Apesar da rotina intensa dividida entre a gestão hoteleira e os estudos de Direito, Shandler Campos, diretor geral da rede OLT (Oscar Hotéis), procura reservar tempo para atividades que ampliam sua visão de mundo e ajudam a manter o equilíbrio. A leitura é uma delas. O executivo costuma se dedicar a obras sobre governança corporativa, liderança, relações humanas e Direito Internacional. No momento, está lendo livros voltados à responsabilidade dos Estados e às transformações da sociedade contemporânea.
Entrevistado de hoje (22) no Três perguntas para, Campos também tem o esporte como um de seus principais hobbies. O tênis é uma paixão porque, segundo ele, exige estratégia, disciplina e rapidez na tomada de decisões — características igualmente presentes na hotelaria. Nas viagens, aproveita para conhecer a cultura e a gastronomia dos destinos, observando como cada local constrói sua identidade e proporciona experiências aos visitantes.
Acadêmico do 8º período de Direito na Funorte (Faculdades Unidas do Norte de Minas), Campos desenvolveu sua carreira paralelamente na hotelaria. Iniciou a trajetória na recepção dos hotéis Oscar Econômico e Oscar Gold, da Oscar Hotéis, vivenciando a operação na linha de frente. Posteriormente, passou pela Intercity Hotels, experiência que ampliou sua visão sobre padrões de atendimento, processos e gestão.
Desde o ano passado, ocupa o cargo de diretor geral da Oscar Hotéis. “Acredito muito na liderança pelo exemplo e na construção de resultados sustentáveis por meio das pessoas”, afirma o executivo, que conversa com o Hotelier News sobre a expansão do portfólio da rede. Confira!
Três perguntas para: Shandler Campos
Hotelier News: Muitas redes anunciam expansão, mas nem todas conseguem transformar crescimento em rentabilidade. Como a Oscar Hotéis define o ritmo ideal de expansão para evitar perda de eficiência operacional ou diluição de resultados?
Shandler Campos: Na Oscar Hotéis, acreditamos que crescimento não pode ser confundido com volume. Crescer, para nós, significa gerar valor de forma sustentável para investidores, colaboradores, hóspedes e para as comunidades onde estamos inseridos. Por isso, cada movimento de expansão é precedido por uma análise criteriosa da capacidade operacional da rede, da maturidade das unidades existentes e do suporte que conseguimos oferecer a cada empreendimento.
Nossa filosofia é simples: primeiro consolidar resultados, depois avançar. Investimos fortemente em governança, padronização de processos e desenvolvimento de pessoas para garantir que a experiência do hóspede e a eficiência da operação sejam preservadas independentemente do número de hotéis. A expansão precisa acontecer no ritmo da excelência, e não apenas no ritmo da oportunidade.
HN: O equilíbrio entre venda direta e OTAs continua sendo um dos grandes desafios da hotelaria. Como a Oscar trabalha para reduzir dependências sem abrir mão da visibilidade proporcionada por esses canais?
SC: As OTAs desempenham um papel fundamental na estratégia de distribuição da hotelaria moderna e entendemos isso com muita clareza. O desafio não está em combatê-las, mas em construir um ecossistema comercial equilibrado, no qual cada canal cumpra seu papel dentro da estratégia de receita.
Na Oscar, buscamos fortalecer continuamente os canais diretos por meio da construção de relacionamento, experiência do cliente e inteligência comercial. Investimos em presença digital, otimização dos canais próprios e ações de fidelização, sempre utilizando dados para entender melhor o comportamento do nosso público. O objetivo é aumentar gradualmente a participação da venda direta sem perder a visibilidade e o alcance proporcionados pelos grandes distribuidores online.
Acreditamos que o futuro está na integração inteligente dos canais e na capacidade de transformar cada interação em uma oportunidade de relacionamento de longo prazo com o hóspede.
HN: Quando a Oscar Hotéis olha para os próximos cinco anos, o que será mais importante: aumentar o número de unidades, ampliar presença geográfica ou elevar a rentabilidade dos ativos já existentes? Por quê?
SC: Se eu tivesse que escolher uma prioridade, diria que a rentabilidade dos ativos continuará sendo o principal indicador de sucesso. O crescimento em número de unidades e a expansão geográfica são consequências naturais de uma operação saudável e bem estruturada, mas não podem ser objetivos isolados.
Nosso foco é transformar cada empreendimento em um ativo cada vez mais competitivo, eficiente e valorizado. Isso significa trabalhar gestão de receitas, controle de custos, posicionamento de mercado, experiência do cliente e fortalecimento da marca. Quando conseguimos entregar resultados consistentes para os hotéis que já fazem parte da rede, criamos as condições ideais para crescer de forma sustentável.
A hotelaria brasileira vive um momento extremamente interessante, especialmente em mercados regionais como o Norte de Minas Gerais. Queremos continuar aproveitando essas oportunidades, mas sempre com disciplina, planejamento e foco na geração de valor de longo prazo.
(*) Crédito da foto: Divulgação











