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Saída da Hard Rock do Ceará amplia incerteza sobre resorts

Parecia bola cantada, depois de tantos problemas, mas a confirmação chegou. Os resorts do Hard Rock nas praias de Lagoinha e Jericoacoara, ambos no Ceará, deixarão de usar a bandeira Hard Rock Internacional, informa o Diário do Nordeste. Os dois empreendimentos fazem parte do portfólio da Residence Club, responsável pelas obras e comercialização dos hotéis desde a saída da VCI do negócio.

Além desses dois resorts no Ceará, existe outro no Paraná (Ilha do Sol) que também não poderá mais usar a bandeira Hard Rock. No site internacional da gigante do lazer e do entretenimento (veja abaixo), os três empreendimentos já não são mais listados no portfólio. Segundo a jornalista Paloma Vargas, que assina a reportagem, uma fonte a par do assunto que prefere não se identificar confirmou que a matriz do Hard Rock nos Estados Unidos decidiu rescindir o contrato com a Residente Club.

Hard Rock Ceará - troca de bandeira - reprodução site
No site do Hard Rock, os dois resorts do Ceará, além da unidade no Paraná, ja não estão na lista

Segundo a fonte, a rescisão está relacionada ao acúmulo sucessivo de atrasos nas obras e problemas crônicos na entrega do empreendimento, comprometendo a imagem do Hard Rock no Brasil. A saída da Hard Rock International dos resorts no Ceará e no Paraná encerra um dos capítulos mais turbulentos recentes do turismo imobiliário brasileiro. Os projetos ganharam notoriedade nos últimos anos ao prometer resorts de alto padrão associados à força comercial da marca norte-americana, em um movimento que acompanhava o boom da multipropriedade.

Entretanto, uma sequência de problemas apareceu envolvendo atrasos nas obras, insegurança entre compradores, questionamentos contratuais e dificuldades operacionais. “Como este assunto está em andamento na esfera judicial, a Hard Rock International não fará comentários. No entanto, o Brasil continua sendo um mercado prioritário para a marca, e a empresa permanece comprometida com sua presença e desenvolvimento de longo prazo no país”, informou a empresa norte-americana em nota enviada ao Diário do Nordeste.

Na outra ponta, a Residence Club evitou usar o termo “rompimento de contrato” ou “retirada da marca”, preferindo descrever a situação como uma mudança de bandeira. “A companhia está conduzindo o processo de transição das marcas dos empreendimentos, dentro de uma estratégia de reorganização operacional e reposicionamento dos projetos”.


Situação atual

  • Distratos: segundo a Residence Club, o índice de desistência oficial do empreendimento chegou a 37,7% da carteira.
  • Vendas paralisadas: o MPCE (Ministério Público do Ceará) suspendeu as vendas em Lagoinha após identificar que os boletos eram direcionados para o fundo da Residence Club, gerando uma multa de R$ 12 milhões.
  • Jericoacoara: a própria empresa suspendeu as vendas no local, que conta com apenas 30% do projeto comercializado, para uma suposta “adequação relacionada à substituição da bandeira hoteleira e à reorganização estratégica do empreendimento”.

No Sul há novidades

Diferente do Ceará, o empreendimento do Paraná já possui uma nova bandeira internacional: a Wyndham Hotels & Resorts. Procurada pela reportagem do Diário do Nordeste, a empresa explicou que não assumiu a administração, apenas franqueou sua marca.

“Assim, a marca internacional oferece suporte estratégico em áreas como posicionamento comercial, performance operacional, tecnologia, inteligência de mercado e desenvolvimento de negócios, respeitando as características de cada empreendimento e de cada mercado local”, disse a Wyndham, em nota.

Questionada sobre a possibilidade de fazer o mesmo em relação aos empreendimentos do Ceará, a Wyndham afirma que “até o momento não há nada confirmado”. Sobre um possível interesse no mercado do Ceará, a rede norte-americana diz que “está sempre atenta a novas oportunidades” e possui um empreendimento assinado em Flecheiras.

(*) Crédito da capa: Thiago Gadelha/Diário do Nordeste

(**) Crédito da foto: reprodução de internet 

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