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Como a alta das passagens está fortalecendo o turismo regional

Em qualquer guerra, há sempre vitoriosos e derrotados. E, numa analogia com a hotelaria brasileira, pode-se falar desses dois lados também quando conflitos de grande proporção – como o que ocorre agora no Oriente Médio – começam a gerar efeitos negativos na economia. Como publicado na segunda-feira (11), o segmento corporativo ligou o sinal de alerta. Já na “ponta ganhadora”, o mercado de lazer vem se beneficiando do estímulo que o turismo regional rodoviário recebe quando as passagens aéreas sobem.

Em conversa com a reportagem do Hotelier News, grandes players do mercado de lazer nacional confirmam a tese. Sim, a demanda do individual está aquecida, com um last minute efetivamente acontecendo. “Dá para cravar que tem relação com o aumento das passagens aéreas, pois o cliente quer seguir viajando e opta pelo que está mais próximo da sua residência”, disse uma das fontes.

Até em função do impulso que os anos de feriados prolongados proporcionam, as fontes relatam que a receita está crescendo na comparação anual, na maior parte dos casos em linha com o orçado. “O primeiro quadrimestre foi muito bom, com destaque para abril. É bem verdade que já estávamos bem vendidos desde a Black Friday, mas conseguimos comercializar o pouco do inventário que restou em um last minute com uma diária média alta. Para julho, estamos com uma pré-venda interessante”, comentou outro executivo.

Ainda assim, o alerta está ligado para os empreendimentos localizados em destinos de lazer mais dependentes do modal aéreo. “Seguimos crescendo e, com um trabalho muito bom da nossa área Comercial, estamos em linha com o orçado. Agora, até por conta dos feriados prolongados, esperava um pouco mais de folga em 2026. A alta nas passagens está cobrando um preço”, disse um dos executivos ouvidos pela reportagem.

“Para nós, que temos empreendimentos em destinos com uma demanda mais nacional, o last minute ocorre em uma janela de 30 a 45 dias, e percebemos essa fatia crescer. Nossa impressão é que aquele consumidor que planejava viajar para Cancún, por exemplo, está abandonando essa ideia para gastar no turismo nacional. O bom é que ele não está deixando de viajar”, acrescentou.

Embora o cenário favoreça o turismo regional neste momento, o mercado também monitora com cautela os possíveis impactos de uma eventual escalada do conflito sobre a inflação e o consumo. Afinal, uma pressão prolongada sobre combustíveis pode afetar não apenas o transporte aéreo, mas também o custo das viagens rodoviárias.

Mice

Só que nem tudo são flores. O conflito no Oriente Médio também trouxe consequências para a área de eventos, com a demanda enfraquecendo entre os players ouvidos pela reportagem. “Está difícil e bem abaixo do orçado. Clientes do agronegócio, por exemplo, estão cancelando ou postergando os eventos contratados”, comenta uma das fontes.

Como os eventos geram um impacto muito positivo na margem de GOP, os resorts ouvidos estão tentando encontrar maneiras para compensar a queda na demanda do segmento Mice. Uma das alternativas tem sido apostar nas experiências, fazendo com que os hóspedes individuais que estão enchendo os hotéis gastem mais dentro dos empreendimentos.

“Também estamos ativando bastante nossa base de usuários do clube de férias para captar mais lazer por meio de um canal mais barato. Em paralelo, colocamos em prática uma estratégia mais agressiva no tarifário dos eventos, flexibilizando o A&B (Alimentos e Bebidas) para tentar captar a demanda existente de eventos de médios e pequenos portes”, conta uma das fontes ouvidas.

(*) Crédito da foto: imagem gerada pelo ChatGPT

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