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Hotelaria enfrenta turnover superior a 50% em 2025

Ano novo, velhos problemas. O setor hoteleiro inicia 2026 com o retorno do índice de turnover medido pela CAPIH (Comissão dos Administradores de Pessoal da Indústria Hoteleira) após quase uma década de hiato. A métrica, essencial para entender a movimentação de desligamentos na indústria, atingiu 52,45% em 2025, indicando a continuidade de um período desafiador em termos de manutenção de mão de obra nos empreendimentos.

O monitoramento contou com a participação de 34 hotéis de diferentes portes, desde resorts até empreendimentos econômicos, tanto de redes hoteleiras quanto independentes.

Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Daniel Battistini, coordenador da CAPIH, explica que a lacuna nos dados acompanha os movimentos do setor e da economia.  “Começamos a medir a partir de um formulário padrão para os hotéis. Em 2017, a taxa de desemprego começou a subir e o turnover caiu. Essa medição perdeu o sentido e, por isso, paramos. Em 2018 e 2019, a pesquisa não foi realizada. Em 2020, com a pandemia, os índices seriam impactados”, analisa Battistini.

Mesmo com a Covid-19 no passado, a hotelaria ainda sente seus efeitos no quadro de funcionários, seis anos após o início da crise sanitária. A evasão de talentos impulsionou o turnover, fenômeno associado à falta de interesse de profissionais por um segmento com escalas pouco atrativas.

“Em 2024, percebemos que precisávamos voltar a monitorar. No ano passado, retomamos a pesquisa. Um turnover acima de 50% significa que mais da metade dos quadros de funcionários foi trocada ao longo de 2025. A título de comparação, o acumulado anual foi de 30% em 2017 e de 30,20% em 2016”, compara.

Daniel Battistini
“Não vejo previsão de redução em 2026”, diz Battistini

Perspectivas e novos movimentos

No primeiro semestre de 2025, o turnover da hotelaria ficou em 26,19%. Apesar de o acumulado do ano ter fechado abaixo dos 55% projetados, o executivo prevê um 2026 desafiador em termos de retenção de talentos. “Não vejo perspectiva de redução. Existe um alto volume de abandono de vagas, um comportamento que não existia antes. Pessoas trabalham dois dias e não retornam”, afirma.

Outro fator que pode contribuir para a manutenção de índices elevados é a baixa taxa de desemprego. No trimestre encerrado em outubro do ano passado, o indicador estava em 5,4%. Em contrapartida, empreendimentos hoteleiros vêm buscando novos modelos de escala para elevar a atratividade do segmento, como é o caso do Hotel Nacional, do Palácio Tangará e do Copacabana Palace, que adotaram o regime de trabalho 5×2.

“É um movimento que está começando e pode ser observado em hotéis com quadros de funcionários mais robustos. Quando olhamos para os segmentos econômico e midscale, por exemplo, a mudança se torna mais complexa”, pontua Battistini.

Entre as empresas participantes, o maior índice acumulado foi de 118,46% e o menor, de 22,34%. Dezembro registrou a menor média mensal, com 3,33%. Já setembro apresentou o maior índice de turnover do ano, de 5,09%.

“Existe uma movimentação diferente em dezembro, com mais gorjetas e muitas pessoas aguardando a virada do ano para trocar de emprego, o que acaba puxando o índice para baixo. Em setembro, a diferença em relação aos outros meses não é tão expressiva, portanto, não há uma justificativa clara para o percentual mais elevado”, afirma o executivo.

A pressão por aumentos salariais cresce em meio a uma transformação profunda das operações, marcada por novas exigências de qualificação, revisão das estruturas de trabalho e uma disputa mais intensa por talentos. Entre funções que se reinventam, habilidades que ganham valor e modelos de contratação que se diversificam, a remuneração volta ao centro do debate, impulsionada tanto pela necessidade de retenção quanto pela evolução do perfil dos colaboradores.

A média salarial na hotelaria brasileira varia conforme o cargo. Segundo dados de 2025, uma camareira de hotel recebe cerca de R$ 1,8 mil por mês, de acordo com o Portal Salário. Em cargos de gerência, a média sobe para aproximadamente R$ 6,9 mil mensais, conforme levantamento com dados da LCA 4intelligence sobre o setor.

A pesquisa salarial da HotelConsult, que reúne informações de mais de 200 unidades no país, confirma a disparidade entre mercados. São Paulo segue como referência nacional, enquanto outras capitais operam entre 10% e quase 20% abaixo, o que amplia a dificuldade de atrair e reter talentos fora do eixo mais aquecido. Hotéis de luxo e upscale elevam a média, com diferenças que podem superar 30% em cargos estratégicos, enquanto resorts valorizam funções operacionais devido à complexidade das rotinas diárias.

(*) Crédito da capa: Hotelier News

(**) Crédito da foto: Daniel Battistini/CAPIH

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