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Hotelaria avança rumo a 2026 com foco em preço e eficiência

Em um momento no qual a hotelaria global atravessa mudanças profundas no comportamento do viajante e na forma de operar, o mercado brasileiro entra em uma fase decisiva. Com 2025 caminhando para o encerramento, as atenções do setor se voltam para 2026 — período que deve impor novos desafios, mas também abrir espaço para ajustes estratégicos capazes de preservar margens e competitividade.

De acordo com Ricardo Mader, managing director da JLL, o próximo ano será marcado por eventos de grande impacto, como eleições e Copa do Mundo, que tradicionalmente afetam os indicadores dos hotéis brasileiros, muitas vezes resultando em oscilações de ocupação. Mesmo assim, ele reforça que a disciplina tarifária deve permanecer como prioridade absoluta.

“O segredo será manter a política de diárias, principalmente durante a semana, e não ceder à pressão da baixa ocupação. Esse é o maior ponto de atenção”, diz, em entrevista ao Hotelier News. A recomendação ganha força diante da expectativa de uma demanda mais irregular, com períodos que exigirão precisão no RM (Revenue Management) e atenção redobrada na dinâmica corporativa — ainda dominante nos grandes centros.

Outro vetor de destaque para 2026 será o avanço da operação de A&B (Alimentos & Bebidas) como pilar de diferenciação e incremento de receita. Segundo Mader, a aposta em bares e restaurantes mais atrativos tomou corpo nos últimos anos e deve ganhar ainda mais protagonismo. “Os hotéis estão trazendo experiências diferenciadas, com assinaturas de marcas importantes. E essa criação de bares e restaurantes mais atrativos vai fazer ainda mais diferença no desempenho desses empreendimentos”, ressalta.

Somado a isso, o fluxo crescente de estrangeiros, que já se espalha por novos destinos do país, tende a contribuir para amortecer possíveis quedas de ocupação em sazonalidades típicas de ano eleitoral e de grandes eventos esportivos. Com 2025 já bastante encaminhado, o setor segue sustentado pela combinação de tarifa forte e busca contínua por eficiência.

“A diária média sempre tem mais influência do que a taxa de ocupação. Quando há uma variação significativa nas tarifas, o impacto positivo é maior. E isso vem acontecendo desde 2024, principalmente por conta do movimento durante a semana. Os hotéis urbanos, com perfil corporativo em sua maioria, vêm tendo forte demanda nos últimos anos, permitindo a elevação das diárias, e o cenário tende a continuar assim”, diz Mader.

Ricardo Mader
Mader comenta perspectivas para 2026

Além disso, segundo o executivo, trabalhos de redução de despesas nas áreas de energia e mão de obra, por exemplo, também ajudam a elevar os resultados. A pressão sobre mão de obra, porém, continua moldando operações mais enxutas — uma limitação que, de certo modo, também reduz despesas e evidencia que é possível manter bom nível de experiência com equipes menores, cenário desenhado desde a pandemia e que deve perdurar não só em 2026, mas nos anos seguintes.

Nos resorts, o ciclo de crescimento recente deve seguir influenciando o comportamento do setor no próximo ano. A combinação entre maior poder de compra das famílias, expansão do modelo all-inclusive e maior procura por viagens de lazer mantém o segmento em performance histórica.

“A gente tem visto um desequilíbrio de oferta e demanda. Ou seja, há muita demanda e uma oferta mais baixa, em todos os segmentos da hotelaria, o que também colabora significativamente para elevar a performance dos hotéis existentes. Isso é uma tendência que deve continuar nos próximos anos, devido a fatores como custo de terrenos e alta taxa de juros, que em muitos casos inviabilizam novos projetos”, comenta.

Retrospecto

A hotelaria brasileira encerrou 2024 com um desempenho que reposiciona o país entre os mercados mais competitivos do setor, segundo a pesquisa Hotelaria em Números, da JLL em parceria com o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) e a Resorts Brasil. O ano marcou não apenas uma recuperação plena, mas um avanço consistente em eficiência, valorização tarifária e rentabilidade, criando as bases para o ciclo de crescimento que se estende até hoje.

O estudo revela que os hotéis registraram alta de 16% no RevPAR, resultado da combinação entre aumento de tarifa e estabilização da ocupação em níveis elevados. As diárias avançaram 7,5%, chegando a R$ 1,3 mil — um patamar que, até então, poucos mercados brasileiros haviam alcançado.

No segmento premium, o TrevPAR cresceu 15,4%, impulsionado pela ampliação de receitas não apenas de hospedagem, mas de toda a operação. A margem operacional saltou de 28,5% para 40,1%, refletindo ganhos de produtividade, adoção de tecnologias e maior rigor no controle de custos.

O segmento intermediário foi o destaque em valorização tarifária, com crescimento de 23%. O movimento de migração de hóspedes vindos do econômico, motivado por maior poder de compra e busca por diferenciação, fortaleceu ainda mais esse recorte, garantindo melhor ocupação e um mix de clientes mais rentável.

Já os resorts registraram o ciclo mais expressivo de toda a amostra: TrevPOR em alta de 29,5%, TRevPAR crescendo 32,7% e margem operacional atingindo 43,5%, reforçando o apelo das experiências completas no lazer pós-pandemia e o sucesso do modelo all-inclusive no país.

Além dos indicadores de receita, 2024 também consolidou o avanço estrutural da hotelaria brasileira. A adoção mais intensa de tecnologias de RM, a automação de processos e a evolução das operações de A&B elevaram a maturidade do setor a outro nível. Ao mesmo tempo, o retorno robusto do turismo doméstico e a expansão gradual do turismo internacional ampliaram a base de demanda.

O resultado foi um ano que não apenas marcou a volta aos patamares pré-crise, mas inaugurou uma nova etapa para o mercado — cujos efeitos sustentam grande parte das projeções positivas para 2026 e os próximos anos.

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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