A busca por modelos de trabalho mais equilibrados ganhou os holofotes da economia brasileira nos últimos meses. Na hotelaria, mesmo antes da aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, esse movimento já é acompanhado de perto por players do setor. A Endutex Hotéis Brasil, por exemplo, está entre as empresas que decidiram implementar o modelo.
Tradicionalmente marcado por jornadas extensas e escalas operacionais desafiadoras, o setor hoteleiro passa a discutir alternativas capazes de melhorar a qualidade de vida dos colaboradores sem comprometer a experiência do hóspede. Com a escassez de mão de obra na indústria, a adoção da escala 5×2 ganha espaço como estratégia para fortalecer a atração e retenção de talentos.
Contudo, além dos impactos sobre a operação, a mudança também exige adaptações ligadas à legislação trabalhista, gestão de equipes e organização de turnos. De acordo com Waldemiro Lima, gerente Regional de Operações da Endutex, a adoção da escala aconteceu no início de 2025. Uma das principais motivações foi a necessidade de tornar a empresa mais atrativa para profissionais do setor.
“Nosso objetivo inicial era melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e tornar a empresa mais atrativa no mercado. Nós entendemos que as pessoas buscam cada vez mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional e acreditamos que a hotelaria também precisa evoluir nesse sentido”, explica em entrevista à reportagem do Hotelier News.
Implementação e desafios operacionais
De acordo com Lima, a transição para o novo formato exigiu atenção especial às regras trabalhistas e à reorganização da operação. Um dos principais desafios esteve relacionado à complexidade da legislação e às limitações envolvendo horários de trabalho.
A recepção foi uma das áreas que apresentou maior intricamento de adaptação. Segundo o executivo, as exigências legais relacionadas aos horários e escalas tornaram o processo mais sensível nesse departamento.
Apesar disso, a empresa afirma que não precisou promover mudanças profundas em processos internos ou divisão de funções. Como a operação permaneceu com carga horária semanal de 44 horas, os impactos financeiros também foram considerados controlados.
“Não tivemos necessidade de promover grandes alterações em processos internos ou divisão de funções para viabilizar a mudança. Em alguns departamentos, porém, houve necessidade de ampliar o quadro de colaboradores. Além disso, a redução para jornadas de 40 horas semanais exigiria uma ampliação ainda maior das equipes”, comenta.
Escassez de mão de obra e atração de talentos
Mesmo com a adoção da escala 5×2, a Endutex afirma que os desafios de contratação continuam presentes. Segundo o executivo, a escassez de profissionais segue sendo um problema relevante para a hotelaria. Ainda assim, Lima acredita que o novo modelo passou a funcionar como diferencial competitivo na atração de candidatos.
“Hoje existe uma escassez de mão de obra no setor hoteleiro, então as dificuldades de contratação continuam existindo. No entanto, acreditamos que a escala 5×2 se tornou um diferencial atrativo para os candidatos”, explica.

O executivo pondera, porém, que a eventual ampliação simultânea das equipes em todo o setor poderia aumentar ainda mais a dificuldade de recrutamento.
Na percepção da empresa, os reflexos positivos já começam a aparecer em indicadores ligados à atratividade e satisfação dos colaboradores. O gerente destaca, entretanto, que fatores como liderança, cultura organizacional e oportunidades de desenvolvimento continuam sendo determinantes para resultados consistentes no longo prazo.
Reação das equipes e impacto na operação
Segundo Lima, a mudança foi recebida de forma positiva pelos colaboradores desde o início. A implementação começou por meio de um projeto piloto que, após apresentar bons resultados, foi expandido para todos os hotéis do grupo. “A transição ocorreu de forma bastante natural e foi recebida com entusiasmo pelas equipes”, relata.
O executivo afirma que houve uma percepção imediata de aumento na satisfação dos profissionais após a implementação. Com o passar do tempo, o modelo passou a ser incorporado à rotina operacional, mas segue sendo valorizado principalmente por colaboradores que vieram de empresas que ainda operam em escala 6×1.
Na visão da Endutex, a adoção do novo formato não trouxe impactos relevantes para os treinamentos e programas de capacitação. A empresa conseguiu manter os processos normalmente mesmo durante a transição. Já em relação à experiência do hóspede, a companhia afirma que as mudanças foram pouco perceptíveis.
“Nós acreditamos que o impacto da mudança é muito mais perceptível para o colaborador do que para o hóspede. Do ponto de vista da experiência do cliente, a operação seguiu funcionando normalmente, sem alterações relevantes nos padrões de atendimento”, diz Lima.
Após os primeiros meses de experiência prática, a Endutex avalia que um dos principais acertos foi ter iniciado o movimento antes de parte significativa do mercado. A antecipação permitiu que a empresa conduzisse a implementação de forma mais estruturada e com menor impacto operacional.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Endutex Hotéis Brasil











