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Três perguntas para: Gustavo Jarussi

Por Nayara Matteis 3 de agosto de 2020

Gustavo Jarussi - tres perguntasJarussi: o maior legado que  se perpetuará está no campo moral

 O Pestana Hotel Group vem fazendo importantes ajustes para a retomada de suas atividades. Com o fim do contrato de gestão do Bahia Lodge em abril e o encerramento das atividades do Pestana Convento do Carmo devido à pandemia, a rede se viu obrigada a apertar os cintos e se reinventar para o novo momento do mercado. Em entrevista ao Hotelier News para a série Três perguntas para, Gustavo Jarussi, diretor de Operações para América Latina, contou como a empresa vêm se preparando.

“Estamos com um trabalho estratégico que se baseia no próprio comportamento do consumidor e do mercado nos variados segmentos, do lazer ao corporativo, complementado em ferramentas de BI (Business Intelligence) e de aproximação com os clientes, de forma a podermos criar produtos e serviços que tornem uma experiência diferenciada”, explica.

Natural de La Paz, na Bolívia, Jarussi é formado em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduado em Administração e Marketing pela FAE Business School. Sua trajetória no mercado hoteleiro começou no tradicional Maksoud Plaza, passando por redes como Transamerica, Blue Tree Hotels, Atlantica Hotels e Tropical Hotels.

No Pestana desde 2008, quando ingressou à frente da unidade de Caracas, na Venezuela, galgou importantes cargos como diretor Regional sendo responsável pelas aberturas dp Pestana Bogotá, na Colômbia, e Pestana Cayo Coco, em Cuba.

Em outubro de 2017 acrescentou o Pestana Buenos Aires no escopo de suas responsabilidades e no ano seguinte, após 10 anos de experiências no exterior, foi convidado a retornar ao Brasil e assumir a direção Operacional da América Latina.

Três perguntas para: Gustavo Jarussi

Hotelier News: O Pestana Hotel Group sofreu algumas perdas nos últimos meses como o fim do contrato de gestão do Bahia Lodge e o fim das operações do Pestana Convento do Carmo. Esses empreendimentos farão falta na retomada? Como a rede vem se preparando para a volta do mercado?

Gustavo Jarussi: O Pestana Bahia Lodge foi primeiramente um exitoso projeto imobiliário concebido e lançado pelo Pestana Hotel Group no qual optamos por administrar pelo período de dez anos e por questões contratuais decidimos não renovar. No caso do Pestana Convento do Carmo, tivemos que tomar essa dura decisão devido aos efeitos que a pandemia produziu no turismo em geral e acima de tudo pelos custos operacionais que tínhamos com o arrendamento desse maravilhoso patrimônio histórico e nesse momento quero expressar meu respeito e admiração pelos colaboradores que fizeram a história desse hotel e também uma menção especial a Província Carmelita de Santo Elias que é a detentora do Convento do Carmo. Por outro lado, temos em andamento um projeto que foi introduzido na SEDUR (Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo) antes do início da pandemia, que prevê a revitalização da área que abriga o edifício  do Hotel Pestana Bahia que está inativo desde 2016.
 
Todo empreendimento é importante numa retomada e principalmente numa cidade como Salvador que nos últimos anos tem passado por reestruturações importantes e principalmente agora que havia inaugurado um centro de convenções de primeira grandeza. Tivemos que fazer ajustes importantes na operação para poder planejar a retomada, motivo pelo qual um dos pilares principais foi manter as unidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba as quais são de nossa propriedade. Nesse momento estamos administrando os custos com as Medidas Provisórias que se aplicam ao nosso setor ao mesmo tempo que fizemos uma rigorosa negociação de contratos com os fornecedores que implicam custos fixos nas unidades. Adicionalmente, adaptamos as nossas operações a esta nova realidade com a criação de protocolos de medidas de higiene e segurança que salvaguardam os nossos colaboradores e clientes. Além disso, estamos com um trabalho estratégico que se baseia no próprio comportamento do consumidor e do mercado nos variados segmentos, do lazer ao corporativo, complementado em ferramentas de BI (Business Intelligence) e de aproximação com os clientes, de forma a podermos criar produtos e serviços que tornem uma experiência diferenciada. Aproveitamos este tempo para aperfeiçoar a nossa APP que vai permitir um conjunto de serviços na “palma da mão” do cliente e o rebranding do nosso programa de fidelidade – Pestana Guest Club que serão ferramentas essenciais para comunicarmos com os clientes.

HN: Como diretor de Operações das Américas, quais as principais diferenças na retomada do setor do Brasil em relação aos outros países?

GJ: A primeira grande diferença reside em nossa posição geográfica e também o tamanho continental de nosso país, que fez com que a pandemia chegasse com delay comparado com o local de origem, e isso nos coloca em posição de expectativa e realidade por mais tempo do que as regiões da Europa e a própria Ásia, que já pensam na recuperação. No aspecto sobre nossas dimensões continentais, faz com que estejamos em contato com os desdobramento da pandemia por mais tempo e de forma diferente entre as regiões, o que somado com a forma como muitas vezes transmitimos as notícias a respeito da evolução do assunto,  acirram a preocupação das pessoas e consequentemente dos mercados.

Em maio estivemos com os 100 hotéis do Pestana Hotel Group fechados nos 15 países em que estamos presente e recentemente retomamos a operação de algumas unidades em Portugal, as quais têm mantido ocupação de break even. Nessas localidades estamos no verão e com período de férias em andamento, o que difere de nossa situação atual no Brasil. Temos observado que as viagens de carro como primeiro passo após o isolamento tem sido um denominador comum seja nos hotéis que abrimos em Portugal ou até mesmo aqui e nossas próximas retomadas serão Alemanha, Espanha, Holanda e Inglaterra.

HN: Quais as principais lições que a rede vai levar da crise? Processos foram revistos? Que mudanças se perpetuarão no pós-pandemia?

GJ: Tivemos a oportunidade de revisitar todos nossos processos e encontrar maneiras de otimizar e diminuir custos operacionais. Os comitês criados para essa finalidade serão o grande legado desse período, pois temos que estimular essa interação mesmo nos períodos de aparente normalidade. A equipe fez um grande trabalho de adaptação dos manuais de higiene e segurança lançados em Portugal, incluindo as disposições legais de cada estado que temos nossos hotéis. Entendemos que muitos dos protocolos atuais serão suavizados após a descoberta da vacina, entretanto o maior legado que  se perpetuará está no campo moral, nas atitudes de solidariedade entre os pares, na sinergia do trabalho em equipe, na valorização do trabalho e da família.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Pestana Hotel Group