InícioNEGÓCIOSDigitalIA já é usada por 68% dos brasileiros no trabalho
Slaviero hospitalidade

IA já é usada por 68% dos brasileiros no trabalho

A IA (inteligência artificial) já faz parte da rotina de trabalho dos brasileiros, mas as empresas ainda avançam lentamente na criação de regras, treinamentos e estruturas formais para acompanhar essa transformação. É o que aponta um levantamento do MeuCurrículoPerfeito sobre o impacto da ferramenta no mercado de trabalho do país em 2026/27.

Segundo o estudo, 68% dos profissionais no Brasil utilizam IA diariamente no trabalho, enquanto apenas 31% afirmam receber acesso formal ou treinamento oferecido pelas empresas. Ao mesmo tempo, 14% dos trabalhadores dizem ser proibidos de usar a tecnologia pelos empregadores.

A pesquisa também mostra que a demanda por vagas com competências em IA cresceu 30,3% no Brasil no último ano, acima da média global, de 7,5%. Já profissionais com habilidades comprovadas em inteligência artificial recebem um prêmio salarial médio de 56% no país.

De acordo com a análise, o avanço da chamada “Shadow AI” — quando funcionários utilizam ferramentas de inteligência artificial sem autorização formal ou supervisão — já é uma realidade nas empresas brasileiras. Na prática, trabalhadores recorrem a plataformas de IA generativa para acelerar atividades como produção de textos, análise de dados, organização de informações e criação de apresentações, enquanto muitas organizações ainda discutem como lidar com a tecnologia.

“O Brasil não está atrasado na adoção da IA. Pelo contrário: o trabalhador brasileiro já incorporou essas ferramentas ao cotidiano. O problema é que, em muitas empresas, esse uso ainda acontece sem governança, sem treinamento e sem proteção adequada de dados”, afirma Jasmine Escalera, especialista em carreiras.

Segundo o levantamento, esse cenário amplia riscos relacionados à exposição de informações confidenciais em plataformas públicas, falta de padronização no uso da tecnologia, desigualdade de produtividade entre equipes e dificuldades para medir ganhos reais de eficiência.

Mudança nas contratações

O estudo também aponta mudanças nos critérios de contratação. Segundo dados citados na análise, 25% dos anúncios de emprego no LinkedIn já não exigem diploma universitário. Em paralelo, o chamado “AI Literacy” — ou letramento em IA — aparece como a competência que mais cresce no Brasil.

Para o MeuCurrículoPerfeito, o mercado passa por uma transição baseada em habilidades práticas e verificáveis. Em ocupações mais expostas à IA, as competências exigidas mudam 66% mais rápido, o que aumenta a necessidade de atualização contínua dos profissionais.

O levantamento indica ainda que funções historicamente usadas como porta de entrada no mercado formal estão entre as mais vulneráveis à automação. Atividades ligadas a atendimento, apoio administrativo, entrada de dados e triagem de documentos tendem a sofrer maior impacto da inteligência artificial.

Entre os cargos mais expostos estão operadores de telemarketing, assistentes administrativos, profissionais de digitação, analistas de crédito júnior e tradutores técnicos básicos. Por outro lado, áreas como engenharia de prompt e dados, vendas consultivas, cibersegurança, marketing de performance e ESG ganham espaço.

“O desafio será reabrir a porta de entrada do mercado. Se a IA assume as tarefas básicas, empresas precisam repensar como vão formar talentos iniciantes e não apenas buscar profissionais prontos”, afirma a especialista.

Letramento em IA

O estudo também propõe uma divisão do letramento em IA em três níveis. O primeiro envolve o uso básico de ferramentas generativas para tarefas simples, como escrever e-mails e resumir textos. O segundo considera aplicações específicas dentro de áreas como marketing, vendas, recrutamento e finanças. Já o terceiro envolve a capacidade de redesenhar processos considerando a IA como parte central da operação.

Segundo o MeuCurrículoPerfeito, o domínio básico da IA tende a se tornar tão essencial quanto o conhecimento em pacote Office foi em décadas anteriores. Já os níveis funcional e estratégico devem diferenciar profissionais plenos, seniores e lideranças.

Para reduzir riscos e ampliar ganhos de produtividade, o levantamento defende que as empresas precisam oficializar o uso de inteligência artificial no ambiente corporativo, criar políticas claras sobre dados e confidencialidade, oferecer treinamento prático e incorporar a tecnologia às estratégias de negócio.

“A questão não é mais decidir se a IA será usada no trabalho. Ela já está sendo usada. A decisão agora é se esse uso será organizado, seguro e inclusivo — ou se continuará acontecendo no improviso”, conclui Jasmine.

(*) Crédito da foto: Hotelier News

Realgems ameneties