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Sustentabilidade na hotelaria: qual o próximo passo?

A sustentabilidade na hotelaria global está entrando em uma nova fase. Durante anos, o foco do setor esteve concentrado principalmente em iniciativas visíveis, como lixeiras para reciclagem, programas de reutilização de toalhas, iluminação LED e esforços para reduzir o uso de plásticos descartáveis. Essas medidas continuam importantes, mas a próxima geração da sustentabilidade exigirá uma abordagem muito mais ampla, aponta o Hotel News Resource.

Para os operadores hoteleiros, a questão passa a ser como incorporar a sustentabilidade às decisões de investimento, ao desenho dos empreendimentos, às operações, às compras e à experiência do hóspede, ao mesmo tempo em que se fortalece a resiliência e o desempenho comercial no longo prazo.

Uma das principais mudanças será deixar de executar projetos isolados de sustentabilidade para considerar cada parte do empreendimento como um sistema. Em vez de tratar energia, água, resíduos e abastecimento como questões independentes, os hotéis deverão avaliar cada vez mais como essas áreas se relacionam.

A eficiência energética, por exemplo, não envolve apenas a instalação de equipamentos mais eficientes. Ela pode influenciar o projeto do edifício, os sistemas de aquecimento e refrigeração, a contratação de energia renovável e até mesmo as estratégias de ocupação dos quartos.

Sustentabilidade passa a ser tratada de forma integrada

Da mesma forma, a redução do desperdício de alimentos envolve não apenas processos mais eficientes na cozinha, mas também uma coordenação mais próxima entre compras, elaboração de cardápios, previsão de demanda e gestão de estoques. Essa abordagem pode oferecer aos operadores uma visão mais precisa de onde as melhorias ambientais podem gerar maior impacto e de quais áreas devem receber prioridade nos investimentos.

A próxima geração da sustentabilidade hoteleira tende a ser consideravelmente mais orientada por dados. Os hotéis poderão monitorar o consumo de energia, o uso de água, os resíduos e as emissões de carbono em nível de empreendimento ou até mesmo de ativo.

A oportunidade é migrar do simples reporte de informações para uma gestão mais ativa. Dados em tempo real podem ajudar a identificar consumos fora do padrão, comparar o desempenho entre propriedades e apontar onde mudanças operacionais podem produzir efeitos imediatos.

Dados ganham espaço na gestão ambiental

Isso pode reduzir a dependência das equipes de sustentabilidade em relação a medições anuais e aproximá-las das operações diárias dos hotéis. Para proprietários e gestores de ativos, dados consistentes também podem tornar o desempenho em sustentabilidade um elemento mais relevante nas decisões de investimento e gestão dos empreendimentos.

A resiliência climática também deverá se tornar uma característica cada vez mais importante. Melhorar a eficiência pode reduzir emissões e custos operacionais, mas os hotéis também precisarão se preparar para os efeitos físicos das mudanças climáticas.

Isso significa considerar fatores como calor extremo, secas, enchentes, escassez de água, confiabilidade do fornecimento de energia e mudanças nos padrões de demanda durante o desenvolvimento ou a renovação de propriedades. Em alguns destinos, a gestão da água poderá adquirir importância estratégica equivalente à eficiência energética.

O desenho dos hotéis do futuro tende, portanto, a dar maior atenção a soluções de resfriamento passivo, sistemas eficientes de uso da água, fontes renováveis de energia, capacidade de backup, materiais locais e paisagismo capaz de contribuir para o controle do calor e da água das chuvas.

Resiliência climática entra no planejamento

Outro avanço importante será uma compreensão mais ampla da cadeia de suprimentos dos hotéis. Uma propriedade pode operar de maneira eficiente e, ainda assim, manter uma pegada ambiental significativa em razão dos produtos e serviços adquiridos.

Alimentos, móveis, enxovais, produtos de limpeza, materiais de construção e tecnologia contribuem para o impacto ambiental mais amplo de um hotel. Por isso, as equipes de compras deverão assumir um papel maior nas estratégias de sustentabilidade, com atenção crescente à durabilidade dos produtos, possibilidade de reparo, origem responsável e transparência dos fornecedores.

Também existe uma oportunidade de fortalecer as cadeias de abastecimento locais. Trabalhar com produtores e fornecedores regionais pode apoiar as economias locais, reduzir potencialmente os impactos relacionados ao transporte e criar uma conexão mais forte entre os hotéis e seus destinos.

Essa abordagem mais ampla se aproxima dos princípios do turismo regenerativo, que buscam gerar resultados positivos para os lugares e as comunidades envolvidos na atividade turística. Isso pode significar ir além do desempenho ambiental da própria propriedade e considerar de que maneira suas operações contribuem para a saúde e a prosperidade do destino no longo prazo.

Cadeia de suprimentos amplia o alcance

A sustentabilidade precisará demonstrar cada vez mais seu valor para os negócios. O aumento dos custos de energia, as restrições de recursos, a regulamentação e as interrupções relacionadas ao clima já transformam o desempenho ambiental em uma questão operacional, e não apenas de reputação.

Hotéis que reduzem o consumo de energia e água podem diminuir custos. Produtos mais duráveis podem reduzir gastos com reposição, edifícios mais resilientes podem limitar interrupções nas operações e uma gestão mais eficiente de resíduos pode melhorar o aproveitamento de recursos.

As estratégias de sustentabilidade mais fortes serão aquelas capazes de conectar metas ambientais a resultados comerciais mensuráveis. Isso pode ajudar a transformar a sustentabilidade de uma função especializada em um componente central da estratégia hoteleira.

A próxima geração da sustentabilidade hoteleira deverá estar relacionada à construção de negócios mais resilientes, mensuráveis e eficientes no uso de recursos.

Sustentabilidade passa a integrar a estratégia

Para os profissionais do setor, a oportunidade está em avaliar o que pode ser redesenhado e aprimorado — dos edifícios e das cadeias de suprimentos aos sistemas de dados e modelos operacionais.

Os hotéis que adotarem essa visão mais ampla estarão mais preparados não apenas para reduzir seu impacto ambiental, mas também para administrar custos, responder aos riscos climáticos e manter a competitividade à medida que as expectativas e as condições de operação evoluem.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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