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O novo momento da Marriott no Brasil

A retomada da hotelaria recolocou o Brasil no radar da Marriott International. Depois de anos de expansão pontual no país, a companhia estruturou uma equipe dedicada de desenvolvimento, iniciou um novo ciclo de assinaturas e passou a negociar marcas inéditas para o mercado brasileiro. E isso é só o começo, garante Paulo Mancio em entrevista exclusiva ao Hotelier News.

Anunciado no fim de janeiro deste ano, após passagem pela CBRE, o vice-presidente de Desenvolvimento da Marriott no Brasil afirma que esse novo approach – mais brasileiro do que nunca – representa um ponto de inflexão importante para a expansão da gigante norte-americana no país.

“A hotelaria brasileira é majoritariamente doméstica, de brasileiros para brasileiros. Então, de fato, faltava um pouco disso: o nosso jeito e networking para fazer negócios, o que exige essa proximidade. A empresa crescia no mundo inteiro e o último grande território que faltava esse impulso era aqui. Agora não mais”, afirma Mancio.

“Entramos definitivamente no jogo, com uma marca forte, falando português, dando a cara brasileira, com autonomia e um único fee para facilitar tudo para os investidores brasileiros”, acrescenta o executivo, destacando as assinaturas recentes com a Fábrica de Hotéis (The Westin e City Express) e Justa & UTG Empreendimentos (City Express), além da Ecoville Resorts Sociedade de Propósito Específico S.A (The Westin).

Agora, a confiança do discurso de Mancio não se sustenta apenas na “abrasileirização” da Marriott. O executivo entende que o ciclo de desenvolvimento de hotéis no Brasil ganha tração e que uma das fortalezas desse cenário é a boa performance do setor, que é uma das classes de ativos imobiliários que apresentou a recuperação operacional mais consistente no pós-pandemia, impulsionada pelo crescimento das diárias, do RevPAR e da rentabilidade dos empreendimentos..

“A performance dos nossos hotéis está muito boa e os investidores estão satisfeitos, buscando novas oportunidades. Em paralelo, estão conversando com outros stakeholders para acelerar nossa expansão”, revela o executivo. “Outra ferramenta muito forte de atração de negócios é o Marriott Bonvoy, que tem milhões de membros e gera ocupação qualitativa, com margens melhores. É bom para o investidor e para o operador”, completa.

Greenfield em pauta?

Nos últimos anos, uma figura outrora sumida da hotelaria nacional voltou à cena — ou seria às compras? Como mostrou o Hotelier News em matéria recente, o investidor institucional foi o principal protagonista no recente ciclo de aquisições de hotéis no mercado brasileiro. Agora, estaria esse stakeholder também olhando para projetos greenfield?

Marriott - novo momento no Brasil - Paulo Mancio
Mancio: volumetria virá mais com a marca City Express

Segundo Mancio, a mira desse tipo de investidor está mais voltada para projetos multiuso com branded residences. “Parte disso porque as melhores oportunidades de venda de hotéis já estão escassas. E, claro, todos eles também estão apostando em um Brasil melhor. Então, estamos conversando com o capital institucional internacional e ouvindo deles que ‘estão atrasados'”, comenta.

“Estamos educando também esse investidor, ajudando-o a entender onde estamos no ciclo e qual é o seu tamanho. Por exemplo, acredito que a era em que o custo de reposição era inferior ao preço de um novo projeto está acabando. Há investidor que não quer vender o ativo, porque ele está performando melhor do que outras classes”, avalia. “A hotelaria está mais resiliente em termos de ocupação. No nosso caso, existe um mix amplo de segmentos de clientes se hospedando”, continua.

Então, diante de todo esse cenário, como vai se dar a expansão da Marriott? Onde haverá maior volume? De acordo com o executivo, a hotelaria econômica e midscale será o motor desse desenvolvimento — leia-se, City Express.

“A bandeira tem cinco variações de marca, e todas cabem em praças secundárias e terciárias no país, tudo por meio de franquias”, diz.

E, nessa avenida de crescimento, Mancio explica que o perfil majoritário será de investidores regionais. “Serão pequenos grupos de investidores, formados por até 10 cotas, por meio de estruturas societárias como SPEs (Sociedades de Propósito Específico) ou SCPs (Sociedades em Conta de Participação). Acho que esse modelo é uma tese bem resolvida para um hotel de 100 UHs nessa categoria.”

Por fim, para operar essas unidades, a Marriott tem como parceiros empresas como Hotéis Deville e Hotelaria Brasil, além da Atlantica Hospitality International, uma novidade nesta lista. “A Atlantica operará hotéis econômicos e midscale“, releva Mancio. “Em relação às unidades upscale, a depender da localização, podemos deixar com esses parceiros, mas o luxo não abrimos mão de fazer a gestão”, finaliza.

(*) Crédito das fotos: Divulgação/Marriott International

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