A Meliá Hotels International encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento operacional acima das expectativas, impulsionado pela alta da demanda, avanço das vendas diretas e expansão de seu portfólio. O grupo registrou lucro líquido recorrente de € 83,4 milhões, mas o resultado contábil do período foi impactado por uma provisão extraordinária relacionada à decisão de encerrar definitivamente suas operações em Cuba. A medida gerou um efeito não recorrente de € 79,4 milhões, sem impacto sobre o caixa da companhia.
Mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas, a rede reforçou sua estratégia voltada aos segmentos premium e de luxo, ampliou investimentos em ativos, assinou novos hotéis e confirmou a expectativa de uma temporada de verão robusta, sustentada principalmente pelo desempenho de mercados considerados mais seguros, como Espanha, Sul da Europa e Caribe.
A operação recorrente da Meliá apresentou crescimento consistente no semestre. A receita consolidada, desconsiderando ganhos de capital, atingiu € 1,047 bilhão, alta de 7,1 em relação ao mesmo período do ano anterior.
O principal destaque operacional foi o RevPAR, que cresceu 11,7% no semestre e acelerou para 14,2% apenas no segundo trimestre, desempenho acima das projeções da companhia.
O EBITDA, também excluindo ganhos de capital, somou € 244,7 milhões, crescimento de 2,5%, mesmo com o impacto temporário do fechamento de dois importantes hotéis — Paradisus Cancún e Gran Meliá Don Pepe — para projetos de renovação.
Segundo a empresa, a margem operacional permaneceu praticamente estável, apesar dessas intervenções.
Venda direta e fidelização impulsionam resultados
Os canais próprios continuaram sendo um dos principais motores de crescimento da Meliá. As vendas diretas ao consumidor avançaram 12%, enquanto os principais canais digitais registraram crescimento ainda maior:
- Meliá.com e aplicativo Meliá (B2C): +14%;
- MeliáPro (B2B): +15%;
- Programa MeliáRewards: +15%
O desempenho reforça a estratégia da companhia de ampliar a participação dos canais próprios, reduzindo dependência de intermediários e fortalecendo o relacionamento direto com hóspedes e clientes corporativos.
Outro indicador destacado foi o NPS (Net Promoter Score), que atingiu 61,2 pontos, refletindo elevados índices de satisfação e fidelização dos hóspedes.
Expansão continua acelerada
A estratégia de crescimento da rede manteve ritmo elevado em 2026. Até o fim do primeiro semestre, a Meliá assinou 17 novos hotéis, que representam 3.816 quartos, além de inaugurar 14 empreendimentos, adicionando mais de 2 mil apartamentos ao portfólio.
Paralelamente, a companhia ampliou investimentos por meio da aquisição de ativos e do aumento de participação em hotéis já operados pela rede.
Na gestão financeira, a empresa reafirmou a meta de manter a alavancagem entre 2,0 e 2,5 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA, preservando capacidade para novos investimentos e para a continuidade da estratégia de reposicionamento de seus ativos.
Além disso, informou que avalia a venda de ativos considerados não estratégicos e com menor geração de caixa, buscando otimizar a alocação de capital e aumentar a eficiência do portfólio.
Saída de Cuba gera impacto contábil extraordinário
O principal evento do semestre foi a decisão de interromper integralmente as operações em Cuba. Segundo a Meliá, o agravamento das condições geopolíticas, macroeconômicas, operacionais, jurídicas e financeiras no país passou a impedir a manutenção de um nível mínimo de estabilidade para a operação hoteleira.
Com isso, todas as atividades no mercado cubano foram classificadas como operações descontinuadas, conforme as normas contábeis aplicáveis.
A decisão levou ao reconhecimento de uma provisão extraordinária, resultando em perdas de € 79,4 milhões, valor que não afeta a geração de caixa da empresa, mas reduz o lucro contábil reportado.
A companhia destacou que a provisão integral dos ativos e saldos relacionados às operações em Cuba representa uma postura conservadora diante da elevada incerteza quanto à recuperação desses valores, reforçando a transparência e a solidez de seu balanço.
Sustentabilidade e reputação seguem entre os diferenciais
Além dos resultados financeiros, a Meliá reforçou seu posicionamento em sustentabilidade e gestão corporativa. A companhia afirmou ter mantido a liderança como empresa hoteleira mais sustentável da Europa e a terceira mais sustentável do mundo, segundo a avaliação ESG da S&P Global.
Também voltou a integrar o ranking das empresas mais sustentáveis do mundo elaborado pela TIME e Statista, além de manter posições de destaque em reputação corporativa e gestão de pessoas em rankings como MERCO, Forbes, Top Employers Enterprise e Randstad.
CEO destaca resiliência da demanda turística
Para Gabriel Escarrer Jaume, presidente e CEO da Meliá Hotels International, o primeiro semestre foi marcado por um ambiente geopolítico complexo, mas a indústria do turismo voltou a demonstrar elevada capacidade de adaptação.
Segundo o executivo, a demanda por viagens de lazer permaneceu robusta e houve uma migração dos fluxos turísticos para destinos considerados mais seguros e estáveis, movimento que favoreceu mercados estratégicos da companhia, especialmente Espanha, Sul da Europa e Caribe.
Escarrer destacou ainda que, com exceção do México — que enfrentou desafios relacionados à segurança ao longo do semestre —, a Meliá fortaleceu sua resiliência por meio do posicionamento de suas marcas, da qualidade de seus ativos e de uma estratégia comercial focada na geração de valor, sustentada pelo crescimento da participação dos segmentos premium e luxo e por indicadores de qualidade acima da média global da indústria.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Meliá Hotels















