Os resultados da hotelaria paulista em 2025 refletem um ano marcado por mudanças no perfil da demanda, ajustes operacionais e evolução das estratégias tarifárias. De acordo com dados da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo), o desempenho do setor foi influenciado tanto pela sazonalidade característica do mercado quanto pelo avanço do turismo de lazer no estado.
No acumulado do ano, a diária média foi de R$ 496,96, enquanto o RevPar atingiu R$ 289,27 e a taxa média de ocupação ficou em 58,20%. O resultado anual foi sustentado principalmente pela valorização gradual das tarifas ao longo de 2025, em um contexto de oscilações na demanda entre os segmentos corporativo e de lazer.
A performance do RevPar no acumulado do ano indica uma recomposição da receita da hotelaria paulista, impulsionada sobretudo pelo comportamento das tarifas, mesmo diante de variações mensais na taxa de ocupação. Segundo a entidade, o desempenho esteve associado, entre outros fatores, ao maior peso dos hotéis das categorias midscale e upscale e à ampliação da participação do turismo de lazer na demanda total. A diária média, por sua vez, cresceu 14,46% na mesma base comparativa.

Em dezembro, mês tradicionalmente marcado pela redução das viagens corporativas e pela transição para a demanda de lazer, os hotéis do estado registraram diária média de R$ 539,25, RevPar de R$ 280,90 e taxa de ocupação de 52,09%. As tarifas tiveram alta de 2,11% em relação a novembro, mantendo a trajetória de valorização observada ao longo do ano, mesmo com a retração sazonal da ocupação.
O RevPar recuou 17,11% na comparação com novembro, movimento diretamente relacionado à queda de 18,82% na taxa de ocupação frente ao mês anterior, que concentrou o pico de eventos, feiras e viagens corporativas. A redução mensal segue um comportamento sazonal recorrente no setor, associado ao encerramento do calendário corporativo.
A queda da ocupação em dezembro reflete o deslocamento gradual da demanda dos grandes centros empresariais para destinos turísticos, padrão que tende a se intensificar nos meses seguintes. Enquanto hotéis urbanos sentem mais fortemente o impacto da retração corporativa, empreendimentos voltados ao lazer, estâncias e destinos de experiência passam a concentrar maior fluxo de hóspedes.
Desempenho varia por categoria e perfil de hotel
Entre as categorias analisadas, os hotéis econômicos, que representam 48,42% da amostra, registraram taxa de ocupação de 52,17%, diária média de R$ 389,67 e RevPar de R$ 203,29. Os empreendimentos midscale, responsáveis por 44,21% da amostra, tiveram 51,58%, R$ 577,75 e R$ 298,00, respectivamente.

Os hotéis upscale, com 7,37% da amostra, registraram os indicadores mais elevados do levantamento, com diária média de R$ 1,1 mil, RevPar de R$ 636,29 e taxa de ocupação de 53,64%, mantendo desempenho superior mesmo em um período de menor intensidade da demanda.
Na segmentação por perfil de atuação, os hotéis voltados ao lazer apresentaram taxa de ocupação de 60,80%, diária média de R$ 754,23 e RevPar de R$ 458,57. Já os empreendimentos corporativos registraram ocupação de 50,25%, diária média de R$ 459,56 e RevPar de R$ 230,93, enquanto os hotéis de perfil misto apresentaram resultados intermediários.
O estudo também aponta uma leve melhora no índice de empregabilidade, que encerrou dezembro em 0,57 funcionário por unidade habitacional, alta de 1,79% em relação a novembro. Apesar da variação positiva, o indicador segue abaixo dos níveis observados no início da série histórica, indicando desafios contínuos na recomposição das equipes.
Para os próximos meses, a ABIH-SP projeta a manutenção da retração da demanda corporativa em janeiro, movimento que tradicionalmente se estende até o fim do Carnaval. Em 2026, fatores como o calendário eleitoral e a realização da Copa do Mundo podem influenciar o comportamento da demanda turística, com potencial para gerar oscilações fora do padrão ao longo do ano.
O conjunto de dados de 2025 aponta para um mercado em processo de ajuste, no qual a evolução das tarifas tem exercido papel central na sustentação da receita, mesmo em um cenário de variações na ocupação. A maior participação do turismo de lazer e o desempenho diferenciado entre categorias e perfis de hotéis indicam uma dinâmica mais segmentada da hotelaria paulista, que tende a exigir estratégias cada vez mais específicas para mitigar os efeitos da sazonalidade e das mudanças no comportamento da demanda.
(*) Crédito da foto: Divulgação
(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/ABIH-SP















