sábado, 25/abril
InícioNEGÓCIOSMercadoO segredo do hotel que virou referência global
Slaviero hospitalidade

O segredo do hotel que virou referência global

O viajante de alto padrão tem ampliado suas exigências ao escolher um hotel: busca discrição, mas também senso de pertencimento; espera excelência no atendimento sem abrir mão do acolhimento; e valoriza experiências genuínas aliadas à segurança. Esse perfil, segundo Hugo Montanari, está no centro da estratégia do Rosewood Hong Kong, eleito o melhor hotel do mundo pelo The World’s 50 Best Hotels em 2025, aponta o Valor Econômico.

Em visita a São Paulo, onde apresentou o empreendimento a agências de viagem e conheceu o Rosewood São Paulo, 24º colocado no mesmo ranking, o diretor geral detalha como tem estruturado a operação para atender esse público. Uma das frentes prioritárias, segundo o executivo, é a valorização da experiência percebida pelo hóspede. “Não basta dizer que é luxo e cobrar US$ 3 mil por uma diária”, afirma. “O serviço precisa ser excepcional. Temos, por exemplo, 45 mordomos para atender as 413 acomodações e conseguimos criar uma experiência de um a um para os hóspedes.”

A proposta também envolve repensar o conceito de privacidade na hotelaria de luxo. “O hóspede quer ter uma forte sensação de privacidade ao viajar. Quer se sentir parte de algo, mas também ficar sozinho. Cada andar do hotel é uma experiência diferente, o que permite que o cliente se sinta único em todas as camadas e tenha contato individual com a equipe”, reforça.

Essa estratégia se reflete diretamente na política de preços e na ocupação. “Praticamos tarifas 20% superiores às de outros hotéis da mesma categoria na cidade e temos ocupação média de 75%. Todos os dias, eu e a equipe precisamos garantir que o hóspede perceba valor em cada momento da estada, para que nada seja visto como caro.”

Apesar do posicionamento elevado, as diárias do cinco estrelas partem de cerca de US$ 650, variando conforme a temporada — valor inferior ao de hotéis equivalentes na Europa. O impacto aparece no desempenho financeiro. “Isso se reflete no nosso resultado. Quando cheguei, há três anos e meio, alimentos e bebidas respondiam por 65% do faturamento”, diz Montanari.

Hoje, a composição mudou. Segundo o executivo, as acomodações passaram a representar 65% do total — um indicador positivo, já que a margem de lucro é maior nos quartos. O spa também ganhou relevância na geração de receitas.

A ascensão ao topo do ranking internacional coroou uma trajetória recente. Após ocupar a segunda e a terceira posições nos anos anteriores, o hotel alcançou o primeiro lugar em 2025, em votação que reuniu cerca de 800 especialistas, viajantes e jornalistas de diversos países.

O empreendimento

Instalado em 43 dos 63 andares de um edifício de 270 metros, com vista para o skyline e o porto de Hong Kong, o hotel consolidou sua identidade sob a liderança de Montanari, que assumiu o projeto em 2022. Formado pela École Hôtelière de Lausanne, o executivo acumula mais de duas décadas de experiência em hotelaria de luxo, com passagens por grupos como Fairmont Hotels & Resorts e The Ritz-Carlton Hotel Company, além de ter liderado o resort Jayasom, em Ibiza.

Hugo Montanari
Gerente ressalta importância de integrar hotel e destino

Em sua primeira visita ao Brasil, Montanari afirma ter vindo em busca de referências locais. “Cultivamos esse senso de lugar. O Rosewood está integrado a Hong Kong de várias formas, com valorização da arte, da cultura, da gastronomia e de experiências na cidade — assim como o hotel de São Paulo. O trabalho feito aqui repercute positivamente em toda a rede”, afirma.

A proximidade com Sonia Cheng, CEO da rede, facilita a implementação de novas ideias, segundo o executivo. A companhia, que reúne 58 hotéis de luxo, pertence ao conglomerado Chow Tai Fook Enterprises, controlado pela família do bilionário Henry Cheng. Embora notícias recentes tenham apontado uma possível venda de ativos para reforço de caixa do grupo New World Development, a informação foi negada. Avaliado em US$ 2,04 bilhões, o Rosewood Hong Kong segue como ativo estratégico.

O reconhecimento internacional também alterou o perfil do público. Antes da premiação, a clientela era majoritariamente chinesa. “Cerca de 80% dos hóspedes eram chineses. Agora, Brasil, México, Estados Unidos, Rússia e Oriente Médio fazem parte do mix, chegando a 45% do total”, afirma.

A gastronomia, assim como em outros empreendimentos da rede, é outro pilar da operação. O hotel abriga 11 restaurantes e bares, dois deles com estrela Michelin, cada um com identidade própria. “Cada restaurante e bar tem seu próprio gerente, chef e equipe, além de canais distintos de comunicação e marketing para preservar sua identidade”, diz o executivo.

O fluxo de brasileiros também tem crescido, impulsionado pelo interesse no Sudeste Asiático e no Japão. “Eles estão viajando mais para essa região, especialmente para o Japão. Hong Kong é um ótimo ponto de partida ou de encerramento da viagem, com excelentes conexões. O aeroporto é um hub muito eficiente, com três pistas principais”, afirma.

Fatores geopolíticos recentes também têm influenciado a demanda. Segundo Montanari, trata-se de um cenário negativo, com expectativa de normalização. “Dito isso, Hong Kong tem registrado aumento significativo como destino. As pessoas não deixaram de viajar — apenas buscam rotas alternativas ou vêm diretamente para cá.”

O segmento corporativo acompanha esse movimento. Em março, houve aumento de 53% nos viajantes de negócios; em abril, o crescimento se manteve. Executivos de setores como indústria têxtil, automotiva, financeira e logística passaram a frequentar o hotel com maior frequência.

Para reforçar a conexão com o destino, o empreendimento investe em experiências fora de suas instalações, com apoio de “embaixadores culturais”. Hong Kong reúne hoje mais de 76 restaurantes com estrela Michelin, além de uma cena vibrante de street food, apontada como outro grande atrativo.

A segurança, por fim, aparece como um dos pilares do destino. “Andar nas ruas de Hong Kong é muito seguro. Meus filhos, de 13 e 14 anos, usam transporte público sozinhos. Hoje, a segurança é um fator fundamental na decisão de viagem”, conclui.

(*) Crédito das fotos: Divulgação

Resort Comandatuba
Realgems ameneties