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Hotelaria de luxo estabiliza e fatura R$ 3,34 bi em 2025

A BLTA (Brazilian Luxury Travel Association) divulgou, em evento realizado hoje (25), em São Paulo, o Anuário BLTA 2026, levantamento que reúne indicadores do turismo e hotelaria de luxo no Brasil referentes a 2025. Elaborado em parceria com o Centro Universitário Senac, o estudo contou com 71 associados respondentes, sendo 63 meios de hospedagem e oito operadoras de viagens. Entre hotéis, pousadas, lodges e resorts participantes, o faturamento bruto estimado chegou a R$ 3,34 bilhões, alta de 0,80% em relação ao ano anterior.

A diária média foi de R$ 3.109, queda de 4,83% na comparação com 2024, enquanto o RevPAR recuou 1,08%. A taxa de ocupação permaneceu em 50%, e o número de hóspedes se aproximou de 1 milhão.

Para Camilla Barretto, CEO da BLTA, os resultados refletem um processo de maturação do mercado, com mudanças nas expectativas dos viajantes e na definição do próprio conceito de luxo. “Estamos vendo uma estabilidade no mercado, mas não no sentido de estagnação e sim de maturidade. O segmento está mais criterioso e não se trata mais do luxo da ostentação, mas da autenticidade”, destacou a executiva em entrevista ao Hotelier News.

Camilla Barretto - Anuário
“Estamos avançando com mais critérios”, disse Camilla

Entre as operadoras de viagens, o ticket médio diário alcançou R$ 16.524 no mercado doméstico, crescimento de 6% frente a 2024. Entre os viajantes internacionais, o indicador chegou a R$ 21.216, alta de 4% na comparação anual.

O mercado brasileiro concentrou a maior parcela dos hóspedes dos meios de hospedagem associados à BLTA, com 70% do total. Os estrangeiros responderam pelos outros 30%. Entre os principais mercados emissores internacionais estão Europa, com 13%; América do Norte, com 9%; e América Latina, com 5%.

Rio de Janeiro lidera procura

O Rio de Janeiro foi o destino mais procurado pelas operadoras associadas à BLTA em 2025, citado por 51% dos respondentes. Foz do Iguaçu (PR) apareceu em seguida, com 40%, enquanto o Pantanal foi indicado por 24%. Salvador aparece com 16%, seguida São Paulo, com 14% da procura, e Fernando de Noronha, com 10%.

A distribuição por origem dos viajantes atendidos pelas operadoras mostra predominância da América do Norte, responsável por 38% da demanda. A Europa aparece em segundo lugar, com 36%, enquanto o Brasil representa 15% e outros países, 11%. O lazer permaneceu como principal motivação das viagens, respondendo por 55% das hospedagens. Entre os períodos e ocasiões que mais geram demanda estão o Réveillon, citado por 82% das operadoras; o Carnaval, por 67%; e casamentos, por 60%.

A duração das estadas também varia de acordo com a origem dos viajantes. Entre os brasileiros, 58% permanecem até três noites e 35% ficam de quatro a sete noites. Já entre os estrangeiros, 80% permanecem no país por mais de sete dias.

Bem-estar ganha espaço no turismo de luxo

Experiências relacionadas a bem-estar, spa e relaxamento foram apontadas por 93% dos empreendimentos pesquisados, ante 90% em 2024. O resultado coloca esses serviços entre os principais atributos buscados pelos hóspedes de alto padrão.

As massagens aparecem entre os serviços mais solicitados, citadas por 92% dos empreendimentos. A gastronomia vem na sequência, com 85%, seguida por serviços personalizados, com 65%, e atividades e experiências VIP, com 53%. Os indicadores mostram que o conceito de turismo de luxo está cada vez mais associado a bem-estar, personalização e experiências oferecidas ao longo da estada, além dos atributos tradicionais de hospedagem.

“Isso é um excelente insight para hoteleiros que estão pensando em investir na ampliação de seus negócios: programas de bem-estar são, sim, essenciais para atrair hóspedes e gerar novas experiências”, enfatizou Camilla durante o evento.

BLTA amplia foco no ESG

O Anuário BLTA 2026 também apresenta indicadores relacionados à sustentabilidade entre os associados. Segundo a pesquisa, 35,48% dos meios de hospedagem e 28,57% das operadoras participantes possuem certificação de sustentabilidade ou estão em processo de obtê-la.

Entre as certificações buscadas estão Sistema B e Green Key. As iniciativas socioambientais também estão presentes na atuação de 42 meios de hospedagem, equivalentes a 67,74% da base pesquisada. Juntos, esses empreendimentos apoiam 164 projetos, com média de quatro iniciativas por organização.

As oito operadoras participantes apoiam 26 projetos socioambientais, com média superior a três iniciativas por empresa. Os principais campos de atuação são desenvolvimento socioeconômico, educação e conservação ambiental.

Entre os meios de hospedagem, as iniciativas estão distribuídas em desenvolvimento socioeconômico, com 50%; educação, com 47%; e conservação ambiental, com 44%. Nas operadoras, os percentuais chegam a 75% em desenvolvimento socioeconômico, 63% em educação e 75% em conservação ambiental. A BLTA estabeleceu como meta chegar a 2028 com 100% dos associados certificados em ESG.

“Entendemos que a adesão a essa agenda é um processo demorado e que deve ser feito com muita responsabilidade pelos meios de hospedagem, e ficamos felizes que estamos evoluindo muito neste sentido, mostrando que todas as discussões que temos promovido em torno do tema nos últimos anos têm surtido efeito”, destacou a CEO da BLTA.

Perfil dos empreendimentos associados

O levantamento mostra ainda o perfil dos meios de hospedagem que integram a BLTA. Atualmente, 52% são empreendimentos de praia, enquanto as propriedades urbanas representam 29% e as localizadas no interior, 19%.

Por porte, os estabelecimentos de pequeno porte correspondem a 44% do portfólio. Os de médio porte representam 32%, enquanto os grandes empreendimentos somam 24%. Na divisão por categoria, os hotéis representam 68% dos associados. Pousadas correspondem a 16%, lodges a 11% e resorts a 5%.

O índice de satisfação também aparece entre os indicadores do anuário. Em 2025, 93,2% dos hóspedes atribuíram notas iguais ou superiores a 8,5 aos empreendimentos associados à BLTA. Na distribuição das reservas, o canal direto respondeu por 44% das vendas. As OTAs representaram 19%, enquanto as operadoras responderam por 17% das reservas.

Para Roberto Klabin, presidente do conselho da BLTA, a hospitalidade e o bem receber estão entre os principais diferenciais dos empreendimentos associados e são elementos relevantes para o desenvolvimento do turismo de luxo no país.

“Temos que ser um Brasil melhor, com as características que nos tornam diferentes do resto do mundo. Nosso calor humano é o diferencial. O número de estrangeiros no nosso país vai continuar crescendo, e isso é mais um motivo para reforçarmos e destacarmos nossos pontos positivos”, pontuou.

BLTA apresenta novo site

O evento também marcou o lançamento do novo site da BLTA. A plataforma foi reformulada para ampliar a aproximação da associação com consumidores e profissionais do trade turístico.

O portal reúne informações sobre os associados e as iniciativas da entidade, além de apresentar destinos e experiências relacionadas ao turismo de luxo no Brasil.

(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News

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