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Em live, fundadoras do MUST abordam os benefícios da equidade de gênero no turismo

Por Nayara Matteis 15 de julho de 2020

live -equidade de generoMUST atingiu 5 mil mulheres em apenas 45 dias de lançamento

O assunto é atual, recorrente e necessário, porém ainda pouco aprofundado quando falamos do segmento turístico. Apesar da relevante diversidade na base da pirâmide no setor, a equidade de gênero se perde ao galgarmos para posições de liderança. Em live encerrada há pouco, o Hotelier News e Grupo R1 convidaram cinco das sete fundadoras do MUST – Mulheres no Turismo para argumentarem sobre os benefícios da inclusão das mulheres em cargos estratégicos de tomada de decisões.

Com apresentação de Raffaele Cecere (R1) e moderação de Vinicius Medeiros (Hotelier News) em parceria com Jeferson Munhoz (HotelCare e Escola para Resultados), a conversa contou com a participação de Adriana Cavalcanti (Reed Exhibitions); Andrea Ugrin (Air France-KLM); Carolina Stolf (Accor); Larissa Lima (Booking.com) e Sonaira Polimeno (Aerolineas Argentinas).

Criado para desenvolver e incentivar profissionais do setor de viagens por meio de mentorias, lives e trocas de experiências, o MUST foi lançado em junho, conforme informamos em matéria anterior. Iniciativa de extrema relevância, principalmente em um momento de desempregos em massa, o projeto chega para impulsionar mulheres a buscarem posições de liderança no mercado. “O turismo é um terreno fértil. Se analisarmos o setor, a força de trabalho já é majoritariamente feminina, com 54% contra 39% de outras indústrias. A base da pirâmide é diversa, mas subindo para outros patamares, isso vai se dissipando. Percebemos que isso acaba desencorajando mulheres a buscarem posições de liderança e decidimos ajudar a potencializar competências encorajando o protagonismo”, explica Carolina.

“No momento de crise, temos que nos reinventar e a diversidade ajuda muito nesse processo, abrindo espaço para oportunidades e criatividade. Isso tem um impacto muito positivo na indústria, sem contar que a equidade de gênero é o objetivo número cinco de desenvolvimento sustentável da ONU”, complementa.
 
Além da pouca representatividade em alta gerência, a disparidade salarial ainda é uma realidade. “É um ponto comum que o turismo tem com outras indústrias. É importante entender que a equidade de salário e oportunidades são vieses naturalizados, pois o homem tem a posição de provedor da casa e por isso, tem que ganhar mais. Para quebrar esses padrões, estamos trabalhando essas mulheres. Com a pandemia, temos 39% a mais de profissionais desempregadas do que antes da crise”, comenta Adriana.

Live: política empresarial

Como mudar o cenário? O primeiro passo é transformar políticas empresariais para que sejam mais inclusivas e benéficas em prol das mulheres. “Se vamos falar de diversidade temos que falar de inclusão, considerando o ser humano como um todo. Hoje, a licença maternidade de uma empresa é, em média, de 120 dias para a mulher. Mas e a paternidade? O pai tem apenas cinco dias conforme consta na Constituição de 88. Desde 2016, algumas empresas liberam por 20 dias. Não dá nem um mês”, argumenta Sonaira.

Diante da crise, a situação da profissional feminina fica ainda mais vulnerável, o que incentivou o desenvolvimento do projeto. “O MUST nasceu em um momento propício. Hoje, a carga de trabalho da mulher é ainda maior, atuando profissionalmente e cuidando da casa. Muitas delas são empreendedoras e tiveram seus negócios afetados”, complementa.

Para Andrea, políticas de incentivo, oportunidades e regulamentações são alternativas para driblar a desigualdade. “De modo geral, a equidade está na pauta de grandes empresas. Muitas delas vêm adotando medidas de recrutamento e promoção de mulheres, mas ainda precisamos transformar leis, políticas e orçamento público numa escala que possa alcançar essa diferença”.

Reduzindo ainda mais o recorte, mulheres negras estão ainda em maior desvantagem e faz parte de uma das frentes trabalhadas pelo MUST. “A desigualdade piora muito quando falamos em profissionais negras que ainda ganham menos do que as brancas com o mesmo investimento educacional. Também não vemos isso refletido no mercado e posições estratégicas e a inclusão dessas mulheres é muito importante. Temos falado nisso trazendo referências de negras no turismo para inspirar através do exemplo”, conta Carolina.

Hotelaria em destaque

Mesmo longe de ser o mundo ideal, a hotelaria já apresenta um número expressivo de mulheres em posições de liderança transformando o mercado. Para Andrea, o setor é um exemplo para o restante da indústria de viagens. “Algumas empresas estão acompanhando esses movimento externos e perceberam como a diversidade está relacionada à performance. A hotelaria entendeu que ao ter clientes mulheres, precisavam de mais mulheres em decisões estratégicas. A gestão feminina tem sido mais frequente, mas ainda há muito o que se fazer”.

“A hotelaria se destaca em diversidade, pois entendeu que mulheres operando hotéis trazem melhor performance dentro do seu maior público de poder de compra, que também são mulheres. A Accor, por exemplo, foi uma das redes reconhecidas como Great Place to Work para profissionais femininas”, destaca Carolina.

O espaço conquistado pelas mulheres no setor é um caminho sem volta, mas ainda existe um longo percurso pela frente. Enquanto a crise vai corroendo o turismo, que ainda está longe de voltar a ser o que era, a importância da diversidade vai ganhando espaço em meio ao caos. “Não dá mais pra pensar em outro contexto, até historicamente falando. Por tudo que falamos, a equidade se faz urgente e tem que ser pra ontem. Dependemos da sociedade e das empresas se comprometendo, além de políticas de incentivo”, finaliza Larissa.

Para assistir a live na íntegra, acesse o link.

(*) Crédito da capa: reprodução

(**) Crédito da imagem: reprodução da internet