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O Dilema da Felicidade: por que nunca se falou tanto nisso e nunca estivemos tão doentes?

Dia 20 de março é o Dia Internacional da Felicidade. Essa data foi comemorada pela primeira vez em 2013 e foi estabelecida pela ONU (Organização das Nações Unidas). A ideia central deste dia é reconhecer a relevância da felicidade e do bem-estar como metas universais e inspirações para políticas públicas ao redor do mundo.

Olá, meu nome é Marian, hoteleira por paixão há mais de 20 anos e hoje é minha estreia por aqui. Vou compartilhar com vocês como o tema Felicidade mudou a minha vida e minha forma de liderar e espero que minhas experiências inspirem sua jornada por mais bem estar individual e coletivo e que eu possa guiá-los a partir deste tema pelo mundo da hospitalidade.

Como esse será o primeiro de alguns textos, vamos começar do começo, como já dizia a minha mãe…O que é essa tal Felicidade?
Não sei vocês, mas para mim cada vez mais fica claro que essa busca sem fim pela felicidade gera muito mais ansiedade do que sensações e sentimentos bons e é por aqui que quero começar, desmistificando um pouco esse tema.

A felicidade pode ser entendida por três prismas distintos: a visão latina (felix), que a define como um cultivo ou fertilidade que gera frutos; a visão germânica (hap), que a interpreta como um golpe de sorte ou acaso do destino; e a visão grega (eudaimonia), que a eleva a um estado de propósito e florescimento pessoal. Enquanto as duas primeiras dependem de produtividade ou fortuna, a perspectiva grega foca na harmonia interna e na realização do potencial humano como o caminho definitivo para o bem-estar.

Qual delas faz mais sentido para você?

Fato é que estamos vivendo um dilema dentro das organizações, nunca se discutiu tanto Felicidade e Bem Estar e nunca tínhamos tido um número tão grande de adoecimentos por saúde mental. Foram 546 mil afastamentos por transtornos mentais registrados no Brasil em 2025 — um recorde pelo segundo ano consecutivo (Ministério da Previdência) tão pouco um percentual de turnover e de infelicidade tão alto. 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem de Burnout, colocando o Brasil como o 2º país no ranking mundial da síndrome (OMS).

Felicidade virou um indicador de gestão (KPI), mas a Saúde Mental virou uma crise humanitária nas empresas.
Algumas armadilhas comuns:

A Felicidade permanente, essa tal felicidade não é algo que tenhamos todos os dias igual, o estado de bem-estar é algo que precisa ser cultivado diariamente com boas escolhas e intencionalidade. Mesmo assim, teremos dias “caos” e são esses dias que vão nos manter em movimento, todas as emoções são necessárias, boas e as nem tão boas, elas estão ali por alguma razão.

Falta de protagonismo, só tem uma pessoa no mundo responsável pela sua felicidade, esse alguém é você, o quanto estamos deixando das nossas vidas e das nossas carreiras “na mão” de outras pessoas? A empresa e o ambiente têm sim a sua parcela de responsabilidade no que sentimos e em como reagimos, mas, cabe a nós termos protagonismo do que queremos.

Os benefícios de “felicidade cosmética”, frutas na copa, happy hours, salas de descanso onde na verdade existem camadas mais profundas de uma cultura que não promove o bem-estar e talvez no final do dia o que o colaborador queira é só um espaço de escuta ativa e sem retaliação.

A distinção entre liberdade e libertinagem, nas organizações essa diferença reside na presença de responsabilidade e limites: enquanto a liberdade promove a autonomia sustentada por entregas e segurança psicológica, a libertinagem gera um cenário de abandono gerencial e disponibilidade constante (24/7) disfarçados de flexibilidade.

Mudança de comportamento, uma pesquisa recente mostrou que 89% dos profissionais afirmam que só aceitariam trabalhar em empresas que priorizam explicitamente o bem-estar, como nós empresários e líderes estamos preparados para essa realidade?
Essas armadilhas dariam algumas páginas a mais neste texto, mas, vou parar por aqui.

Não se engane: o que retém talentos e cura o burnout não são as frutas na copa, mas a segurança de poder ser humano em um ambiente de resultados. Felicidade nas organizações é o equilíbrio fino entre a liberdade para criar e a estrutura para se sentir seguro. Se 89% dos profissionais só aceitam empresas que priorizam o bem-estar, a pergunta não é mais se devemos mudar, mas quão rápido estamos dispostos a aprender a liderar pessoas — e não apenas processos e produtividade.

Isso foi o que me trouxe até aqui, “Como liderar pelo coração” foi assim que comecei a estudar sobre felicidade, psicologia e desenvolvimento humano dentro das organizações.

Se você chegou até aqui, muito obrigada!

Marian Fermino é sócia-fundador da JOY2B, empresa dedicada a promover Felicidade e Bem-Estar como estratégia consciente para pessoas e negócios. A executiva acredita profundamente que o sucesso organizacional nasce do bem-estar, do engajamento e do desenvolvimento humano.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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