À frente da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association) desde setembro, Camilla Barretto assumiu o cargo de CEO da entidade, ocupado por Simone Scorsato por uma década. Paulistana, filha de mãe italiana e pai brasileiro, a executiva de 49 anos tem como missão reforçar o posicionamento da associação perante o mercado, além de aperfeiçoar processos internos.
Fluente em três idiomas, Camilla acumula experiências em diversos países onde morou. Apaixonada por conhecer novas culturas desde a infância, a profissional é uma amante da natureza declarada e esportista nas horas vagas. Aos finais de semana, a CEO da BLTA cavalga na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, e procura esquisar duas vezes ao ano.
Interessada por arte e arquitetura, seu gosto musical é diverso. “Não sei qual é o nome da música nem do artista, mas gosto disso aqui”, brinca Camilla. Sua conexão com a hospitalidade vem do interesse de proporcionar experiências para si mesma e para os outros.
Formada em Direito e Hotelaria, Camilla tem mais de 25 anos de experiência na administração e gestão de operações de alto padrão. Após ter estagiado em escritórios de advocacia, optou por seguir sua carreira em hotelaria. No setor, galgou posições de alta gestão no IHG Hotels & Resorts, Hotel Emiliano e Vail Resorts.
Ao decidir empreender, atuou durante oito anos como sócia da Mandarina Consultoria e Treinamento, liderando projetos de Customer Experience em diversos segmentos de mercado. Antes de assumir a BLTA, após a implantação do Barracuda Hotel & Villas, atuou como braço direito da CEO do Grupo Barracuda.
Três perguntas para: Camilla Barretto
Hotelier News: Em 2023, a hotelaria de luxo faturou R$ 3,1 bilhões, segundo o relatório da BLTA. Qual sua previsão para o balanço de 2024? O setor se comportou da mesma forma? Quais as principais diferenças sentidas entre os dois períodos?
Camilla Barretto: A hotelaria de luxo continua crescendo. Dados recentes da McKinsey preveem que o turismo de luxo, que em 2023 movimentou US$ 239 bilhões, chegará a US$ 391 bilhões em 2028. O Brasil ainda representa pouquíssimo neste universo, mas a tendência aqui também é de crescimento. Por meio de uma pesquisa realizada com os associados, mais da metade pretende continuar ampliando seus negócios.
A maior tendência é desenvolver experiências únicas e autênticas, trazer bem-estar e focar na sustentabilidade. Hoje não é mais uma escolha e, sim, uma necessidade para se diferenciar dentro da hotelaria de luxo: a preocupação com o ambiente e o entorno, e com a regeneração daquela localidade, respeitando sua comunidade e trazendo melhorias. Para isso será necessário investir ainda mais na capacitação da mão de obra e no desenvolvimento das boas práticas de ESG.
HN: Um dos destaques de 2024 para a entidade foi o lançamento da Xodó by BLTA, marca que ressalta a brasilidade da hospitalidade de luxo nacional. Quais os planos para 2025? Como a associação pretende usar essa chancela na divulgação internacional da hotelaria brasileira?
CB: Autenticidade, diversidade, brasilidade e sustentabilidade: estes são os atributos da marca Xodó, que vem trazer o melhor do Brasil por meio de conexões de afeto. Atendendo a uma demanda crescente de conexões emocionais mais do que materiais para o viajante do luxo, entendo que o Brasil deve ser visto como um potente berço de experiências únicas. É natural para o brasileiro acolher e hoje o mundo demanda experiências humanizadas. Em 2025, a BLTA ampliará sua presença em feiras de turismo internacional, de braços dados com a Embratur. Já temos a participação confirmada em quatro dos mais importantes eventos do turismo de luxo internacional e, por meio de parcerias e acordos de cooperação, a intenção é aumentar esse número.
HN: A hotelaria, de modo geral, vem sentindo certa desaceleração em termos de demanda. Para o luxo, essa tendência também se aplica? Na sua visão, quais serão os maiores desafios do segmento no próximo ano?
CB: Eu não vejo uma desaceleração na hotelaria, muito pelo contrário. Os investimentos continuam altos, há uma previsão de novas marcas internacionais entrarem no Brasil nos próximos anos, e a demanda por hotéis de luxo que oferecem exclusividade e experiências autênticas vem aumentando significativamente. Vejo que existe uma mudança no comportamento do viajante: hoje existe uma necessidade maior de qualidade e autenticidade versus quantidade e, por isso, não dá mais para oferecer mais do mesmo.
A BLTA, por sua vez, já conta com 60 hotéis e oito operadoras, e continua atraindo a atenção de muitas propriedades independentes que estão buscando evoluir na qualidade de seus serviços, na oferta de experiências exclusivas e na preocupação com práticas de ESG. Os maiores desafios estarão ligados ao acompanhamento das novas tendências do luxo, que está em constante evolução. Será necessário oferecer exclusividade e experiências memoráveis e especiais.
Grandiosidade, excessos e ostentação darão lugar a conexões emocionais que vão além do material. Imersão na cultura local, bem-estar através de experiências autênticas que podem ser simples, mas que conectam emocionalmente o viajante ao ambiente onde está, àquilo que é exclusivo daquele local. Sairá na frente quem souber que as vertentes do luxo são diversas. Ultrapersonalizar e colocar o cliente sempre no foco, fazendo com que ele se sinta único é fundamental para se diferenciar.
(*) Crédito da foto: Divulgação/BLTA














