Converse com lideranças da hotelaria e, invariavelmente, um assunto vem à tona: o mercado carece de dados confiáveis. Não se sabe, por exemplo, o número exato de hotéis em operação no país, apesar de alguns estudos abordarem o tema. Uma análise sobre o desempenho do segmento só vira realidade pelos esforços de abnegados como FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), Resorts Brasil e ABIH-BA, muito embora os levantamentos dessas entidades analisem o que já passou. Falta, portanto, inteligência de mercado para tornar a indústria de hospedagem nacional ainda melhor, principalmente no que tange a informações que não estão no retrovisor. É preciso mirar o futuro.
Uma parceria entre FOHB e HotelInvest pretende mudar esse cenário. A iniciativa quer ajudar toda a indústria hoteleira nacional a ser mais preditiva e menos reativa na tomada de decisões relacionadas ao negócio e consiste na criação de um boletim com projeções futuras do mercado. Inicialmente com periodicidade trimestral, o documento – que ganhou o nome de Boletim FOHB HI – é elaborado com apoio dos times de RM (Revenue Management) das operadoras associadas, trazendo estimativas de dois indicadores vitais para qualquer hotel: ocupação e diária média (e consequentemente o RevPar).
“Começamos a falar sobre desse projeto no começo de 2022, quando estávamos nos preparativos finais para conclusão do Panorama da Hotelaria, que é produzido em parceria com o FOHB, que logo abraçou a ideia”, revela Thais Perfeito, sócia da HotelInvest. “Aqui na empresa temos muito contato com proprietários e investidores de hotéis e sempre tivemos dificuldade de passar para eles nossa perspectiva de crescimento do setor. Dividíamos o InFOHB, só que a pesquisa, que é muito importante, olha pelo retrovisor. Então, com o boletim, poderemos projetar o futuro com informações vindas das redes. Ou seja, com dados das empresas com as melhores práticas de RM no mercado”, completa.
Segundo a executiva, a inspiração para o lançamento da pesquisa veio do Boletim Focus, do Banco Central, que ouve economistas de diferentes instituições financeiras para fazer estimativas de dados macroeconômicos. “Na prática, criamos um formulário com sugestões de intervalos de crescimento e de queda previstos para os dois indicadores analisados. As redes associadas ao FOHB indicaram interlocutores para preencher e nos mandar de volta essa enquete. Basicamente, perguntamos o que eles projetam para os próximos relatórios do InFOHB. Começaremos com números da cidade de São Paulo, mas a ideia é expandir para outras praças com o tempo”, explica.
Números
Bom, deixamos a melhor parte da matéria para o final: os números do primeiro boletim, assim como uma análise sobre os dados. No geral, o relatório reflete o otimismo da hotelaria brasileira com os próximos meses, que seguem também os bons resultados observados nos balanços das grandes redes internacionais e das OTAs. De acordo com o estudo, os meses de janeiro e fevereiro apresentarão crescimentos superiores a 20% de ocupação e de diária média (veja as estimativas para os demais meses abaixo).
“As altas mais expressivas em janeiro e fevereiro têm relação com a variante Ômicron, que trouxe instabilidade à indústria de viagens no início de 2022 e, consequentemente, patamares mais baixos de ocupação e de diária média se comparados ao restante de 2022″, destaca Orlando Souza, presidente executivo do FOHB. “A partir de abril de 2023, a expectativa para o mercado paulista é de crescimento nos dois indicadores numa taxa de 5% a 15% e, portanto, acima da inflação prevista para 2023”, completa.
“Acredito que esses números representam um encaminhamento do que vem acontecendo desde o último trimestre de 2021. Um ponto importante para tornar esse movimento realidade foi o controle da pandemia e do avanço da vacinação, com parte expressiva da população já imunizada”, avalia Souza. “Acho que pode haver um ponto de interrogação no comecinho de 2023 em função da mudança de governo e da política econômica que será adotada, mas entendo que isso é mais uma dúvida do que propriamente um sinal de pessimismo do mercado. Pelo que converso com nossos associados, existe grande otimismo para um retorno mais consistente do segmento corporativo, o que reforça esse cenário mais positivo”, finaliza.
(*) Crédito da capa: Lufina/Pixabay
(**) Crédito do infográfico: FOHB











