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Do operacional ao estratégico: o perfil e os desafios do novo gerente geral da hotelaria

Com base nas minhas experiências como profissional de hotelaria e professor de disciplinas do setor eu resolvei fazer uma análise das competências centrais, as exigências de mercado e as transformações necessárias para a liderança hoteleira contemporânea.

Historicamente, a trajetória para se tornar Gerente Geral (GG) de um hotel seguia um roteiro previsível: anos de vivência no front office, uma passagem sólida por Alimentos & Bebidas (A&B) e a maestria no acompanhamento detalhado dos processos operacionais. Embora o conhecimento técnico do “chão de fábrica” permaneça relevante, o mercado hoteleiro atual exige uma mudança profunda no papel do executivo principal da propriedade.

O Gerente Geral contemporâneo deixou de ser prioritariamente um supervisor de processos para se tornar um orquestrador estratégico, analista de dados e gestor de cultura humana.

O Perfil Exigido: Competências Essenciais do Novo GG

As transformações nos hábitos dos viajantes, o avanço da tecnologia e a volatilidade econômica reconfiguraram o conjunto de habilidades (skillset) do executivo do setor.

1. Fluência em Dados e Visão Financeira Expandida

A gestão baseada no “faro hoteleiro” deu lugar às decisões orientadas por dados (data-driven). O novo GG domina métricas avançadas que vão além da taxa de ocupação e da diária média (ADR), conectando o RevPAR ao GOPPAR (Lucro Operacional Bruto por Apartamento Disponível) e ao TrevPAR (Receita Total por Apartamento Disponível). Ele dialoga fluentemente com investidores e fundos imobiliários, alinhando a operação à rentabilidade dos ativos.

2. Liderança Empática e Gestão Multigeracional

A retenção de talentos e a integração de diferentes gerações na equipe destacam-se como prioridades operacionais. Com uma força de trabalho diversa — desde os profissionais mais experientes até os jovens da Geração Z —, o novo líder precisa adotar a escuta ativa, oferecer jornadas flexíveis quando possível e construir um ambiente focado em propósito e pertencimento.

3. Agilidade Digital e Curadoria Tecnológica

Saber quais ferramentas adotar — de motores de inteligência artificial aplicados à precificação dinâmica a sistemas de automação de check-in e autoatendimento — é parte fundamental da rotina. O objetivo do novo GG não é substituir o toque humano pela automação, mas usar a tecnologia para eliminar burocracias e liberar as equipes para o que realmente importa: a hospitalidade autêntica.

4. Sustentabilidade e Compromisso ESG

A agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) deixou de ser um diferencial de marketing para se tornar um pré-requisito operacional e financeiro. Investidores, marcas globais e hóspedes exigem práticas concretas de eficiência energética, gestão de resíduos, apoio às comunidades locais e diversidade nos quadros de liderança.

Os Maiores Desafios da Nova Era Hoteleira

  • Atração e Retenção de Talentos: Diante da escassez de mão de obra qualificada, o grande desafio é tornar o setor atrativo novamente através da reformulação dos processos de recrutamento e planos de carreira claros.
  • Gestão da Reputação Online vs. Experiência Física: A percepção digital em plataformas de avaliação impacta diretamente a precificação e a demanda, exigindo agilidade na mediação de conflitos.
  • Equilíbrio nos Canais de Distribuição: Reduzir a dependência das OTAs e fortalecer a venda direta via CRM requer alinhamento contínuo com Revenue Management e Marketing.

Checklist de Avaliação: Competências do Novo Gerente Geral

Para auxiliar cada gestor a fazer sua autoavaliação, eu estruturei este checklist prático dividindo as competências essenciais:

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O Caminho para Resultados Sustentáveis

Para os profissionais que buscam o topo da gestão hoteleira ou para as redes e proprietários que buscam contratá-los, a mensagem é clara: o novo Gerente Geral atua como o CEO da propriedade.

A combinação equilibrada entre soft skills (empatia, inteligência emocional e comunicação) e hard skills (gestão financeira, análise de dados e visão de mercado) define quem conseguirá não apenas manter as portas abertas, mas transformar o hotel em um negócio lucrativo, sustentável e memorável para hóspedes e colaboradores.

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Sócio diretor da Escola para Resultados e da Operadora Hoteleira HotelCare, Jeferson Munhoz conta com mais de 30 anos na área de vendas, distribuição e marketing, em cargos de liderança em hotéis independentes e redes hoteleiras nacionais e internacionais, tais como Accor, Club Med, Bourbon, entre outras. Já participou de 30 aberturas e conversões hoteleiras no Brasil e América do Sul. É professor universitário com passagem em instituições como: USP, Anhembi Morumbi, Uninove e Senac. Participou em associações de classe com FOHB e Resorts Brasil.

(*) Crédito da foto: Arquivo Pessoal

 

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