de pousadas na Itália e o suporte a pagamentos parcelados no Brasil.
“Estamos tentando fazer isso cada vez mais em nível nacional, para que, quando o usuário abra o Airbnb, a experiência pareça local e relevante”, afirma. A executiva também destaca a expansão do modelo “Reserve Agora, Pague Depois”, apontado como um dos principais vetores de crescimento de curto prazo da companhia. Segundo Chesky, aproximadamente 20% do GBV global do primeiro trimestre veio de reservas realizadas por meio desse formato.
Hotéis ganham espaço na plataforma
Hotéis, serviços e experiências passaram a integrar a estratégia de ecossistema da companhia, que busca ampliar a relação com os hóspedes para além das hospedagens tradicionais. “Atualmente as pessoas veem a casa como o sol do sistema solar do Airbnb”, afirma Chesky. “No futuro, acreditamos que o centro será o membro, o hóspede, cercado por uma constelação de serviços e ofertas complementares.”
A empresa informa que as reservas de hotéis seguem crescendo acima da média da plataforma, à medida que amplia projetos-piloto voltados a hotéis boutique e independentes em novos mercados. Segundo Ellie, embora os hotéis ainda representem uma parcela de um dígito do total de noites reservadas, os indicadores desse segmento crescem “mais do que o dobro” em relação ao restante do negócio.
A companhia também destaca que cerca de 55% dos usuários que reservam hotéis na plataforma posteriormente retornam para reservar casas. Já entre os clientes que contratam experiências, quase um quarto acaba adquirindo hospedagens ou serviços adicionais posteriormente.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Airbnb












