Junho voltou a representar o período de menor desempenho para a hotelaria de Salvador. Pelo quinto ano consecutivo, a taxa média de ocupação dos hotéis da capital baiana ficou em 51%, ligeiramente abaixo dos 52,48% registrados no mesmo mês do ano anterior. O resultado reflete um cenário marcado pela proximidade das férias escolares da região Sudeste, condições climáticas instáveis e pela realização da Copa do Mundo, fatores que reduziram a demanda tanto do turismo de lazer quanto das viagens corporativas.
Os melhores resultados do mês foram registrados durante o feriado de Corpus Christi e no Dia dos Namorados, comemorado neste ano em uma sexta-feira, o que favoreceu o prolongamento das estadias e elevou temporariamente a ocupação dos hotéis.
Mesmo assim, os finais de semana apresentaram desempenho inferior ao dos dias úteis. A ocupação média entre sextas-feiras e domingos foi de 47,92%, enquanto nos dias de semana atingiu 52,11%, impulsionada principalmente pelos efeitos do feriado e da data comemorativa.
Outro fator que tradicionalmente movimenta o turismo na Bahia, os festejos juninos, teve impacto limitado sobre a hotelaria da capital. Embora sejam um importante atrativo para destinos do interior do estado, as celebrações realizadas em Salvador mobilizaram principalmente os moradores da cidade e não geraram aumento significativo na demanda por hospedagem, nem mesmo nos hotéis localizados próximos aos eventos.
Indicadores
Em relação aos indicadores financeiros, a diária média alcançou R$ 499,75, patamar semelhante ao registrado em junho do ano anterior, quando ficou em R$ 459,15. Já o RevPAR encerrou o mês em R$ 254,85, o menor resultado do ano.
Segundo Wilson Spagnol, presidente da ABIH-BA (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Seção Bahia), a sazonalidade de junho exige estratégias específicas para fortalecer a demanda na capital.
“As tradicionais festas juninas no Nordeste, que atraem tanta gente para o interior do estado, não têm efeito para a hotelaria da capital. É preciso programar eventos esportivos, musicais ou corporativos que atraiam viajantes para Salvador, visando equilibrar a queda na atividade repetidamente observada neste mês”, afirma.
Análise dos dados
Os números reforçam que junho permanece como o principal desafio sazonal para a hotelaria de Salvador. O fato de o mês registrar o menor índice de ocupação pelo quinto ano consecutivo demonstra que se trata de um comportamento estrutural, e não de uma oscilação pontual.
Outro aspecto relevante é que, embora a diária média tenha permanecido relativamente estável, a queda da ocupação pressionou diretamente o RevPAR, indicador considerado um dos mais importantes para medir o desempenho financeiro dos hotéis. Isso mostra que a manutenção das tarifas não foi suficiente para compensar o menor volume de hóspedes.
Por fim, o desempenho superior observado apenas durante Corpus Christi e o Dia dos Namorados demonstra que a demanda existe quando há motivadores específicos para a viagem. Isso reforça a importância de um calendário consistente de eventos para ampliar a ocupação e melhorar os indicadores da hotelaria da capital baiana.
(*) Crédito da foto: Unsplash














