Uma nova radiografia do mercado de férias compartilhadas no Brasil foi apresentada na segunda edição da pesquisa Hábitos de viagens de lazer dos compradores de férias compartilhadas no Brasil, durante a programação da Adit Share 2025, em Foz do Iguaçu (PR). O levantamento foi desenvolvido pela Caio Calfat Real Estate Consulting em parceria com a Mapie Consultoria.
A pesquisa, apresentada à distância por Carolina Sass de Haro, managing partner da Mapie, traz uma análise aprofundada sobre o comportamento de quem investe em multipropriedade, timeshare ou clubes de férias, oferecendo subsídios para aprimorar estratégias comerciais e de experiência do cliente.
Com 402 respondentes da base de adquirentes e 436 não adquirentes, a amostra nacional contou com alta representatividade regional e um nível de confiança de 90%, com margem de erro de 3,5%. O perfil predominante entre os compradores é composto majoritariamente por homens (71%), com idades entre 40 e 69 anos, pertencentes às classes A e B, residentes principalmente no Sudeste (68%). Esses consumidores geralmente possuem imóveis próprios quitados (76%), têm entre um e dois filhos, e são, em sua maioria, proprietários de negócios, aposentados ou servidores públicos.
Do ponto de vista financeiro, 54% dos respondentes têm renda familiar entre R$ 7 mil e R$ 22 mil, enquanto 27% recebem entre R$ 22 mil e R$ 40 mil.
Como eles viajam
Na explanação durante a Adit Share, Carolina pontuou que os adquirentes de férias compartilhadas apresentam padrões de consumo mais robustos em comparação ao viajante médio brasileiro. Quase metade (49%) realiza de duas a três viagens por ano, e a duração média dessas viagens é superior: 43% ficam de seis a 10 dias no destino, contra uma média nacional inferior a cinco dias. Além disso, o gasto médio por viagem chega a ser 60% superior ao do público geral.

“Temos observado que o comportamento do viajante que compra uma multipropriedade está bem alinhado com o do viajante convencional. O que muda, realmente, é o gasto e a duração da viagem”, pontuou a executiva da Mapie.
Destinos de sol e praia são a preferência de 89% dos entrevistados, seguidos por serras e montanhas (58%) e cidades históricas (25%). O Nordeste lidera como destino favorito, com destaque para lugares como, Porto de Galinhas, Fernando de Noronha (PE) e Natal. O segundo colocado no ranking de destinos é Gramado (RS).
Entre os motivos para viajar, o relaxamento lidera (81%), seguido por conhecer novos lugares (72%) e celebrar momentos (55%). Os filhos têm papel importante nas decisões: 41% dos entrevistados dizem que os filhos influenciam diretamente na escolha da viagem.

Segundo Carolina, as pessoas continuam buscando por lazer e novas experiências, e isso se reflete no mercado de modo geral. “A maioria dos entrevistados já teve algum contato, mesmo que inicial, com produtos de timeshare e multipropriedade. E isso desperta curiosidade, gera desejo de vivenciar aquilo”, acrescentou, durante a apresentação na Adit Share.
Como reservam, viajam e se hospedam
A maioria dos adquirentes, segundo a pesquisa apresentada na Adit Share, realiza reservas diretamente com fornecedores (49%), seguidos pelas intercambiadoras como a RCI (43%), que também foi a principal base utilizada na pesquisa. Isso contrasta com o comportamento do público geral, que prefere OTAs.
Na hospedagem, 49% preferem hotéis quatro estrelas, e 18%, resorts, sendo o preço, localização e qualidade percebida os critérios mais valorizados. Curiosamente, 30% dos entrevistados não lembram ou não sabem citar uma marca hoteleira preferida, embora a Accor tenha aparecido como a mais mencionada espontaneamente.
Preferências, motivações e desafios
Entre os modelos de férias compartilhadas, o clube de benefícios é o mais conhecido (59%), mas a multipropriedade mostra força crescente: 48% dos respondentes possuem ao menos uma fração em empreendimentos no Nordeste (43%) ou Sul (42%). Apenas 26% possuem timeshare.
A motivação para aquisição gira em torno da possibilidade de viajar para destinos brasileiros (62%), seguido da recorrência a um destino favorito (49%) e da possibilidade de viajar para o exterior (61%).
Quanto à propriedade, 51% dos multiproprietários possuem apenas uma fração, e 66% têm cota em apenas um empreendimento. As marcas mais citadas incluem RCI, Aviva, Beach Park, Gramado Parks e Hard Rock.
A satisfação geral é alta, e o NPS (Net Promoter Score) subiu de 15 para 29, indicando avanço na qualidade da entrega. O principal ponto de insatisfação, no entanto, continua sendo a taxa de manutenção/condomínio.
Insights estratégicos para o setor
O estudo reforça que o mercado de férias compartilhadas no Brasil está em evolução contínua. A multipropriedade se consolida como modelo de destaque, com bom índice de satisfação e perfil de consumidor exigente, que valoriza experiência, conforto e flexibilidade.
Para os empreendedores do setor, a pesquisa traz um alerta: entender profundamente o comportamento de compra e viagem é essencial para desenhar produtos mais aderentes, reduzir cancelamentos e aumentar o valor percebido. Ao mesmo tempo, conhecer os motivos que levam os não compradores a recusar propostas é igualmente estratégico para o crescimento sustentável.
(*) Crédito da capa: Lucas Barbosa/Hotelier News
(**) Crédito da foto: Arquivo Pessoal
(***) Crédito do infográfico: Divulgação/Mapie Consultoria















