A adoção de IA (inteligência artificial) no STR (short-term rental) começa a revelar um novo desafio para as empresas do setor: o custo crescente da tecnologia. Embora ainda tratado como investimento estratégico, o gasto mensal, já na casa das dezenas de milhares de dólares, levanta questionamentos sobre sustentabilidade financeira e retorno no médio prazo. As informações são do Phocuswire.
Durante a Short Stay Summit, realizada nesta semana em Londres, executivos discutiram como a escalada desses custos pode redesenhar a dinâmica do mercado. Steve Schwab, fundador e CEO da Casago, e Graham Donoghue, CEO do Forge Holiday Group, destacaram que, apesar do entusiasmo em torno da IA, investidores que já aportaram bilhões no desenvolvimento dessas plataformas devem pressionar por resultados.
Donoghue revelou que sua empresa está próxima de desembolsar entre US$ 30.000 e US$ 50.000 por mês com a Anthropic apenas em tokens — o que já o leva a considerar a criação de uma função específica na área financeira para otimizar esses gastos. Schwab, por sua vez, aponta para o surgimento de uma nova lógica econômica. “Atualmente, os tokens provavelmente representam de 20% a 30% do custo necessário para cobrir esse ciclo de computação. Chegaremos a uma situação em que os investidores dirão: ‘precisamos gerar lucro’, e o custo computacional para executar esses ciclos será realmente muito alto”.
O executivo acrescenta que existem caminhos para tornar esse modelo mais viável, mas alerta para limitações estruturais. “Existem maneiras de otimizar isso, você começa a pensar em arbitragem e em diferentes formas de viabilizar isso. Mas, a menos que haja uma mudança profunda na forma como a arquitetura da IA funciona, teremos dificuldades para torná-la acessível a todos”, completou Schwab.
Retorno e aplicações práticas
Apesar do avanço dos custos, empresas do setor já começam a capturar ganhos operacionais relevantes com o uso da IA. No Forge Holiday Group, a tecnologia foi inicialmente aplicada em tarefas repetitivas, como edição de imagens e transcrição de chamadas, mas evoluiu para funções mais estratégicas.
Um dos exemplos citados por Donoghue é a ferramenta Vivid Stay, desenvolvida internamente para transformar imagens estáticas de propriedades em vídeos com qualidade semelhante a filmagens de drone. “A IA faz isso por nós; leva 25 minutos. Antes, provavelmente custaria US$ 2.000 ou US$ 3.000 para fazer isso”, afirmou.
Segundo o executivo, o uso da tecnologia também já alcança “processos algorítmicos complexos”, reduzindo atividades que antes levavam semanas ou meses para poucos dias.
Aprendizados e limitações
A implementação da IA, no entanto, não ocorre sem fricções. Donoghue reconhece que houve falhas ao longo do processo, incluindo a expectativa de que ferramentas como busca conversacional teriam maior adesão dos usuários — algo que ainda não se confirmou.
Outro desafio está na adaptação cultural das equipes. “Fiquei bastante irritado como CEO quando as pessoas não conseguiam enxergar o futuro como eu. Esperava que, se déssemos as ferramentas necessárias, elas as adotariam, mas em muitos casos tivemos que dizer que isso era inegociável. Culturalmente, isso foi difícil.”
Do lado da Casago, Schwab destaca dificuldades relacionadas à estruturação de dados, o que impactou a qualidade dos resultados. Além disso, iniciativas voltadas diretamente ao cliente têm apresentado mais obstáculos do que aquelas aplicadas internamente.
O executivo também faz um alerta para operadores de menor porte: “Não perca muito tempo desenvolvendo algo que você acha que poderá ser útil no futuro. Vemos pessoas chegando a 80% do código e simplesmente não conseguindo finalizá-lo por falta de acesso à API ou aos dados necessários. Às vezes, é uma perda de tempo criar esses códigos interessantes sem um engenheiro para concluir os 10% finais”.
Impacto no modelo de distribuição
No horizonte mais amplo, a IA pode provocar mudanças profundas na forma como o setor se organiza, especialmente na distribuição. Para os executivos, há espaço para um movimento de desintermediação, impulsionado por novas formas de busca e interação com o consumidor.
“Acredito sinceramente que um desses grandes modelos encontrará uma nova forma de monetizar isso e oferecer muito mais relevância. Haverá grupos de consumidores que se sentirão tão à vontade usando IA que ela acabará eliminando a necessidade de intermediários entre os grandes players do mercado”, afirmou Donoghue.
Schwab segue a mesma linha ao projetar uma ruptura no domínio das OTAs. “Acho que tem alguém por aí trabalhando em um código que vai desbancar o domínio das OTAs. Há muito tempo que observamos as OTAs e nos perguntamos como alguém vai conseguir competir com isso. Alguém está pensando em buscas de uma forma que ninguém está discutindo, e isso muda completamente o jogo das buscas de uma maneira que não podemos imaginar até vermos acontecer.”
(*) Crédito da foto: Hotelier News















