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Interior e canais próprios redefinem crescimento dos resorts

O crescimento dos resorts brasileiros começa a mudar de endereço e também de caminho até o hóspede. No primeiro semestre de 2026, enquanto o segmento avançou 9,9% em room nights, foram os empreendimentos do interior que deram velocidade ao mercado, com alta de 19,1%, ante apenas 2% no litoral. A transformação também chegou à distribuição, pois mesmo com as operadoras ainda concentrando a maior fatia das vendas, a Central de Reservas cresceu 28,1%, o melhor desempenho entre os canais analisados.

Os números revelam um mercado em expansão, mas, sobretudo, uma mudança na origem desse crescimento, cada vez mais associada aos destinos fora da costa e ao fortalecimento da relação direta entre resorts e hóspedes.

Os dados fazem parte do Panorama dos Resorts Brasileiros, estudo (completo no link) desenvolvido pela Omnibees e pelo Hotelier News. O levantamento considera 221 resorts ativos no Brasil e integra o projeto criado pelas duas empresas para transformar dados transacionais em inteligência sobre o comportamento do mercado hoteleiro. A base da Omnibees reúne mais de 20 milhões de reservas por ano no país.

A fotografia geral do primeiro semestre é positiva. Na comparação com igual período de 2025, o número de reservas dos resorts aumentou 14,3%, e a receita (GMV) avançou 13,2%. A diária média chegou a R$ 1.383, alta de 3%.

Por trás desses indicadores, porém, há uma expansão em velocidades diferentes. O mercado de lazer ativo utilizado como referência pelo estudo — formado por hotéis de perfil lazer e excluindo propriedades corporativas — avançou 12% em room nights e 3,6% em tarifa média. A diária média desse mercado ficou em R$ 745.

Interior assume protagonismo

É na análise geográfica que uma das mudanças mais expressivas aparece. Os resorts classificados pelo levantamento como de interior — incluindo serra, destinos termais e parques — cresceram 19,1% em room nights, quase 10 vezes os 2% registrados pelo litoral.

A diferença também aparece na diária média, ainda que de forma menos acentuada. O interior apresentou alta de 4,3%, enquanto os resorts de litoral avançaram 3%.

Mais do que indicar simplesmente um bom desempenho dos destinos fora da costa, os números mostram que o interior teve participação decisiva na velocidade de expansão observada no semestre. Em um mercado que cresceu 9,9% em volume, um grupo de empreendimentos avança praticamente o dobro da média, enquanto outro permanece próximo da estabilidade.

A leitura por estados reforça que o crescimento não acontece de maneira homogênea. No Paraná, os resorts registraram avanço de 37,2% nos room nights, acima dos 25,4% observados no mercado de lazer estadual. Em Minas Gerais, a diferença também foi significativa: 17,6% para os resorts, contra 7,8% do mercado. No Ceará, as altas foram de 7,4% e 1,5%, respectivamente.

Em outros mercados, a relação se inverte. Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia tiveram crescimento maior no mercado de lazer do que entre os resorts. Em São Paulo, os desempenhos ficaram próximos, enquanto Pernambuco apresentou retração.

O resultado evidencia a necessidade de olhar para além da média nacional. O desempenho dos resorts em 2026 está cada vez mais condicionado à localização e às características do produto, tornando a leitura por destino relevante para decisões de preço, investimentos e posicionamento.

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Distribuição muda de velocidade

Se o interior altera a geografia do crescimento, os canais mostram que também está mudando a forma como a demanda chega aos resorts.

As operadoras permanecem como principal canal, concentrando 33,4% das reservas, seguidas pelas OTAs (25,3%), venda direta (22,7%) e Central de Reservas (18,3%). Quando a análise passa da participação para o ritmo de crescimento, entretanto, a hierarquia muda.

A Central de Reservas avançou 28,1%, praticamente o dobro do crescimento de 14,3% das reservas do segmento. As OTAs cresceram 17,1%, enquanto a venda direta subiu 13,2%. Já as operadoras, apesar de continuarem liderando em participação, tiveram aumento de 7,2%.

O contraste entre tamanho e velocidade é um dos pontos mais estratégicos do levantamento. As operadoras continuam relevantes para a geração de volume, mas a Central de Reservas cresce quatro vezes mais rapidamente. Ao mesmo tempo, as OTAs avançam acima da média do segmento, indicando que o fortalecimento dos canais próprios acontece em um ambiente no qual os intermediários digitais também ganham espaço.

A distribuição deixa de ser apenas uma discussão sobre participação de cada canal. O avanço da Central de Reservas coloca em evidência a capacidade dos resorts de converter demanda diretamente, trabalhar relacionamento e aproveitar melhor os contatos gerados ao longo da jornada de compra.

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Segundo semestre traz sinais distintos

A carteira futura analisada pelo Panorama também mostra diferenças relevantes entre os feriados do segundo semestre.

Considerando as emissões realizadas até 15 de julho em cada ano, o feriado da Independência apresentava crescimento de 71% nas reservas e 51% nos room nights, com diária média 11% superior à registrada no mesmo estágio de 2025.

Para Nossa Senhora Aparecida, as altas eram de 50% nas reservas, 33% nos room nights e 10% na tarifa. Finados apresentava o maior avanço em reservas, de 87%, acompanhado por crescimento de 58% em room nights e 1% na diária.

O Natal, entretanto, aparecia na direção contrária. As reservas estavam 27% abaixo do ano anterior e os room nights recuavam 28%, apesar da tarifa média 2% superior.

Por se tratar de dados on the books, o levantamento representa o estágio das vendas no momento da coleta, e não o resultado definitivo dos períodos. Ainda assim, as diferenças ajudam a identificar onde a demanda já estava mais aquecida e onde havia maior espaço para estímulo comercial.

Para acessar ao estudo na íntegra, acesse o link.

(*) Crédito das imagens: Divulgação

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