Com três empreendimentos em seu portfólio, a Awasi Lodges acaba de se tornar um pouco brasileira. O primeiro motivo é seu novo CEO, Nicolas Peluffo, que assumiu recentemente o posto da empresa focada em hotelaria de luxo e experiências. Em segundo lugar, porque a companhia adquiriu o Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina.
Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Peluffo explica que sua prioridade no comando da Awasi é tornar a empresa uma plataforma de contínua melhora do ponto de vista de qualidade e experiência do cliente.
Os três hotéis da companhia, localizados no Atacama (Chile), Patagônia (Chile) e Iguazú (Argentina), compõem uma narrativa de experiências outdoor nos três destinos sul-americanos. Para Peluffo, o momento é de incrementar o portfólio, adicionando mais um produto que faça sentido para a rede.
“As três propriedades foram construídas e desenhadas desde o início como uma continuidade da mesma experiência. Agora, temos o desafio de desenvolver uma estrutura corporativa que possa suportar o crescimento da Awasi, assim como as novas aquisições para um portfólio mais diverso”, conta o CEO.

Ponta dos Ganchos: uma relação de longa data
Com a entrada do Ponta dos Ganchos, a Awasi passa a ser detentora de 65 UHs. Mas para entender a relação de Peluffo com o empreendimento, precisamos voltar no tempo. A família do executivo era sócia da propriedade de luxo no passado — o que facilitou a aquisição.
“Fui responsável pela incorporação do hotel há mais de 20 anos e, nos 12 primeiros anos do Ponta dos Ganchos, liderei a operação. Foi um período de crescimento rápido, mas mudei o foco da minha carreira para as áreas de tecnologia e private equity”, revela Peluffo.
Sua experiência em finanças, adquirida nos últimos 13 anos, foi essencial para ocupar o novo cargo. Peluffo conheceu o Grupo Faro Verde, detentor da Awasi, onde estabeleceu um bom relacionamento. “Eles pediram que eu ficasse como consultor da transação do Ponta dos Ganchos. Em algumas semanas, faremos a transição a partir de um rebranding da propriedade”, adianta.
O resort de luxo ficará sob o guarda-chuva da Awasi, passando a fazer parte da narrativa de experiências da marca ao lado dos outros empreendimentos. Para o CEO, ter o Ponta dos Ganchos no portfólio atrairá mais brasileiros, uma vez que 70% dos hóspedes das unidades são norte-americanos e o restante europeus.
“O estrangeiro chega pelo Atacama, vai para a Patagônia e termina em Iguazú. Agora, vamos finalizar essa experiência na praia, para que o cliente passe por quatro biomas distintos”, explica Peluffo.
Segundo o CEO, os produtos são complementares, possuem o mesmo perfil de clientes e atuam com canais de distribuição semelhantes. “Outro componente atrativo do Ponta dos Ganchos é sua vocação para o wellness. O spa com tendas de frente para o mar deixam os hóspedes encantados. Estamos desenvolvendo um programa que engloba tratamentos, meditação e gastronomia”.
A Awasi, que tem como premissa experiências de soft adventure, agora vai explorar o potencial marítimo do Sul do país. Peluffo destaca que a marca está em fase de desenvolvimento de expedições nos mares de Santa Catarina para compor a oferta de vivências da rede.

Perspectivas de mercado
Sem revelar números, Peluffo afirma que a Awasi está trabalhando com um “pipeline saudável”, reforçando o desejo de expandir a atuação da marca. No Ponta dos Ganchos, os investimentos serão destinados ao rebranding e experiências, sem mudanças estruturais.
Sobre as perspectivas de mercado, o executivo salienta que sua experiência em tecnologia e private equity ajudarão nos planos da Awasi. “Vamos integrar os sistemas dos quatro empreendimentos, que hoje operam com ferramentas de CRM e PMS distintas, visando centralizar o banco de dados e relatórios”.
Após um hiato longe das operações, Peluffo avalia que pouca coisa mudou. De acordo com o CEO, a hotelaria é um setor conservador, que se move de forma lenta rumo à inovação. A forma de fazer hotelaria continua quase a mesma, mas os clientes e tendências mudam. Nosso plano é aproveitar a experiência em private equity para tentar um modelo focado em pessoas, infraestrutura e tecnologia para avançar e crescer”.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Awasi Lodges













