Com mais de 23 anos de atuação nos segmentos de hospitalidade e gestão de negócios, Clayton Camilo construiu sua trajetória profissional com foco em implantação, reestruturação e eficiência operacional. Especialista em gestão de projetos, auditoria e controle técnico, o gerente de Projetos e Implantações da Hotelaria Brasil atua na interseção entre planejamento estratégico, operação hoteleira e tecnologia, conduzindo processos que vão da obra à montagem de empreendimentos.
Formado em Hotelaria e com MBAs em Gestão Empresarial, Controladoria e Gestão de Projetos, o executivo defende que a excelência operacional depende da integração entre análise de dados, processos estruturados e liderança voltada ao desenvolvimento de equipes. Em sua função atual, ele acompanha de perto os desafios da implantação de novos hotéis, a busca pelo equilíbrio entre padronização e personalização operacional, além da aplicação de inteligência artificial na gestão hoteleira.
Em sua segunda participação no Três perguntas para, Camilo fala sobre os principais gargalos enfrentados na abertura de empreendimentos, o papel da tecnologia na tomada de decisões e os impactos práticos da MarIA, ferramenta de IA desenvolvida pela rede.
Três perguntas para: Clayton Camilo
Hotelier News: Quais são os principais desafios na implantação de novos hotéis e como evitá-los ainda nas etapas iniciais do projeto?
Clayton Camilo: O maior desafio na implantação é o descasamento entre a visão arquitetônica/construtiva e a realidade operacional. Muitas vezes os projetos são desenhados sem considerar o fluxo de serviço, a eficiência logística ou a manutenção, o que gera custos operacionais altos e recorrentes. Para evitar isso nas etapas iniciais, precisamos fazer um trabalho de consultoria e auditoria operacional preventiva junto à construtora, arquitetos ou até mesmo diretamente com investidores.
Isso significa incluir a área de Operações, Engenharia e TI ainda no projeto executivo. Ao validar o fluxo de hóspedes, serviços e a infraestrutura tecnológica antes do início da construção, mitigamos gargalos que, se descobertos após a abertura, exigirão reformas custosas ou comprometerão a produtividade da equipe.
HN: Como equilibrar padronização operacional, eficiência e adaptação às características de cada empreendimento?
CC: A padronização não pode ser sinônimo de rigidez, mas de uma base comum de gestão. O equilíbrio está em separar padrões de rede da personalização e adaptação de cada empreendimento à suas questões culturais, regionais e até mesmo legais. Utilizamos a tecnologia para garantir essa base sólida e auditar a conformidade duas vezes no ano, permitindo que o gestor local tenha autonomia sobre as adaptações que o mercado específico exige, desde que elas não comprometam a lucratividade ou o padrão de serviço estipulado pela HB.
Eficiência nasce da centralização do que é burocrático e da descentralização do que é experiência e atendimento ao hóspede. As plataformas de gestão online, integradas entre si, neste cenário, são nossas ferramentas de controle: mostram onde o padrão está sendo cumprido e onde a flexibilidade está gerando valor ou custo desnecessário.
HN: A Hotelaria Brasil desenvolveu uma ferramenta própria de IA. Como essa tecnologia vem sendo aplicada na operação e quais impactos práticos já foram percebidos?
CC: A nossa IA, a MarIA, nasceu com o propósito de transformar dados brutos em decisões ágeis. Ela atua como um braço de suporte à inteligência de mercado e à operação hoteleira. Na prática, ela nos auxilia desde a automação de tarefas repetitivas — liberando o colaborador para o que é ‘humano’ no atendimento — até o suporte à gestão de dados, onde conseguimos identificar desvios de performance quase em tempo real.
O impacto mais claro que percebemos é a redução drástica no tempo de resposta gerencial. Antes, o gestor perdia horas montando relatórios para entender por que uma unidade estava com um custo de insumo alto ou uma nota de satisfação abaixo do esperado. Com a IA cruzando nossos dados de sistema, essa resposta já chega pronta, permitindo correções de curso diárias e não mais mensais.
É uma mudança de paradigma: deixamos de olhar para o retrovisor e passamos a gerir o hotel com foco em análise de tendências.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Hotelaria Brasil











