A Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) e a Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens) criticaram o novo alerta emitido pela Embaixada dos Estados Unidos, que recomenda cautela redobrada a turistas norte-americanos em viagem ao Brasil, citando riscos como sequestros, violência urbana e atuação de gangues, aponta O Globo.
Para Marcelo Freixo, presidente da Embratur, o comunicado reproduz uma “visão ultrapassada” do Brasil. “Causa estranheza e indignação”, afirma o gestor, em nota. A entidade destaca que o país vive o melhor momento do turismo internacional: entre janeiro e abril, o Brasil recebeu 4,4 milhões de visitantes estrangeiros, alta de 51% em relação ao mesmo período de 2024. Os Estados Unidos ocupam a segunda posição entre os maiores emissores, com 306 mil turistas, crescimento de 21,7%.
A Abav também se posicionou contra o comunicado. Em nota oficial, a associação afirma que “discorda veementemente da nota emitida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre os riscos de segurança enfrentados por cidadãos americanos em território brasileiro”.
A BLTA (Brazilian Luxury Travel Association) também se manifestou contra a declaração da Embaixada. Em nota, a entidade afirma que “tal comunicado, além de genérico e desproporcional, reforça estereótipos ultrapassados que não refletem a realidade dos destinos turísticos brasileiros — especialmente aqueles voltados ao turismo de experiência, natureza, cultura e bem-estar”.
No comunicado, a associação reforça que associar a imagem do país, de forma rasa e generalizada, não é apenas irresponsável, mas também desrespeitoso com os esforços do setor de turismo, que trabalha na promoção de uma hospitalidade de excelência.
“A BLTA reafirma seu compromisso com a promoção internacional do Brasil assegurando qualidade, diversidade, autenticidade e sustentabilidade, valores que norteiam seus associados e parceiros em todo o território nacional. Reforçamos, ainda, que de acordo com os números apontados pela Embratur, o Brasil jamais esteve tão atrativo para a chegada de turistas internacionais, batendo recordes e se consolidando cada vez mais como um destino altamente competitivo no cenário global”, diz o documento.
Por fim, a entidade endossa que espera que a Embaixada adote critérios mais construtivos e que não prejudique a imagem do país e as relações entre os povos. “Seguimos de portas abertas para acolher viajantes norte-americanos e de todo o mundo, certos de que encontrarão aqui um Brasil atraente, diverso e seguro pronto para proporcionar as melhores experiências”, finaliza.
Orientação aos turistas
Na nova orientação publicada no site da Embaixada Americana, o Departamento de Estado lista uma série de ameaças, como crimes violentos, sequestros com pedido de resgate, roubos armados e uso de drogas em bebidas, especialmente no Rio de Janeiro. O texto ainda aponta a atuação de gangues e tráfico de drogas como fatores que ampliam o risco aos viajantes.
O alerta inclui uma série de recomendações de segurança, como evitar qualquer área a até 160 quilômetros (km) das fronteiras com países vizinhos, não circular à noite por cidades-satélites de Brasília como Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, além de não visitar favelas e comunidades informais. Também orienta os viajantes a não resistirem a assaltos, não aceitarem alimentos ou bebidas de desconhecidos, e evitarem a exibição de joias, relógios caros e outros objetos de valor.
(*) Crédito da foto: Pixabay















