Na hotelaria, uma gestão eficiente de compras é essencial para garantir a rentabilidade dos empreendimentos. Negociar com fornecedores, gerenciar estoques de forma estratégica e reduzir custos são práticas fundamentais para otimizar a cadeia de suprimentos. Além disso, analisar dados e identificar quais insumos têm maior saída ou baixa rotatividade é crucial para aprimorar o processo.
O setor de Compras tem se beneficiado da tecnologia, que facilita o controle de estoques e oferece informações operacionais essenciais. Em entrevista ao Hotelier News, Aline Ferreira, gerente de Compras da Bourbon Hospitalidade, destaca que o desafio atual é romper com o antigo conceito de que o comprador apenas realiza pedidos. Para ela, o papel do profissional vai além de buscar o menor preço, envolvendo a geração de valor e a gestão estratégica da cadeia de suprimentos.

“É necessário estar alinhado às demais áreas, compreender suas particularidades e, juntos, estabelecer um escopo de aquisições. Compras é uma área estratégica que avalia cenários, busca as melhores práticas de negociação e desenvolve parcerias de longo prazo para impulsionar a lucratividade das empresas”, afirma Aline.
Ela ressalta que a Bourbon mantém um relacionamento respeitoso com os fornecedores e prioriza aqueles que compartilham os mesmos valores e padrões de qualidade. “Adotamos critérios rigorosos, como qualidade conforme normas técnicas, preços justos, pontualidade nas entregas e uma gestão de riscos eficiente”, complementa.
O gerenciamento de estoque na Bourbon começa antes mesmo da entrada dos produtos no almoxarifado, com um planejamento minucioso. “No recebimento, seguimos procedimentos rigorosos para garantir que as entregas estejam conforme os pedidos. As conferências são realizadas não apenas com base na nota fiscal, mas também por meio da ordem de compra, assegurando a entrega correta dos itens solicitados”, diz a gerente.
A integração de soluções tecnológicas é outro diferencial. “Utilizamos ferramentas que padronizam e consolidam as informações, proporcionando maior controle e agilidade na tomada de decisões”, finaliza Aline.
Estruturando a cadeia de suprimentos
Pedro Cardoso, vice-presidente da Astore, plataforma de compras da Accor, enfatiza que uma cadeia de suprimentos eficiente deve garantir qualidade, disponibilidade e controle de custos, preservando a experiência do hóspede. “Isso exige uma gestão estruturada com fornecedores homologados, controle de riscos, logística eficaz, conformidade regulatória e compromisso com ESG”, afirma.

Para ele, os pilares essenciais são compliance, relação custo-benefício, disponibilidade e sustentabilidade. “Esses fatores garantem eficiência operacional e alinhamento às melhores práticas do mercado. Tanto a hotelaria, quanto outros segmentos da hospitalidade precisam de fornecedores que atendam aos padrões globais e exigências locais, oferecendo qualidade e preços competitivos. O desafio é equilibrar padronização e personalização sem comprometer a flexibilidade”, explica Cardoso.
O executivo destaca que a Astore oferece um modelo de compras que inclui curadoria de fornecedores, soluções digitais para a gestão da cadeia de suprimentos e suporte estratégico em todas as etapas do processo. “Essa abordagem garante um abastecimento confiável e otimizado para a Accor e, para quem não é cliente, representa uma oportunidade de reduzir custos e aprimorar a gestão de compras, sem a necessidade de negociações individuais com diversos fornecedores. O impacto no resultado final é direto, pois uma gestão assertiva contribui para melhorias significativas no GOP (Lucro Operacional Bruto)”, analisa.
Entre os principais fatores para estruturar uma cadeia de suprimentos eficiente, Cardoso cita foco, expertise, diversificação de fornecedores, digitalização, gestão de riscos e alinhamento às necessidades operacionais. “Essa combinação garante maior eficiência na operação dos hotéis”, conclui.
Otimizando a estratégia de compras
Cristiano Pereira, gerente Nacional de Suprimentos da Rede Deville, reforça que uma boa gestão de compras impacta diretamente os custos e a qualidade dos serviços. “Negociar é essencial para garantir preços competitivos, enquanto o controle de estoque evita desperdícios e a falta de produtos. Monitoramos o consumo em tempo real com o apoio de sistemas integrados”, destaca.

A chave para o sucesso, segundo ele, é manter um rigoroso controle de estoque para adquirir as quantidades corretas. “Buscamos reduzir custos sem comprometer a qualidade, trabalhando em conjunto com fornecedores locais”, acrescenta.
Para Pereira, o papel do comprador vai além das negociações. É preciso desenvolver fornecedores para estabelecer parcerias de longo prazo e promover o crescimento mútuo. “A tecnologia é uma grande aliada nesse processo, proporcionando maior controle e agilidade na gestão de compras”, reforça.
Uso estratégico de dados
Regina Segui, responsável pelo supply chain do Grupo Wish, destaca a importância da área de Compras para o sucesso do negócio. “Utilizamos dados para analisar todas as variáveis que influenciam as negociações, garantindo acordos vantajosos para nossas unidades em diferentes regiões do Brasil”, explica.

O objetivo do grupo é implementar uma plataforma de compras que facilite a interação entre as unidades, funcionando como um e-commerce. Entre as principais práticas adotadas estão o uso de informações precisas para obter boas negociações e a previsão de preços para um planejamento mais assertivo.
“Um bom relatório começa desde o momento da compra, e o resultado final depende do trabalho conjunto de toda a equipe”, finaliza Regina.
(*) Crédito da capa: Hotelier News
(**) Crédito das fotos: Divulgação













