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Brasil avança em IA soberana, mas enfrenta barreiras

O Brasil ainda está em estágio inicial na adoção de IA (inteligência artificial) soberana, mas a maioria das organizações públicas pretende avançar com investimentos na área nos próximos meses. É o que aponta o estudo Building a Sovereign AI Foundation for Government, conduzido pela IDC e patrocinado pela Dell Technologies.

Segundo o levantamento, divulgado pela Forbes Brasil, 61,1% das organizações governamentais brasileiras não utilizam atualmente soluções de IA soberana, mas planejam investir na tecnologia nos próximos 12 a 18 meses. O índice está próximo da média global, de 60,5%.

O estudo foi realizado no quarto trimestre de 2025 com mais de 250 tomadores de decisão de TI governamental de seis países: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido e França.

O que é IA Soberana?

O conceito envolve o desenvolvimento de infraestrutura, modelos e operações de IA sob controle nacional, incluindo data centers locais, GPUs e modelos de linguagem treinados dentro do próprio país. O tema ganhou força no Brasil após o lançamento do PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) 2024-2028, coordenado pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), além da apresentação da plataforma SoberanIA, em Brasília.

Apesar da intenção de investimento, o avanço ainda é limitado na prática. Apenas 8,3% das organizações brasileiras afirmam investir de forma significativa em tecnologias de IA soberana, abaixo da média global de 15,5%.

“O desafio está em transformar pilotos em operações reais, escaláveis e sustentáveis”, afirma Vicente Moliterno, diretor de Setor Público da Dell Technologies no Brasil. Para ele, o avanço da IA soberana no país depende da formação de talentos e da integração entre empresas, universidades e setor público.

“O Brasil precisa acelerar a capacitação em áreas como IA, cibersegurança, nuvem e governança de dados”, diz o executivo.

Entre os principais obstáculos apontados pelas organizações brasileiras, estão:

  • Custos de infraestrutura;
  • Segurança;
  • Compliance regulatório.

Segundo a pesquisa, 41,7% dos entrevistados no Brasil demonstram preocupação com esses fatores, acima da média global de 31,4%.

A complexidade técnica também aparece como entrave relevante. Mais da metade dos respondentes brasileiros (52,8%) afirmam que a ausência de suporte especializado e a dificuldade de gestão dos ambientes de IA soberana estão entre as principais preocupações.

Outro desafio envolve a escassez de profissionais qualificados. A falta de mão de obra especializada em IA soberana foi citada por 44,4% das organizações brasileiras, enquanto 75% relataram dificuldade na contratação de especialistas em cibersegurança.

Obstáculos e futuro

O levantamento também mostra preocupação crescente com a dependência de fornecedores estrangeiros. No Brasil, 44,4% das organizações afirmam que reduzir a dependência externa em sistemas críticos de IA é uma das principais metas estratégicas, percentual superior aos 28,3% registrados globalmente.

Além da autonomia tecnológica, as organizações brasileiras também associam a IA soberana à preservação cultural e linguística. Segundo a pesquisa, 41,7% dos entrevistados consideram prioritário desenvolver soluções alinhadas ao português brasileiro e aos contextos culturais locais, acima da média global de 33,7%.

A pesquisa ainda identificou resistência à adoção de IA agêntica, que já ganhou espaço em diversas vertentes do setor hoteleiro, como atendimentogestão e reservas. No Brasil, metade das organizações consultadas afirma não ter planos de investir nesse tipo de solução, índice acima da média global, de 35,7%.

Entre os retornos esperados com a implementação da IA soberana, o principal destaque no Brasil está ligado à segurança nacional e à proteção de infraestrutura crítica. O tema foi citado por 63,9% das organizações brasileiras, acima dos 53,9% registrados globalmente.

(*) Crédito da foto: Magnific

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