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Três perguntas para: Renan Batista

Reconhecido pelo Prêmio VIHP (Very Important Hotel Professional) 2025 na categoria Gerência de Manutenção, Renan Batista construiu uma trajetória marcada por inovação, eficiência operacional e visão estratégica da engenharia hoteleira. O executivo, que atua como gerente sênior de Engenharia e Projetos do Grand Hyatt São Paulo, soma mais de 18 anos de experiência, sendo oito dedicados à hospitalidade.

Formado em Engenharia Elétrica e Eletrônica, ele defende a manutenção como uma área que vai além do aspecto operacional. Para o gerente, trata-se de uma ferramenta de gestão de riscos, geração de valor e impacto direto na experiência do hóspede.

No Três perguntas para, Batista detalha como a manutenção preventiva contribui para a longevidade dos ativos. Ele também explica o papel estratégico da área na satisfação do cliente e analisa os desafios e oportunidades de sua área de atuação no cotidiano hoteleiro.

Três perguntas para: Renan Batista

Hotelier News: Como a manutenção preventiva contribui para a redução de custos e para a longevidade dos ativos do hotel?

Renan Batista: A manutenção preventiva é um fator estratégico para a eficiência financeira e operacional de um hotel. Ao antecipar falhas, reduzimos custos corretivos, evitamos paradas inesperadas e cuidamos da experiência do hóspede.

Além disso, mantém os ativos operando dentro dos parâmetros ideais, prolongando sua vida útil, preservando investimentos e postergando Capex para essa finalidade. Cada dia mais nos empreendimentos, principalmente em hotéis de alto padrão, a manutenção deixa de ser apenas técnica e passa a ser uma ferramenta de gestão de riscos, controle de custos e geração de valor para o negócio.

HN: De que forma a área de Manutenção pode impactar de forma direta tanto na experiência quanto na satisfação do hóspede? 

RB: A manutenção impacta diretamente a experiência do hóspede ao garantir conforto, segurança e confiabilidade em cada ponto de contato: da climatização ao funcionamento dos apartamentos e áreas comuns. Quando bem executada, ela é invisível e silenciosa; quando falha, se torna imediatamente perceptível.

O hóspede nem sempre consegue mensurar a manutenção de forma natural, mas percebe seus efeitos o tempo todo. Por isso, a área deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica, atuando como um dos principais pilares da satisfação core metrics, da reputação e da fidelização em hotéis de alto padrão.

HN: Como a área lida com a evolução de práticas de sustentabilidade e eficiência energética entrando no planejamento? Qual a melhor maneira do profissional de manutenção se preparar e como você avalia isso hoje no seu cotidiano?

RB: A área de manutenção tem incorporado práticas de sustentabilidade e eficiência energética de forma cada vez mais estruturada ao planejamento, atuando não apenas na execução, mas na concepção dos projetos. Na prática, isso significa avaliar cada iniciativa sob três pilares: desempenho operacional, impacto ambiental e viabilidade financeira ao longo do ciclo de vida dos ativos.

Um exemplo claro na minha operação é o projeto da lavanderia. Desde o início, ele foi desenhado internamente, com total controle sobre processo, tecnologia e indicadores. Isso permitiu unir sustentabilidade, com redução de consumo de água, energia (elétrica e gás) e insumos a ganhos financeiros concretos, garantindo a melhor gestão possível sobre esse investimento e previsibilidade operacional. Quando o projeto nasce integrado à engenharia/ manutenção, a pauta ESG deixa de ser um custo e passa a ser um vetor de eficiência e resultado.

Por outro lado, nem todas as iniciativas no mercado avançam com a mesma fluidez. Existem projetos que enfrentam desafios para atingir a mesma eficiência e resultado. ESG é um tema que ainda necessita de aprimoramento & estudo para lidar com outros fatores, como custo operacional, logística, dependência de terceiros e a ausência de incentivos econômicos claros, o que dificulta escalar ou sustentar ações ao longo prazo. Esses casos mostram que sustentabilidade, quando não vem acompanhada de estrutura, governança e retorno mensurável, tende a perder tração na operação.

No cotidiano, o papel da manutenção é justamente equilibrar essas duas realidades: Dando vazão em priorizar projetos onde é possível medir impacto, controlar variáveis e gerar valor para o negócio, sem perder de vista iniciativas ambientais e sociais que reforçam a reputação da marca. O desafio não está em escolher entre ESG e resultado financeiro, mas em criar modelos onde ambos caminhem juntos de forma consistente e sustentável.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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