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Diário de Berlin, parte 1

Após uma viagem exaustiva ao longo de praticamente todo domingo, cheguei ontem (1º) à noite a Berlin para acompanhar a missão Hoteleiros do Futuro, promovida por Pedro Cypriano, da Noctua Advisory, e Gabriel Fumagalli, da Xtay. Ao meu lado estão mais de 20 participantes, entre hoteleiros, desenvolvedores imobiliários e investidores, para uma jornada de conhecimento, inovação e tecnologia e, neste roteiro, uma das principais paradas é ITB Berlin, maior feira de turismo do mundo, que começa amanhã (3).

Então, até o final da semana, farei relatos diários dessa viagem, mostrando o que de mais interessante conheci para levar aos leitores do Hotelier News insights relevantes e aplicáveis para os seus hotéis. Hoje (2), por exemplo, o dia foi marcado por visitas técnicas a hotéis de diferentes perfis.

  • Waldorf Astoria Berlin
  • 25Hours Hotel Bikini Berlin
  • MM:NT Berlin Lab Hotel
  • Moxy Berlin Ostbahnhof

Além disso, tivemos um encontro e assistimos a uma apresentação de um executivo da Mews, plataforma de tecnologia all-in-one para hotelaria (com PMS, RMS, CRM/Guest Profile, POS e BI) baseada na nuvem que já recebeu mais de € 700 milhões em rodadas de investimentos desde sua fundação, em 2012. A última, de € 300 milhões, ocorrida há menos de dois meses e liderada pelo EQT Growth e outros investidores. Baseada na Holanda, a empresa já atua em mais de 85 países e, por enquanto, não tem planos de desembarcar no Brasil.

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O Waldorf Astoria Berlin está inserido em um projeto mixed use em Charlottenburg-Wilmersdorf

Insights hoteleiros

O Waldord Astoria Berlin está integrado a um belíssimo projeto mixed use no distrito de Charlottenburg-Wilmersdorf. Conhecida por sua sofisticação, lojas de luxo e caros restaurantes, a região foi alvo de políticas urbanísticas e de incentivo ao desenvolvimento imobiliário que, a partir da década de 2010, revitalizou áreas e, entre outros empreendimentos, estimulou a construção de novos hotéis. A poucos metros da unidade da bandeira de luxo da Hilton, por exemplo, está o 25Hours Hotel Bikini, que também se situa em um complexo de uso misto com lojas, restaurantes e escritórios.

Aberta há 13 anos, a propriedade tem 232 UHs e, atualmente, pertence a uma família de perfil patrimonialista do Oriente Médio. Aos hoteleiros da missão, chamou atenção a diária média baixa para um equipamento daquele padrão (€ 280), o que, combinada à ocupação média anual de 57%, levantou dúvidas em todos a cerca de sua lucratividade.

Em contraste, seu quase vizinho 25Hours Hotel Bikini tem uma diária média de € 180, uma ocupação bem mais alta (acima de 80%) e, muito provavelmente, um nível de lucratividade mais alto, até pelo perfil operacional enxuto em comparação com o Waldorf Astoria. Mais ainda, a unidade é um grande laboratório de ideias para qualquer hoteleiro brasileiro, com destaque para:

  • Leitura bem feita das preferências do público-alvo, o que leva a uma decoração descolada
  • Design bem acabado e, aparentemente, barato
  • Uso otimizado e inteligente de cada metro quadrado disponível nos quartos e áreas comuns
  • Foco no A&B com três pontos de venda que se complementam
  • Oferta de serviços que casam com a cidade, como aluguel de bicicletas
  • Pequenos (e baratos) detalhes que fazem a diferença, como as redes situadas no lobby que são um convite para uma soneca.

Para quem não conhece, a 25Hours Hotels foi fundada por volta de 2006 com um lema curioso: if you know one, you know none (se você conhece um, não conhece nenhum, na tradução livre). Isso se traduz em unidades com design e narrativa próprios, refletindo a cultura local e pensados para serem um ponto de encontro da comunidade ao redor.

Berlin - missão Hoteleiros do Futuro - bike
No 25Hours de Berlin você pode pegar a bike na parede e sair pedalando pela cidade

Bem, se você quer compreender exatamente o que é um hotel da 25Hours, fica a tentação de compara-lo a um Selina realmente bem planejado e executado.

Digital first

Agora, um laboratório literal de ideias (e inovação) para hotelaria foi a visita ao MM:NT Berlin Lab Hotel. Isso porque a pequena unidade da rede australiana TFE Hotels, que tem apenas seis quartos, serve para desenvolver e testar soluções e experiências digitais que podem ser implementadas em larga escala nas suas demais propriedades de forma a se adequar às novas exigências do consumidor. Tudo em parceria com diferentes empresas de tecnologia, caso da Like Magic, que foca em soluções para otimizar a jornada do cliente.

Aberta há dois anos, a unidade no início literalmente trocava a hospedagem por feedbacks dos clientes em relação às suas soluções tecnológicas. Hoje, as tarifas são módicas na comparação com outros hotéis da cidade, mas, mesmo cobrando, a insaciável busca por avaliações dos hóspedes segue na raiz do negócio.

“O que queremos saber é quais defeitos na operação podemos e devemos ajustar antes de levar a solução testada para uma escala maior”, conta Jan-Louis Metzmeier, Senior Development Manager da TFE Hotels, que recebeu a comitiva brasileira na propriedade. “Nossa premissa inicial da marca MM:NT é ser digital first, o que se traduz nas diferentes soluções que já testamos por aqui”, acrescenta.

E, de fato, o hotel-laboratório leva isso ao extremo: do check-in ao acesso ao hotel e aos quartos, passando ainda pela compra de uma cerveja no bar, tudo é feito digitalmente – e um dos canais usados pode ser o WhatsApp. “Muitas das soluções aqui testadas foram implementadas nos nossos hotéis, mas temos no pipeline a construção de um hotel de 150 UHs da MM:NT”, completa.

O primeiro dia foi encerrado com uma visita ao Moxy Berlin Ostbahnhof, marca lifestyle da Marriott International. Aberto em 2016, a unidade tem uma ocupação anual na casa de 80%, além de uma diária média de € 110. Ao todo, são 300 UHs com duas formatações e metragens variando de 15 m² (metros quadrados) a 25 metros quadrados (m²).

Berlin - missão Hoteleiros do Futuro - travesseiros
Os hotéis visitados hoje em Berlin mostram que a boa hospitalidade está nos detalhes

E, repetindo um trecho desse mesmo texto, se você quer compreender exatamente o que é um Moxy, fica a tentação de compará-lo a um ibis Styles, mas com alguns conceitos diferentes que valem a pena mencionar:

  • Área comum integrando recepção, lobby, bar, coworking e salão de jogos, ofertando uma sensação de estar em vários desses espaços ao mesmo tempo.
  • Exemplo: a recepção fica em uma ilha integrada ao bar, não tendo um balcão como costumamos ver nos hotéis brasileiros.
  • Praticidade traduzida no uso intensivo do conceito grab n’ go no A&B.
  • Café da manhã é servido nesse conceito, podendo ser consumido em qualquer mesa desse espaço integrado.
  • Modelo construtivo barato e adaptável nas unidades. Não há um padrão claro, o que facilita a vida do investidor/desenvolvedor imobiliário.
  • Mobiliário moderno e barato, o que passa a impressão de um CAPEX mais baixo do que em outras marcas.

Amanhã tem mais, com o primeiro dia da ITB Berlin. Fica ligado no Diário de Berlin!

(**) Crédito da capa: Divulgação/Noctua Advisory

(**) Crédito das fotos: Vinicius Medeiros/Hotelier News

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