Três perguntas para: Marcelo Marinho

Marcelo MarinhoMarinho atuou em diferentes setores do turismo

Diretor de Marketing e Vendas da ICH Administração, operadora das bandeiras Intercity, Yoo2 e hi!, Marcelo Marinho é o nosso quarto entrevistado da série Três perguntas para - que já abordou a retomada da crise com nomes de peso como Alexandre SampaioGabriela Otto e Roberto Bertino. Apaixonado pelo setor, o profissional é formado em Turismo tendo atuado em diferentes áreas como companhias aéreas, agências, centros de convenções e, claro, hotelaria.

Natural de Recife, o executivo ainda acumula experiências profissionais em Nova York, onde fez mestrado e permaneceu por cinco anos. “Morava lá quando aconteceu o 11 de setembro. A situação que vivemos hoje me lembra muito aquele momento. As pessoas com medo de sair de casa, mas havia falta de comida, era mais complicado”, relembra.

De volta ao Brasil, Marinho sonhava em promover o Brasil como destino turístico, mas acabou se envolvendo com o mercado hoteleiro. “Quando cheguei aqui, percebi que as grandes empresas do setor eram os hotéis. Na época, a ICH era uma empresa jovem, regional. O desafio era expandir para o resto do país”.

Há 16 anos na rede, o diretor entrou como gerente de Marketing, responsável pela implementação do RM (Revenue Management) e de gestão de canais. Após atuar no departamento de Operações, subiu de cargo na área que é sua paixão e expertise.

Três perguntas para: Marcelo Marinho

Hotelier News: Como líder do departamento de Marketing, quais ações a ICH vem desenvolvendo para o momento de retomada?

Marcelo Marinho: É uma tristeza o que estamos vivendo, tanto no impacto da saúde, quanto econômico e social, mas a marca precisa se manter viva, ativa. Estamos valorizando mais do que nunca nossas relações com clientes, parceiros e investidores e buscamos preservá-las virtualmente. Nossas redes sociais estão ativas, criamos lives com nosso time de embaixadores oferecendo conteúdos leves.

Outro lado é a régua do CRM que não pode parar. As pessoas voltarão a viajar e, com isso, estamos reformatando nossas mensagens. Não paramos ainda para pensar na volta, mas o departamento de Marketing já está trabalhando em campanhas. As férias de julho não devem acontecer, então estamos pensando pequeno ainda, com cautela.

HN: A ICH manteve algumas unidades operando. Qual foi o motivo da decisão e você acredita que hotéis/redes que seguem abertas terão alguma vantagem no pós-crise?

MM: De nossas 43 unidades, apenas oito estão abertas agora. O manifesto que divulgamos foi bem no início da pandemia, o cenário era outro. A decisão de paralisar as atividades não foi nossa, entendemos a hotelaria também como um serviço essencial. Respeitamos os decretos estaduais e suspendemos as operações. No entanto, temos algumas unidades que funcionam como condomínios, com moradores e outros com mensalistas. Ou seja, não podemos fechar. Ao primeiro sinal de retomada, vamos voltar com nossas operações. Não acredito que manter as atividades dê alguma vantagem. Acho que cada um vai retomar de maneiras diferentes, indo atrás do seu, como sempre foi. 
 
HN: Grandes crises trazem grandes aprendizados. O que a ICH está absorvendo deste momento?

MM: Todos nós sairemos diferentes, como pessoas e como profissionais. Daremos mais valor ao que não fazíamos antes. Como empresa, olhamos para dentro e percebemos que podemos fazer com menos. Muitos processos estão em alerta e estamos redesenhando pontos nas operações que se mostraram frágeis. O mercado como um todo terá sequelas, mas voltaremos bem, com aprendizados sólidos para navegar na retomada de acordo com o que o cenário nos oferecer.

(*) Crédito da foto: Peter Kutuchian/Hotelier News

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