A possível substituição da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho e um de folga) pela 5×2, que está em debate no Congresso Nacional, é uma grande preocupação à hotelaria. Nesta semana, foi a vez da ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina) se posicionar sobre o assunto, citando a possibilidade do valor das diárias aumentar até 20% nos empreendimentos do estado. As informações são do portal ND Mais.
De acordo com Margot Rosenbrock Libório, presidente da entidade, a folha de pagamento concentra a maior parte dos custos dos empreendimentos hoteleiros. “A hotelaria é um setor que emprega muitas pessoas. A maior parte do nosso custo realmente está nas pessoas que empregamos. Essas empresas funcionam 24 horas por dia, 365 dias no ano. Por isso, sim, o impacto no nosso setor pode ser muito maior do que em outros”, afirma.
Segundo a dirigente, a preocupação sobre a eventual adoção da jornada 5×2 se instaura na necessidade de novas contratações. “Nosso setor trabalha mais nos feriados e fins de semana. Portanto, para complementar as escalas adequadamente em períodos de maior demanda como esses, precisaríamos de novas contratações”, pontua.
Impacto nos preços
Como reação à mudança, a entidade avalia que o aumento da folha tende a ser repassado ao consumidor final. A estimativa sobre aumento de cerca de dois dígitos no valor das tarifas, segundo a ABIH-SC, dependerá de perfil e estrutura de cada hotel.
Enquanto empreendimentos de padrão mais elevado teriam maior capacidade de absorção, a expectativa é que hotéis familiares, com equipes reduzidas e tarifas mais acessíveis, enfrentem mais dificuldades de adequação ao novo modelo de jornada.
Diante do cenário, representantes do setor estudam solicitar ao governo federal medidas de compensação tributária para mitigar os efeitos financeiros da mudança. A proposta, segundo Margot, é que eventuais desonerações ajudem a equilibrar o aumento da folha salarial.
“O objetivo é que esses aumentos não sejam tão bruscos e repentinos para a nossa atividade”, diz.
Tramitação
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, afirma que o tema está entre as prioridades legislativas de 2026 e que a proposta pode ser votada em plenário já em maio.
Antes de seguir para votação, o texto precisa passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), responsável por analisar a constitucionalidade da matéria, e por uma comissão especial, que avaliará o mérito e poderá propor alterações.
A oposição, no entanto, sinaliza resistência e pode solicitar mais tempo para discutir os impactos econômicos da proposta antes da votação em plenário.
(*) Crédito da foto: Freepik











