Terminou oficialmente ontem (5), com o pagamento de cerca de 220 rescisões de contratos trabalhistas de funcionários dos hotéis arrendados por aqui, a aventura do Selina no Brasil. Foram sete anos intensos, de aberturas em destinos que se encaixavam com o público-alvo da marca, mas que deixaram uma dívida milionária para os novos proprietários da rede lifestyle, a Collective Hospitality.
Essa história é complexa e tem vários personagens, mas merece ser contada. Um protagonista, sem dúvidas, é a Mogno Capital, gestora que tinha sob seu guarda-chuva fundos imobiliários listados em bolsa que colocaram de pé a operação do Selina no Brasil. Primeiro, porque investiu em retrofits de todos os hotéis com os recursos levantados no mercado, o que incluiu a emissão de um CRI. Segundo, porque adquiriu duas unidades: a de Búzios (antigo Pérola Búzios e a da Vila Madalena, em São Paulo). Em maio de 2023, a Mogno Capital foi comprada pela Valora Investimentos.
Foi então que a maré virou, mesmo após a rede lifestyle abrir capital por meio de um SPAC na bolsa de Nova York, em 2022. A aparente solidez do Selina rapidamente ganhou profundas rachaduras que culminou com a insolvência apenas dois anos depois. E, obviamente, os problemas por aqui se acumularam, com a empresa parando de pagar o arrendamento dos hotéis, impostos variados e o CRI emitido pela Mogno Capital, então já sob gestão da Valora. A dívida total, pelo que apurou o Hotelier News, supera os R$ 100 milhões.
Até que apareceu, em agosto do ano passado, outro protagonista dessa intrincada trama. Após anunciar a compra do Selina, a Collective Hospitality veio olhar a situação dos contratos no Brasil e, por motivos óbvios, não gostou muito do que encontrou. Mesmo após enviar uma carta para todo ecossistema da rede lifestyle falando dos planos otimistas para os hotéis, deixou a maré levar o barco em terras tupiniquins.

Resultado? Deixou proprietários a ver navios por aqui, sem avançar nos acordos relacionados à dívida herdada do Selina. Com isso, todos os contratos foram rescindidos e, pelo que apurei, as propriedades terão futuros diferentes.
Mudanças
A unidade de Florianópolis, por exemplo, deve viar um condomínio de luxo, enquanto a de Foz do Iguaçu (PR) fechou as portas. As propriedades pertencentes à Valora já têm novo operador e devem, inclusive, tornarem-se as primeiras adições da Handwritten Collection (soft brand da Accor) no país. Búzios já está assinado e Vila Madalena está bem próximo.
Por fim, os dois hotéis do Rio (Copacabana e Lapa), que eram os mais rentáveis da operação do Selina no Brasil, serão os únicos a ficar nas mãos da Collective Hospitality, que levou os dois contratos. Pelo que apurou a reportagem, foram propostas bem agressivas, que provavelmente devem incluir o pagamento de algumas dívidas.
Ou seja, essa movimentação dá a entender que os novos proprietários da marca Selina (agora extinta no Brasil) resolveram ficar apenas com os ativos que interessavam e deixaram os outros passivos pipocando por aí. O bom dessa história toda é que, pelo menos, o elo mais fraco dessa trama (os funcionários) recebeu seus direitos.
E, claro, essa briga ainda vai longe…
(*) Imagem de capa gerada pelo ChatGPT
(**) Crédito da foto: Divulgação/Selina












