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Três perguntas para: Jordi Bagó

Jordi Bagó, convidado de hoje (17) do Três perguntas para, está à frente do Grupo SERHS, companhia fundada em 1975, na Espanha, por seu pai, Ramon Bagó. Depois de cerca de um ano conduzindo as operações do grupo, assumiu oficialmente a liderança da empresa e hoje ocupa a presidência da companhia.

Graduado em Administração de Empresas e bacharel em Turismo, o executivo também possui MBA em Administração e Negócios. Sua trajetória à frente do grupo acompanha a expansão do Grupo SERHS em diferentes mercados, incluindo o Brasil.

Por aqui, a companhia acaba de ampliar sua presença em Natal com a abertura do SERHS Beach Hotel, em Ponta Negra. O novo empreendimento reforça a atuação da marca no destino e amplia o portfólio da empresa no país.

No Três perguntas para de hoje, Bagó conversa com o Hotelier News sobre o comportamento do mercado brasileiro, os movimentos da companhia e os desafios para a hotelaria. Confira!

Três perguntas para: Jordi Bagó

Hotelier News: O Grupo SERHS acaba de ampliar sua operação em Natal. O que esse novo empreendimento representa dentro da estratégia de crescimento do grupo no Brasil: uma oportunidade pontual ou o início de um novo ciclo de expansão?

Jordi Bagó: O nosso compromisso com o Brasil é total e reflete uma visão de longo prazo. Após 20 anos de experiência no país, atingimos um dos marcos mais complexos para qualquer grupo internacional: consolidar uma equipe de gestão local de altíssimo nível, que conhece perfeitamente o mercado, a cultura empresarial e a gestão operacional no terreno.

Com uma base tão sólida e consolidada, o Grup SERHS está no momento certo para dar um salto. O nosso desejo é crescer no Brasil, e faremos isso explorando novas oportunidades tanto através da aquisição, quanto do arrendamento de novos estabelecimentos hoteleiros.

Já não falamos apenas de ter presença, mas de um plano de expansão ativo para capitalizar todo o conhecimento acumulado ao longo destas duas décadas e nos posicionarmos como um dos principais players do setor hoteleiro no país.

HN: A hotelaria brasileira viveu um período de crescimento de diária média, mas esse movimento também elevou custos e expectativas dos investidores. Onde o Grupo SERHS enxerga hoje o maior espaço para melhorar rentabilidade: preço, ocupação, distribuição, custos ou receita de serviços complementares?

JB: Mais do que falar se as tarifas continuarão subindo de forma ilimitada, precisamos falar sobre a sustentabilidade do preço, e aqui o grande desafio é a “Qualidade”. Nos últimos anos, vimos um crescimento notável das tarifas no setor, mas não podemos pretender continuar aumentando os preços se não houver um equilíbrio absolutamente alinhado entre o preço que cobramos e a qualidade real que oferecemos aos nossos clientes.

O cliente está cada vez mais exigente e disposto a pagar, mas apenas se perceber que a sua experiência nos nossos hoteis realmente vale a pena. Por isso, este é provavelmente o desafio mais importante que temos pela frente. Para podermos defender e continuar melhorando nossas tarifas, a necessidade de investimento constante, a transformação dos nossos estabelecimentos e a formação da nossa equipe são estruturas de custo que simplesmente não podem ser discutidas ou sacrificadas.

No SERHS, não apenas dizemos isso, mas aplicamos na prática: nos últimos três anos, investimos mais de R$ 40 milhões para elevar a qualidade das nossas instalações, capacitar nossa equipe e transformar diretamente a experiência do cliente. Entender a melhoria das tarifas não como uma decisão de uma ferramenta de Revenue Management, mas sim como o resultado direto de nos reinventarmos e investimos continuamente no produto e nas pessoas, é a única maneira de garantir um modelo de sucesso e liderança a longo prazo.

HN: Olhando para os próximos cinco anos, qual deve ser a principal transformação no portfólio do Grupo SERHS no Brasil: mais hotéis, empreendimentos maiores, diversificação geográfica ou maior concentração em determinados mercados?

JB: Nossa visão para os próximos anos no Brasil é de crescimento e de uma preparação profunda para um novo cenário global. Por um lado, continuaremos focados na expansão e no crescimento do nosso portfólio hoteleiro no país. Por outro, estamos realizando um trabalho muito intenso e estratégico focado na captação de mercados internacionais.

O Brasil tem um potencial turístico enorme que ainda está, em grande parte, por ser desenvolvido em mercados-chave como o europeu, o americano e o asiático. Estamos convencidos de que a constante liberalização e expansão da rede aérea tornará o país muito mais competitivo e acessível, facilitando a chegada de viajantes de todo o mundo.

Esse cliente internacional é, por natureza, muito mais exigente, e o setor hoteleiro brasileiro precisa estar plenamente preparado para atender a essas expectativas. Por isso, nossa estratégia não é apenas crescer em número de quartos, mas garantir que nossa oferta, nosso serviço e nossos padrões de qualidade estejam perfeitamente alinhados com o que esse turista global demanda.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Grupo SERHS

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