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CNC projeta queda de 6,1% no PIB em 2020

Por Redação 1 de junho de 2020

cnc- coronavírus1º trimestre encerrou com pior recuo em cinco anos

O que ficou conhecido em 2019 como “Pibinho” sofrerá ainda mais retração para este ano. A CNC ( Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) prevê para 2020 uma retração de 6,1% no PIB 2020, com queda de 7,2% nas despesas de consumo das famílias.

Logo no início do ano, o primeiro trimestre apresentou retração de 1,5%, maior recuo em cinco anos. Com a crise do coronavírus, a instituição estima que para o segundo trimestre deve ocorrer ainda encolhimento de 3,3% no PIB.

Segundo, José Roberto Tadros, presidente da Confederação, o desempenho do PIB no primeiro trimestre refletiu apenas os danos iniciais provocados à economia brasileira pelo surto de Covid-19: “Os efeitos se tornaram mais significativos a partir da segunda quinzena de março, quando uma série de decretos estaduais e municipais impôs restrições ao nível de atividade econômica, especialmente nos setores do comércio, nos transportes e nos serviços em geral”. 

“A gradual recuperação da economia observada antes da eclosão da pandemia deverá se reverter em um quadro recessivo a partir do segundo trimestre”, finaliza. 

Já segundo Fabio Bentes,  economista da CNC, os indicadores referentes ao segundo trimestre apontam uma deterioração ainda mais significativa do nível de atividade econômica a partir de abril: “Somente no último mês, de acordo com o Ministério da Economia, o mercado formal de trabalho registrou o pior saldo da história, com menos 860,5 mil postos, entre admissões e demissões. Em todo o ano passado, foram geradas 642,9 mil vagas formais de emprego”.

“De acordo com dados do Banco Central, na passagem de março para abril a concessão de crédito totalizou R$ 310 bilhões (-16,5% em relação a março), voltando, assim, ao nível registrado exatamente há um ano (R$ 309 bilhões)”, conclui.

CNC: análise em números

A instituição ainda analisa os número do ponto de vista de serviços e consumo. O setor de serviços (-1,6%) aparece com as maiores quedas. Dentre os motivos, as quedas nas atividades de transportes e correios (-2,4%) e de informação e comunicação (-1,9%) aparecem como justificativa.

Já do outro lado, as intenções de consumo atingem queda histórica. Naa prática, as despesas de consumo das famílias (-2%) acusaram a maior contração desde a crise do apagão no terceiro trimestre de 2001 (-3,1%), sendo o principal responsável pela retração da economia.

No quesito investimentos, há um lado otimista. Representados nas Contas Nacionais pela Formação Bruta de Capital Fixo (+3%), o desempenho é resultado de importações de máquinas e equipamentos no setor de óleo e gás.

Segundo Bentes, os números apresentaram quedas. “Ainda assim, a relação FBCF/ PIB segue em nível historicamente baixo (15,8%), se comparado ao período anterior à recessão de 2015-2016, e tende a apresentar queda diante do aumento das incertezas que cercam a economia no segundo trimestre”.

(*) Crédito da capa: Zanone Fraissat/Folha de São Paulo