A CVC Corp inicia um projeto-piloto com consultores de vendas remotos em cidades com menos de 20 mil habitantes, uma estratégia que, segundo a empresa, pode representar 20% das vendas em 2027.
A iniciativa faz parte da reestruturação da companhia, iniciada em 2023, que priorizou lojas físicas menores e o modelo figital — a integração entre canais digitais e físicos para geração de leads direcionados às franquias. Agora, a empresa testa consultores remotos para aumentar a presença em cidades pequenas sem lojas físicas.
O piloto será realizado em 10 municípios de 10 estados, com 20 a 40 consultores cobrindo localidades entre 3 mil e 20 mil habitantes. Os profissionais estarão vinculados a franquias e receberão remuneração por comissão. A meta é ultrapassar 10 mil consultores em 2026.
“Nossa inspiração foi o Grupo Boticário. Queremos ter presença nos mais de 5,5 mil municípios do Brasil. E esses consultores vão ser distribuídos no raio das cidades onde ainda não é viável ter uma loja física”, afirma Fabio Godinho, CEO da CVC Corp., ao NeoFeed.
Loja física, digital e expansão enxuta
Após assumir a operação pela terceira vez, Godinho revisou a estratégia de expansão da CVC Corp. O modelo anterior, centrado em franquias de 150 metros quadrados (m²) nos grandes centros e investimento médio de R$ 350 mil, deu lugar a lojas menores, de 25 m², com custo médio de R$ 50 mil.
Com a adoção do figital, os leads digitais passaram a ser captados online e direcionados às franquias mais próximas, aumentando o alcance da marca. “Viramos nosso canhão de marketing do offline para o online. Hoje, o digital já representa 56% da venda das lojas”, afirma Godinho.
Essa estratégia permitiu reduzir o tamanho mínimo das cidades-alvo de 100 mil para 20 mil habitantes, abrindo caminho para os consultores remotos, que vão atender localidades ainda não cobertas por franquias.
“Vamos entrar primeiro no ‘Brasilsão’. A ideia é começar pela ponta, de fora para dentro. Depois disso, iremos em direção às capitais”, explica Emerson Belan, vice-presidente de B2C da CVC Corp.
Como funcionará o piloto
O piloto vai incluir municípios próximos às franquias existentes, como cidades do Espírito Santo e de Minas Gerais. Cada consultor remoto poderá atender de um a quatro municípios, dependendo do porte da localidade.
“No primeiro desenho que fizemos, nossa projeção é chegar a mais de 10 mil consultores no ano que vem. E acreditamos que, em 2027, esse modelo pode representar quase 20% das vendas da companhia”, diz Belan.
Os consultores não serão funcionários diretos da CVC, mas das franquias. Eles terão acesso aos leads digitais gerados para a unidade e receberão 40% a 50% da comissão sobre cada venda realizada.
Resultados financeiros e desafios do mercado
Apesar do avanço operacional e da redução da dívida, a CVC ainda enfrenta desafios financeiros e ceticismo do mercado. No 2º trimestre, o grupo registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 15,9 milhões, ante R$ 4,8 milhões no mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o Ebitda ajustado cresceu 31,3%, para R$ 92,3 milhões, e a receita líquida avançou 16,3%, atingindo R$ 341,8 milhões.
A dívida líquida caiu para R$ 399,7 milhões, ante R$ 555 milhões, e a alavancagem recuou de 1,6 vez para 0,9 vez. Apesar disso, analistas do BTG Pactual mantêm recomendação neutra devido às despesas financeiras ainda elevadas e à competição crescente com as OTAs.
“Quando chegamos, em 2023, o risco de liquidez era iminente. Hoje, somos uma empresa absolutamente líquida”, afirma Godinho. Ele cita o pré-pagamento de R$ 150 milhões em debêntures, antes do vencimento previsto para 2026.
“Tem muita coisa acontecendo no macro. Estamos focados em melhorias internas, tanto financeiras, quanto estratégicas e operacionais. Hoje, a CVC é uma das molas mais espremidas da bolsa. Mas tenho certeza de que uma hora isso vai virar e o mercado vai dar o devido valor a esses esforços”, conclui o CEO.
(*) Crédito da foto: Divulgação/CVC Corp















