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Hotel Report: Porto de Galinhas troca volume por tarifa

Porto de Galinhas (PE) chega ao segundo semestre de 2026 diante de um aparente paradoxo: o destino concentra uma procura expressiva e mantém capacidade de elevar preços, mas registra retração no volume de diárias vendidas. Os dados fazem parte do Hotel Report 2026, produzido pela Omnibees em parceria editorial com o Hotelier News, que analisa o desempenho hoteleiro de Ipojuca, município onde o destino está localizado.

O primeiro indicador que ajuda a dimensionar a força do destino está no volume de pesquisas. Ipojuca, tendo Porto de Galinhas como principal referência turística, registrou 652 milhões de buscas nos 30 dias analisados, ocupando a primeira colocação entre os destinos de Pernambuco.

O volume é significativamente superior ao dos demais mercados monitorados. Recife aparece em segundo lugar, com 141 milhões de pesquisas, seguido por Fernando de Noronha, com 64 milhões. A disponibilidade encontrada nas buscas por Ipojuca foi de 64%, ligeiramente abaixo da média de 66% registrada entre os principais destinos pernambucanos. Os dados de pesquisa compreendem o período de 3 de junho a 3 de julho de 2026.

A distância em relação aos demais destinos reforça a capacidade de Porto de Galinhas de gerar interesse entre os viajantes. O desafio aparece justamente na etapa seguinte da jornada: a conversão desse volume de pesquisas em reservas.

Room nights caem 15,5%, apesar da força da demanda

Embora lidere o mercado pernambucano em volume de pesquisas, Porto de Galinhas registrou retração de 15,5% em room nights na comparação entre 2026 e 2025. O movimento contrasta com o desempenho de outros destinos do estado. Jaboatão dos Guararapes apresentou crescimento de 33,3% em room nights, enquanto Gravatá avançou 13,3%. Ainda assim, Ipojuca permanece como o mercado de maior volume entre os destinos analisados pelo estudo.

A perda de diárias vendidas torna-se ainda mais relevante quando confrontada com o elevado volume de buscas. Na prática, Porto de Galinhas continua atraindo a atenção dos viajantes, mas parte desse interesse não está chegando às reservas na mesma proporção.

Tarifa média avança 10% em Porto de Galinhas

Se o volume representa um ponto de atenção, o comportamento tarifário segue na direção oposta. A tarifa média avançou 10% em 2026 frente ao ano anterior, mesmo com a redução dos room nights. A série histórica reforça a capacidade do mercado de sustentar preços acima dos níveis de 2024. A diária média era de R$ 1.059 em 2024, subiu para R$ 1.134 em 2025 e chegou a R$ 1.093 em 2026, considerando dados até junho. Com isso, permanece 3,2% acima do patamar de dois anos atrás.

O comportamento das categorias também aponta maior resistência nos segmentos superiores. Enquanto todas apresentaram retração em room nights, o Luxury registrou crescimento de 8% na tarifa média, o maior entre as categorias analisadas. O Upscale avançou 2,1% em preço e apresentou a menor queda de volume, de 11,1%. Já o Economy teve o recuo mais acentuado em diárias, próximo de 30%.

Os dados indicam que a recuperação do volume não passa necessariamente por uma redução generalizada de preços. Parte da oferta continua conseguindo monetizar a demanda em patamares superiores.

Carteira futura cresce pela valorização da diária

A carteira de reservas futuras — o chamado on the booksregistra crescimento de 2,1% no GMV, mesmo com redução de 8,4% nas reservas. O avanço da receita é sustentado principalmente por uma diária média 12,9% maior. Outro dado relevante é a antecedência: os hóspedes estão reservando com 11,8% mais tempo em relação ao período comparável. Para setembro, especificamente, o GMV futuro apresenta alta de 7%, apesar da queda de 4,6% no volume de reservas.

A combinação reforça uma tendência já observada no desempenho corrente: Porto de Galinhas está conseguindo extrair mais receita de uma base menor de reservas. No comportamento geral do viajante, a antecedência média chegou a 122,7 dias, ante 121,3 dias em 2025, enquanto a estada média recuou de 4,93 para 4,81 diárias. A taxa de cancelamento ficou em 36%, ante 37% no ano anterior.

Para Porto de Galinhas, portanto, o dado mais importante está na combinação dos indicadores: a demanda continua presente, mas capturá-la de forma mais eficiente será determinante para transformar a força do destino em crescimento de receita e volume ao mesmo tempo.

O Hotel Report reúne dezenas de indicadores e possibilita aos gestores hoteleiros acompanhar, com maior inteligência de mercado, o desempenho da hotelaria de 20 destinos espalhados pelo país (saiba mais aqui).

Para consultar todos os indicadores, gráficos interativos e análises do mercado de Porto de Galinhas, acesse o Hotel Report no link. Para ver os números de outras cidades, basta entrar no site.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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